Palavras e Decisões

O senhor Ministro da Administração Interna, que iniciou funções recentemente, vem demonstrando, através das suas palavras, que está consciente da gravidade do período crítico que se aproxima, em consequência dos fogos florestais. É um facto real, que não deixa dúvidas, e mais grave ainda que o habitual em resultado da tragédia dos temporais que atingiram o centro do País recentemente.

Sendo abrangente na opinião pública, a ideia de que o senhor Ministro é muito competente, o que se deseja é que utilize o seu poder e capacidade de decisão, não ficando apenas pelas palavras, para implementar, com urgência, medidas que transmitam confiança às pessoas e entidades que, no terreno, assumem responsabilidades na prevenção e combate ao flagelo constante e crescente que atinge, principalmente, o País interior. Sem esquecer que as pessoas que ainda vivem nessas parcelas são Portugueses como todos os outros e não podem estar sujeitas às ameaças e ação dos incendiários, ou do descuido.

Uma melhor programação de meios terá de ser colocada na linha da frente, e avançar com uma visão mais abrangente dos problemas e suas consequências. Principalmente o reforço na vigilância, mais ativa e presente no terreno, através dos meios humanos e técnicos atualmente disponíveis, para que as deflagrações sejam drasticamente reduzidas. Será também necessário fazer sentir às populações que, também elas, podem e devem fazer parte da solução, na vigilância, no alerta rápido e até no combate inicial, com meios afetos à atividade agrícola, nomeadamente tratores e cisternas. As autoridades e meios ligados ao setor devem estar mais visíveis, para que a população se sinta apoiada e os incendiários desmotivados.

Há algumas décadas, houve alturas em que os militares das forças armadas fizeram parte do sistema de vigilância, com a sua visibilidade a surtir bons resultados, desmotivando os criminosos e sentindo o carinho das populações, que se sentiam mais seguras. Atualmente, após as responsabilidades e trabalhos que assumiram no centro do País, no período da calamidade que atingiu essa parcela de Portugal, julgamos que é chegada a hora dos senhores Ministros da Administração Interna e da Defesa conjugarem propósitos e esforços, no sentido de uma cooperação no terreno para a redução drástica dos Fogos Florestais que destroem o País ano a ano. Só assim se favorecerá o meio ambiente, se protegerão as pessoas e se garantirá o futuro.

Outro aspeto a ter em conta relaciona-se com as Corporações de Bombeiros que se encontram em todo o território, possuindo capacidade e conhecimento das múltiplas características que preenchem as diversidades específicas das suas áreas de intervenção, principalmente no interior norte e centro. Os Comandos das Corporações locais devem participar nas decisões estratégicas e no acompanhamento das operações. Julgamos que se deve ir ainda mais longe e prepararem-se elementos das comunidades locais para serem capazes de atuarem nas primeiras intervenções, incluindo empresas de serviços agrícolas e florestais, que possuem conhecimento específico das áreas em que desenvolvem a sua atividade.

O nosso concelho continua a ser atingido frequentemente por incêndios de enorme capacidade de destruição e constata-se que, a mobilização de grande quantidade de meios, aparentemente estáticos na proximidade das aldeias, nem sempre correspondem a uma boa solução para atingir os objetivos. É necessário repensar as estratégias e ponderar a utilização de parte desses meios, no combate direto e/ou aplicação de contra fogo, na redução do expandir das chamas e do alargamento das frentes de fogo. Os avanços incontrolados agravam as dificuldades e tornam muito difícil, por vezes impossível, a eficácia do combate, quando atingem os locais em que se encontram as concentrações de meios.

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