
Os efeitos da tempestade do último Inverno no centro do País, felizmente sem atingir vidas humanas, e o que aconteceu a semana passada na Venezuela com milhares de mortos e desaparecidos, demonstram que a Natureza ativa o seu poder por iniciativa própria e inclui a destruição na sua ação. Morrem árvores e plantas e reduzido a escombros o que a capacidade dos homens investe no mundo construído para dar aconchego e vida melhor às pessoas. Estas tragédias naturais, que os “poderosos” não dominam, apesar de procurarem demonstrar capacidade e poder para serem os senhores do Mundo e imporem aos restantes as suas vontades, deveriam fazer-lhes ver que a destruição e a morte, que provocam através das armas, são crime contra a humanidade e deveriam ser evitados. Os milhares de mortes, verificadas na Venezuela, colocam sobre nós mágoa profunda, mas as dezenas de milhar, assumidas por Israel, com apoio e passividade dos EUA, em Gaza e no Líbano, e da Rússia na Ucrânia, além de mágoa profunda, produzem também revolta e mal-estar.
Perante os caminhos que se abrem a passos largos, para uma forte sujeição à IA – Inteligência Artificial que, segundo os mais otimistas, trará uma evolução sem precedentes, colocamos a dúvida sobre uma possibilidade mais realista, ou mesmo negativa, de os seres humanos serem transformados a breve prazo em seres passivos, motivados e comandados por meios técnicos que lhes podem retirar o sentido da vida, tal como a conhecemos e disfrutamos, com inteligência própria e diversificada, capacidade de opção e poder de decisão.
Confrontados com a quantidade de informação, muita dela duvidosa e contra informação, que nos chega em quantidades absurdas, aumenta a necessidade de seleção que nos permita ver, ouvir e ler, com uma base de filtragem que limite a absorção, em relação a tudo que nos chega. Utilizando critérios ponderados e seguros, que respeitem a nossa inteligência, e deixando de fora as invasões da publicidade sem critério, das notícias de base duvidosa e as propostas que visam sujeitar as pessoas a teorias e propósitos difíceis de abordar e filtrar. Convém afastar à partida o que aponta para a promoção da dependência generalizada, com propósitos aparentemente inócuos, mas com objetivos de exploração de nível sub-reptício.
A ajuda, na simplificação do nosso trabalho e das nossas decisões é importante, se formos capazes de manter a nossa base de respeito pelos princípios do conhecimento e do bem comum, que respeitem o nosso próximo e a sociedade a que pertencemos. Já são proclamadas teorias de novos princípios, para se sobreporem à evolução natural do pensamento, das ideias e da reflexão pessoal, atirando para a prateleira os que pretendam continuar a pensar por eles próprios e não se deixarem arrastar pelo conjunto das eventuais facilidades que se propagarão sem fim à vista, para subjugarem a inteligência, a vontade própria e a capacidade de decisão.
Somos humanos, nascidos e criados com inteligência acima da média de outros seres vivos que, connosco, partilham a vida no mundo e, por isso mesmo, temos obrigação de salvaguardar os nossos princípios e não os enfeudar a bases, ditas de inteligência, que pretendem colocar em causa a nossa dignidade. O Mundo atual está em transformação acelerada, real e virtual e, com ela, surgem decisões dos detentores do poder que conduzem à desconfiança quanto às suas capacidades de opção e decisão, no sentido do mais razoável para a preservação da vida humana e do equilíbrio entre os povos, as nações e os continentes. As mudanças com base na decisão de um conjunto limitado dos detentores do poder internacional, encontram-se em ritmo demasiado acelerado, sem tempo para pensar, decidir e avaliar, sobre os desfechos que delas resultarão.
Celso Portugal

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.