É possível sentir um amargo de boca ao garantir a manutenção?

Sim, e, do que pude ver no final do FC Arouca 2-2 Santa Clara, fiquei com a ideia de que o plantel e a equipa técnica partilham deste sentimento. Basta pegar nas palavras de Vasco Seabra, na conferência pós-jogo: «A manutenção fica matematicamente garantida, mas há um sentimento de frustração na equipa». Penso que o técnico não se referisse apenas ao encontro propriamente dito, mas à época como um todo.

Não me interpretem mal, a manutenção é ótima e é um sentimento maravilhoso saber que o FC Arouca continuará na elite do futebol nacional, chegando à marca das 10 participações, e que continuará a ser o representante único de Aveiro na Primeira Liga (ainda que fique a ideia de que, também no futebol, não há uma relação muito forte com o nosso distrito).

Mas, felizmente, o FC Arouca já está num patamar em que pode e deve ambicionar por mais. A Liga tem crescido, ainda que muitos a procurem denegrir constantemente. São cada vez mais as equipas que, época após época, surpreendem, como foi o nosso caso, por exemplo, nos dois quintos lugares e respetivas qualificações europeias. E é de um orgulho enorme saber que o nosso clube, apesar de todas as condicionantes, está numa fase em que movimenta milhões de euros e, mais do que isso, valoriza o futebol. Para além da paixão inerente ao clube e à terra, especialmente desde o mais recente regresso à Primeira Liga, dá gosto ver o FC Arouca jogar à bola, querendo tê-la na sua posse, independentemente do adversário que enfrenta.

Em boa hora, o clube renovou com o treinador Vasco Seabra, que me parece ser o homem certo para aquele que idealizo como o projeto da próxima época, para o qual creio existirem todas as condições para se realizar: lutar pela Europa. Sim, a meu ver, neste momento, o FC Arouca deve ambicionar por mais e, se se souber segurar grande parte das peças deste ano, trazer novos elementos (especialmente para o setor mais recuado e para a dianteira do ataque) e refinar alguns aspetos da ideia de jogo (que, traços gerais, está muito boa, mas necessita de alguns ajustes), julgo que poderemos ser candidatos sérios à Conference League. E, para além disso, voltar a ir longe nas taças.

Nas próximas crónicas, até ao arranque da nova época, irei tecer mais uns comentários sobre esta temporada e os desenvolvimentos que virão da próxima, bem como da prestação portuguesa no Mundial.

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