FOGO MAU

Arouca, excessivamente flagelada por grandes incêndios que, ano após ano, atingem os seus espaços florestais e naturais, acaba de sentir mais uma dessas calamidades com início cerca das vinte e duas horas do dia dezassete de agosto, no talude superior da Estrada Municipal de acesso ao lugar de Rio de Frades, freguesia de Cabreiros, um pouco além do lugar de Bouceguedim, da freguesia de Moldes.

Ainda antes das quatro horas da madrugada do dia 19, quando esse incêndio se desenvolvia em várias frentes, aconteceu a tragédia, já conhecida de todos, com uma viatura dos nossos Bombeiros de Arouca, próximo do lugar do Pedrogão da freguesia de Moldes, quando a mesma se dirigia a uma das frentes de combate com quatro Bombeiros a bordo. Perante o alerta e o conhecimento do local, desde logo os responsáveis sentiram tratar-se de um acidente de elevada gravidade, que colocava em risco a vida dos quatro Bombeiros envolvidos. As preocupações desde logo se propagaram e aumentaram a cada momento no seio das Famílias e de toda a estrutura dos Bombeiros de Arouca. Às primeiras horas da manhã, enquanto prosseguia o socorro às vítimas e a comunicação social divulgava as primeiras notícias a preocupação atingia todos os Arouquenses e a sensibilidade dos Portugueses.

Até à hora em que escrevemos estas linhas mantêm-se as nossas preocupações, embora atenuadas pelas notícias oriundas dos serviços médicos envolvidos. Cumpre-nos lamentar o acontecido e registar perante os sinistrados e suas Famílias os votos de recuperação plena que, passados estes dias, começam a ter lugar. Considerando as condições do local onde se deu o acidente é justo registar o esforço e entrega das equipas que se empenharam no socorro, bem como das equipas médicas que arcaram com a responsabilidade de prestarem aos nossos Bombeiros os cuidados de que necessitavam, e continuam a necessitar, para que regressem para junto das suas Famílias e de todos nós. Ao Pedro Bastos, ao Eduardo Jesus, ao Marcelo Pinto e ao Sérgio Vieira, um Grande Abraço de Amizade e reconhecimento pela sua dedicação ao nosso Corpo de Bombeiros e aos Arouquenses em geral.

Pode dizer-se que os Arouquenses foram envolvidos por algo que a todos atingiu e corresponderam, com as suas preocupações e força espiritual de entreajuda, para que seja possível alcançar um final feliz para os quatro homens que fazem parte de um grupo de cerca de uma centena que, abnegadamente se entregam dia a dia, hora a hora, ao socorro da nossa população, sempre que é necessário. As notícias sobre esta tragédia e sobre o incêndio que lhe deu origem tiveram e continuam a ter o seu enquadramento específico, mas queremos deixar aqui o registo de que devemos manter-nos atentos e cooperantes com os nossos Bombeiros, que desempenham o seu trabalho aos mais variados níveis do socorro e apoio à população, com dedicação, formação constante, responsabilidade, sentido de cooperação e altruísmo.

Mais uma vez em Arouca, alguns núcleos populacionais do seu interior e os seus habitantes tiveram de enfrentar o risco e a eventualidade de serem atingidos. Tal não aconteceu graças ao trabalho dos Bombeiros e outras forças que vieram até nós para colaborarem no combate. Infelizmente integramos a lista das várias regiões do País sujeitas ao risco constante e, prova disso são os vários fogos que já aconteceram no nosso território esta época. Se na maioria foi possível colocar contenção à sua progressão, neste a que nos vimos referindo a área ardida ultrapassou os mil hectares. No grande incêndio do ano passado a área foi muito mais ampla, ao longo de dezenas de quilómetros, colocando em risco vários lugares. Início em Alvarenga, atravessou o rio Paiva, Canelas/Espiunca, Santa Eulália e Tropeço, onde terminou, no limite poente junto ao rio Arda

Celso Portugal

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