
A indústria em Arouca tem vencido muitos dos desafios que lhe vêm sido colocados e contribuiu de forma indelével para o desenvolvimento municipal.
Ainda que com fortes limitações, nomeadamente devido a vias de comunicação, mas não só, conseguiu aumentar muito significativamente o seu volume de negócios nos últimos 6 anos, tendo representado mais de 350 milhões de euros no ano de 2024.
Tudo isto com custos de contexto acima de muitos dos seus concorrentes, nacionais e internacionais.
E é também no setor industrial e na construção, que se concentra mais de metade dos empregos nas empresas sediadas do município.
A Estratégia de Especialização Inteligente da Região Norte, da CCDRN, constituiu-se como um documento de reflexão estratégica para a inovação e competitividade regional e foi um documento fundamental para o financiamento do programa Norte 2030, programa de financiamento europeu, ancorado na tecnologia e inovação, no setor empresarial, no turismo e na sustentabilidade.
A indústria em Arouca, na sua generalidade, tem estado alinhada com a estratégia que o documento defende, nomeadamente na Industrialização e Sistemas Avançados de Fabrico em Sistemas Agroambientais e Alimentação.
Os nossos setores chave são, sem que isso diminua a importância de outros, o têxtil e calçado, o mobiliário e madeira, a indústria metalúrgica, a indústria metalomecânica, a construção civil e materiais e a agroindústria. Muitas das empresas já com processos de produção e fabrico avançados, nalguns casos com tecnologia de ponta e com mão de obra muito especializada. Fórmula que tem permitido ultrapassar – com maior ou menor dificuldade – os tais custos de contexto.
Os desafios para a nossa indústria não diferem do restante do nosso país: os desafios da digitalização, da falta de mão de obra, da globalização, da burocracia, os custos da energia, telecomunicações e transportes, a sustentabilidade “verde” e afins. E, globalmente, precisa combinar três grandes caminhos: a modernização tecnológica, a transição verde e ganhos de escala/competitividade. A estes junta-se o relevante problema das acessibilidades, nomeadamente a falta da tão necessária 3ª fase da variante, mas também, por exemplo, a resolução dos constrangimentos no troço entre as Alagoas e o Nó de Escariz.
Ao município cabe criar as condições para que as indústrias se possam instalar e/ou crescer no nosso território. É sabido que, julgo que em todos os municípios, há sempre pontos de “conflito” entre as necessidades e as disponibilidades, mas Arouca tem continuamente investido no melhoramento das suas diversas zonas industriais: São Domingos em Arouca, Mata em Mansores, Lameiradas em Escariz/Mansores, Parque Negócios Escariz, Farrapa em Chave e a Zona Industrial em Alvarenga.
Acresce a criação há quase 20 anos, do Gabinete Via Verde do município, que procura agilizar os processos de licenciamento, apoiar tecnicamente os promotores de investimento e exercer diplomacia económica junto de outras entidades.
Mais recentemente, foi criado o CI3, um projeto que é um Centro de Incubação e Inovação Industrial cujo principal objetivo é ser um centro de apoio à atividade industrial e a novos projetos empresariais.
A isto junta-se a atividade da AECA (Associação Empresarial Cambra e Arouca), que há quase 35 anos é um agregador dos empresários do município, contribuindo para o progresso das indústrias e da nossa região.
O que foi demonstrado até hoje é que entre um caminho de fragilidade devido a custos de contexto ou de oportunidade – nomeadamente tecnológicas, de know-how e infraestruturas – estas continuarão a ser o motor económico do concelho.
Pedro Sousa
O processo de “revolução industrial” em Arouca ocorreu sobretudo na década de 1990. Até então, a atividade industrial resumia-se quase exclusivamente a pequenas serrações ligadas ao setor florestal. É nesse período que surgem as primeiras zonas industriais e também a Associação Empresarial do Concelho de Arouca (AECA), que, com o dinamismo dos seus associados, teve um papel decisivo na promoção de ideias, na implementação de estratégias de eficiência coletiva e na reivindicação de melhores acessibilidades e condições para quem investe no concelho.
Já o contributo do poder político local foi, e continua a ser, diminuto. Perdemos empresas para concelhos vizinhos, assistimos à deslocação diária de grande parte da população ativa para fora do concelho e criámos zonas industriais mal infraestruturadas, física e tecnologicamente, a preços pouco competitivos face a outros municípios. Não fosse a resiliência e a capacidade de superação dos nossos empresários, Arouca continuaria a ser apenas fornecedora de mão-de-obra para empresas de fora.
Apesar de todas as dificuldades, os empresários continuam a investir no seu concelho, mesmo sabendo que lutam com “armas” desiguais: terrenos caros, mal preparados e que, muitas vezes, exigem investimentos adicionais avultados para garantir condições mínimas de funcionamento.
O poder político local mantém-se sem estratégia clara. Dispõe hoje de recursos financeiros como nunca, fruto de fundos públicos e comunitários, mas não os transforma em desenvolvimento, inovação ou competitividade.
É urgente pensar de forma diferente para captar empresas inovadoras e tecnológicas, onde poderemos criar emprego jovem e qualificado, retendo os nossos ou captar outros talentos. Precisamos de ter áreas de acolhimento empresarial com outra visão, infraestruturas a pensar nas empresas e nos empresários, modernas e a preços competitivos. Temos de acolher os empresários e os seus investimentos com carinho, simplificando processos e dando uma nova dinâmica a estes espaços. Para além da implantação de indústrias, estes espaços podem ser estruturados para acolher outras atividades, um ecossistema vivo e dinâmico. Por exemplo, com espaços para comércio, serviços, zona de diversão, que tanto necessitamos, ou mesmo desportiva, como ginásio, entre outras.
Defendo parques empresariais preparados para o futuro, com soluções de autoprodução de energia renovável, comunidades de energia, carregamento para veículos elétricos, internet de alta velocidade e medidas ativas de prevenção de incêndios.
É igualmente fundamental apostar em soluções de mobilidade interna, como transporte entre zonas industriais, ligando, por exemplo, S. Domingos, Farrapa, Lameiradas, Mansores e Escariz, reduzindo custos para os trabalhadores, melhorando o rendimento disponível e diminuindo a pegada ecológica.
Por fim, é imprescindível lutar pela conclusão da fase final da Via Estruturante Ribeira–Escariz, uma infraestrutura decisiva para a competitividade e sucesso das empresas de Arouca.
Vítor Carvalho

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