Frente a Frente

A Nossa Agricultura

Nos últimos 5 anos, o Instituto Nacional de Estatística diz-nos que a componente de Atividade Económica que agrega Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca cresceu em volume de negócios cerca de 25% no nosso município.

Sob esta agregação, o volume de negócios das empresas em Arouca foi de 46,2 milhões de euros, sendo o 4º maior contribuidor para a economia local e representando 5,8% do volume de negócios total de Arouca. São mais 11 milhões do que em 2019.

Quando se desagrega este grupo, é na exploração florestal e silvicultura que está o grosso desse valor, cerca de 37,5 milhões de euros, sendo os restantes 8,7 da rubrica Agricultura, Produção Animal, Caça e Atividades dos serviços relacionados. Eram 5,7 milhões de euros em 2019. Um crescimento de 35%, o que demonstra dinamismo.

Arouca tem uma enorme predominância de pequena agricultura familiar, que funciona como um complemente de rendimento, mais do que como meio de subsistência. No entanto, existem já empresários agrícolas com negócios profissionalizados, alguns com veia exportadora, por exemplo, de mirtilos ou maracujás. Com uma enorme componente focada na agricultura biológica, há empresas a procurar inovar no processo produtivo.

E, claro, temos os produtores de carne de Denominação de Origem Protegida como o Arouquês e o Cabrito da Gralheira com um enorme valor acrescentado que juntam a isso o facto de serem um valor identitário da nossa paisagem natural.

O município de Arouca tem procurado levar a cabo iniciativas de incentivo e promoção da atividade agrícola através de várias dinâmicas.

Uma das principais é o Arouca Agrícola, um projeto estratégico de promoção de pequenos produtores que procura organizar a produção, apoiar na capacitação e formação, apoio na distribuição e comercialização e apoio na valorização, inovação e promoção de produtos agrícolas transformados. Convido todos a visitar a “Feirinha do Agricultor” que acontece quinzenalmente. Não só para verificar a qualidade do que se vende, mas também para perceber a criatividade e inovação colocados na criação de produtos.

O Município tem outros instrumentos de apoio à nossa agricultura. São eles o Regulamento de Apoio à Raça Arouquesa, que pretende apoiar os criadores desta raça. Um regulamento que existe desde 2008, e que foi alvo de várias atualizações durante os anos.

Tem um Regulamento Municipal de Apoio à Atividade de Pastorícia de Ovinos e Caprinos em Regime de Produção Extensiva, publicado em setembro do ano passado. E que surge procurando melhorar as condições de quem se dedica a esta atividade, ajudando a combater custos, promover a atividade com atenção à saúde publica e dos animais, fixar população e, acima de tudo, combater a imprevisibilidade financeira.

E tem Incentivos à Produção Agrícola nos Modos de Produção Integrada e Produção Biológica, aprovado em 2024, onde se oferece apoio técnico e financeiro para os agricultores que adotarem modos mais sustentáveis de produção.

Claro que não podemos esquecer do grande certame que é uma enorme montra do que de melhor produz a nossa agricultura, a Feira das Colheitas.

E será neste equilíbrio entre a agricultura tradicional, de complemento de rendimento, e o estímulo e apoio aos empresários agrícolas que olham, também, para além-fronteiras, que se fará o futuro da agricultura no nosso concelho. Sem esquecer tradições, procurar a inovação. Um equilíbrio que só se conseguirá, mantendo uma enorme proximidade com todos os intervenientes do setor.

Pedro Sousa

 

Uma Arouca sem visão para o setor primário é uma Arouca sem futuro…

A agricultura e a floresta são pilares estratégicos do desenvolvimento para Arouca, sobretudo pela forte componente rural do concelho e pela elevada percentagem de território florestal.  Sem uma visão estratégica para o setor que assente na valorização dos recursos naturais, na prevenção de riscos incêndios e na ligação entre sustentabilidade ambiental, economia local e fixação da população, Arouca e os Arouquenses estão a empobrecer.

No domínio da floresta, defendo uma abordagem centrada na prevenção dos incêndios e não apenas no combate. Considero essencial investir no ordenamento e gestão florestal, promovendo a limpeza regular de matos, a redução da carga combustível e a reflorestação em “mosaicos” com espécies autóctones (castanheiros, carvalhos, medronheiros…), mais resistentes aos fogos e adequadas ao território. A floresta não pode ser vista só como um espaço natural a proteger, mas também como um ativo económico e ambiental, ligado ao turismo de natureza, à silvicultura e aos produtos que resultam da floresta.

Por exemplo, Arouca já foi considerada a “terra da castanha”, uma riqueza que outros municípios sabem tão bem trabalhar e que nós circunscrevemos a pouco mais de um festival, cujo impacto direto na potenciação do produto é praticamente zero.

Algumas medidas importantes como a recuperação da figura dos guardas-florestais e guardas-rios, profissionais com conhecimento profundo do território, capazes de atuar na vigilância, prevenção, sensibilização das populações e deteção precoce de situações de risco incêndio, foram e serão importantes para o desenvolvimento do mundo rural, assim como potenciar um maior envolvimento das comunidades locais na proteção da floresta, reforçando a responsabilidade partilhada entre autarquia, Estado e população.

No que concerne à agricultura, a valorização do mundo rural e das atividades agrícolas tradicionais são fundamentais como fatores de identidade de Arouca e como fator de equilíbrio territorial. Defendi, em sede própria, medidas de apoio aos agricultores locais, e valorização e promoção da raça arouquesa, ovinos e caprinos. No entanto, as mesmas devem ser acompanhadas e monitorizadas continuamente para que o seu impacto possa ser avaliado.

A agricultura deve integrar uma estratégia mais ampla de desenvolvimento rural, articulada com turismo, gastronomia, ambiente e património natural. A aposta numa agricultura moderna, com recurso à tecnologia e a modelos inovadores, incluindo inteligência artificial – como o exemplo de um jovem engenheiro instalado em Mansores – pode contribuir para a fixação de população, sobretudo jovem, desde que acompanhada por melhores serviços, acessibilidades e apoio institucional.

Em conclusão, é necessário construir um modelo de desenvolvimento sustentável e sustentado, onde agricultura e floresta se complementem, promovendo a proteção ambiental, a prevenção de incêndios, a valorização económica dos recursos naturais e o reforço das comunidades rurais, tornando Arouca mais resiliente, equilibrada e atrativa.

Vítor Carvalho

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