
Cada vez mais, na vida e no futebol, é necessário ter-se especial atenção às sensações, que nem sempre nos revelam, friamente e realisticamente, a verdade. Pegando nesta análise e aplicando-a ao FC Arouca, desde a última vez que vos escrevi neste espaço, senti melhorias na equipa e no jogar, mas que não se traduziram em avanços significativos.
Contra o Famalicão, o primeiro dos jogos desde a última crónica, os Lobos estiveram bem, globalmente, conseguindo lidar com o perigo adversário. Mas a expulsão de Fontán, imediatamente seguida do golo de livre do Famalicão, deu-nos apenas o empate. Na Taça, regresso aos triunfos, à boleia do bis de Puche, e a passagem numa prova onde se deseja sempre chegar o mais longe possível.
A ida à Luz para defrontar o Benfica terminou com um resultado enganador, mas que, ainda assim, se justifica e se explica pelo poderio adversário e pela forma como os golos aconteceram. Contudo, deu gosto ver que a equipa, enquanto teve força (especialmente anímica), procurou realmente jogar o jogo e não apostar na retranca. Por fim, no Arouca x Moreirense, o Arouca teve bola e aproximações, mas pouco dano criou. Insistiu-se em vários cruzamentos, mas Barbero foi um lobo solitário no meio da montanha defensiva adversária, que nunca quebrou.
Neste momento, e numa análise mais global, concluo esta crónica com três notas gerais sobre a equipa e o jogar:
1 – O FCA sofreu golos em todos os jogos e, nesta altura, sinto que a discussão não deve focar-se em quem joga nas posições defensivas (guarda-redes e defesas). Mesmo reconhecendo que se tem sofrido vários golos sem ser em jogo corrido (bolas paradas, especialmente penáltis) e alguns dos quais de rajada, sem dar tempo de se esboçar reação, penso que, dado o prolongar da situação, a discussão terá de ser sobre a abordagem tática no momento defensivo.
2 – O ataque tem sido menos eficaz do que se exige, tendo em conta as muitas ocasiões em que a equipa consegue ter posse de bola junto da área adversária. Parte do problema, a meu ver, tem que ver com o posicionamento do Trezza, que tem sido mais encostado à faixa, quando penso que teria maior rendimento se estiver um pouco mais dentro, explorando o espaço entre o lateral esquerdo e o central adversários.
3 – Sinto que falta no meio campo um jogador estilo Kouassi/Soro, ou seja, um médio muito capaz defensivamente, que eventualmente, nesse momento se juntasse aos dois centrais, e que, com bola, fosse suficientemente bom. Isto porque qualquer um dos médios habitualmente titulares não se destacam pelas suas capacidades defensivas, mas sim do passe. Um médio do género destes dois que referi, e que tivemos em épocas recentes, a meu ver, poderia ajudar na questão defensiva.
Crónica escrita a 4 de novembro, referindo-se aos jogos contra Famalicão (1-1), Portimonense (1-2, Taça), Benfica (5-0) e Moreirense (0-2)

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