
Mais um mês de assembleias municipais. E, embora até me apetecesse escrever sobre Castelo de Paiva, terra de que gosto muito, onde estudei, onde fiz grandes amigos e construí relações que levo para a vida, essa não é a minha terra. A nossa terra é sempre a nossa terra. E a minha, para o bem e para o mal, é Cinfães.
E este mês percebi uma coisa extraordinária: vivo num paraíso. Uma espécie de utopia onde nada pode ser melhorado, alterado, discutido ou sequer sugerido, porque já está tudo, evidentemente, perfeito. Não há falhas, não há excessos, não há omissões, não há assuntos por resolver. Há, isso sim, pessoas que ainda não perceberam a sorte que têm em viver num tal paraíso, aqui nas bordas do Montemuro plantado.
Mas, voltando ao título desta crónica, eu não gosto de sarcasmos. Nem de ser sarcástico. E é precisamente por isso que quase me sinto obrigado a elogiar bem alto o estado exemplar a que chegou a nossa terra. Em todos os aspetos, claro, mas sobretudo na política e no exercício da democracia local. Aí, então, somos avassaladoramente extraordinários. A última Assembleia Municipal, por exemplo, deixou-me plenamente satisfeito. Em tudo. Foi uma demonstração admirável da democracia no seu estado mais puro, mais elevado, mais refinado.
Veja-se a beleza da coisa: há sempre alguém, de sorriso na cara, pronto a explicar aos outros até onde podem ir. É tudo tão bonito que quase comove.
Por isso, caros cinfanenses, não critiquem nada na nossa terra, porque nada há a criticar. Eu, que não gosto de sarcasmos, limito-me a deixar esta nota final: em Cinfães está tudo tão bem resolvido que, quando alguém levanta um problema, quase apetece perguntar para quê.

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