
A força da burocracia e o conjunto de entidades, coletivas e individuais, locais e externas, que se colocaram contra o Parque Solar de Arouca, que iria ocupar vinte hectares para a instalação dos painéis solares e oitenta hectares de área proteção envolvente, levou a que, após vários anos de tentativas para o indispensável licenciamento, o investidor colocasse termo ao processo e desistisse definitivamente do mesmo. Julgamos que o Parque traria vantagens para o concelho em termos económicos e constituiria uma área tampão a fogos florestais que, ao longo de décadas, sistematicamente a destroem. A decisão final, que deveria ser assumida em tempo útil pelas entidades competentes de âmbito nacional e local, foi sendo adiada ano após ano, com base em meias decisões e estudos sucessivos, que acabaram por desmotivar os investidores que, segundo dizem, terão gasto milhões de euros.
A Câmara de Arouca foi objetiva em fevereiro do corrente ano, quando emitiu opinião desfavorável à instalação do Parque. Essa posição foi garantida através do voto unanime dos representantes dos dois partidos que a integram, mas fica a dúvida sobre se a ponderação terá feito parte da análise. Se, por exemplo, visitaram os locais para fazerem uma avaliação abrangente que lhes permitisse uma conclusão sobre os prós e contras. Acreditamos, que não terá sido levado em conta o rendimento direto para o concelho, através dos proprietários dos terrenos, a rondar os cem mil euros anuais. Mais de um milhão de euros ao fim de doze anos. Período necessário para um corte de eucaliptos, sem incêndios e sem gastos de manutenção, a renderem apenas trezentos e cinquenta mil euros ao preço atual, ao produtor. Com a implantação do Parque seria garantida a limpeza e manutenção dos cem hectares e esse espaço constituiria uma faixa de proteção à zona envolvente e de travão à progressão dos incêndios.
Foram recentemente comemorados os vinte anos do museu das trilobites de Canelas, que constituiu impulso importante para o Arouca Geoparque. Embora situação distinta, se existisse no início centenário da exploração louseira no local, e reabilitação industrial posterior, uma posição idêntica à que foi alimentada em relação ao Parque Solar, poderemos concluir que não haveria hoje esse marco positivo na história do concelho. Os representantes do povo devem aplicar uma parte do seu tempo para basearem as decisões que assumem. Com base no que foi dito e assumido contra o Parque Solar, deverá o Município avaliar a hipótese de um investimento que dê vida ambiental ao espaço em causa para que a população o usufrua!
Ao nível político, desconhecemos se os senhores Presidentes de Junta das freguesias envolvidas foram chamados a pronunciarem-se sobre o assunto, embora o pudessem fazer de modo autónomo. Os eleitos pelo povo assumem em paralelo o poder e o dever de estarem atentos e esclarecerem as pessoas sobre as posições que assumem no seu desempenho, sempre que tal se justifique. O assunto foi abordado e opinado por muitas entidades altamente catalogadas, que não devem estar distantes das realidades para assumirem o protagonismo a que têm todo o direito. Foi expedito o licenciamento do Parque Solar de Alvarenga, que consideramos positivo, e daí se questiona a demora, com sucessivos estudos, que acaba por inviabilizar o Parque Solar de Arouca. Olhando o futuro e a necessidade de reduzir o consumo de combustível tradicional, atualmente envolto em graves problemas, a Câmara Municipal tem assumido, e bem, a aquisição de viaturas elétricas para os seus serviços. Com alguma coerência deveria estar do lado da produção de energia no Parque Solar que se deixou fugir.
Há décadas atrás, com outros responsáveis na gestão municipal, foi assumida a viabilidade da instalação do Parque Eólico da Freita, e essa decisão não foi prejudicial para Arouca. Julgamos que ainda hoje continua a receber rendimento dessa opção.
Celso Portugal

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