
Abril, como sabemos, é o mês da liberdade. Ou, pelo menos, o mês em que mais gostamos de a apregoar.
Para mim, este Abril foi também mês de assembleias. Depois de mais de sete horas entre as Assembleias Municipais de Castelo de Paiva e de Cinfães, torna-se difícil falar de outra coisa. E, se mais alguém assistiu às duas sessões, torna-se ainda mais difícil ignorar dois números: 2,9 milhões de euros em Castelo de Paiva; 13,7 milhões de euros em Cinfães.
São os respetivos saldos de gerência. Um número não governa sozinho, é certo, mas também convém não fingirmos que os números não dizem nada. Às vezes dizem muito. Outras vezes dizem até mais do que alguns discursos.
E, olhando para Cinfães, houve outro número que me ficou no ouvido: 42,6%. Foi essa a execução das despesas de capital, ou seja, da parte mais ligada ao investimento. Não sou especialista em contabilidade pública, nem tenho pretensões de fingir que sou. Mas há diferenças que saltam à vista. Cinfães fechou o ano com 13,7 milhões de euros de saldo e executou 65,6% da despesa total. Castelo de Paiva fechou com 2,9 milhões e executou 81% da despesa total.
Alguém explicará, certamente, melhor do que eu, a beleza técnica destes números. Eu, que sou mais simples, fico só com a dúvida: se há 13,7 milhões a transitar e menos de metade do investimento previsto foi feito, estamos perante prudência financeira ou perante a velha arte de chamar gestão ao que ficou por fazer?
As contas passaram, naturalmente. O rumo estava traçado.

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