
A capacidade de resposta para a reposição de novas plantações nas áreas ardidas no último verão é algo que deveria ser uma preocupação coletiva, começando pelas áreas governamentais do setor da floresta, do ambiente, da economia e das finanças. A resposta por parte dos proprietários do minifúndio e da média propriedade, prevalecente no norte e centro do País, é algo muito difícil, para não dizer impossível.
Os apoios governamentais para a reposição de infraestruturas e maquinaria das atividades rurais foram anunciados em cima da hora, com a perspetiva de serem remetidos aos interessados quase sem formalismos burocráticos e, embora na prática as coisas não funcionem com a prontidão anunciada, concluiu-se, mais uma vez, que os proprietários florestais ficaram de fora dos apoios e tratados como um setor marginal, obrigado a suportar os prejuízos.
A realidade agrava-se com os sucessivos incêndios que assolam as propriedades e as destroem, deixando os proprietários de mãos atadas para repor as plantações ou sementeiras das espécies mais necessárias para o suporte ambiental e completamente manietados para rentabilizar, por exemplo, o eucalipto queimado, que algumas celuloses decidiram não receber, como é o caso da fábrica de Cacia, a mais próxima do nosso concelho.
Com as notícias sobre a 30ª Conferência do Clima da ONU, que decorreu em Belém do Pará na Amazónia, Brasil, confirma-se o crescente agravamento ambiental que atinge todo o mundo e criará problemas graves às novas gerações. Mesmo sem a presença dos principais responsáveis pela calamidade ambiental, procurou-se sensibilizar os governos e instituições com capacidade de resposta à contenção da evolução negativa, para enfrentarem a situação e disponibilizarem meios financeiros e capacidade técnica para a contenção do flagelo. Os que negam que a situação não é um problema grave para o presente e muito grave para o futuro, não possuem vontade nem sensibilidade para encarar a situação e promover a recuperação possível, ou apenas a contenção. Poderosos e egoístas.
Arouca faz parte do lote dos territórios atingidos sistematicamente, sem que sejam implementadas medidas corretivas que possam atenuar o descalabro ambiental que se vai avolumando. Há quem diga que somos o pulmão da Área Metropolitana do Porto, mas, até hoje, não existe qualquer medida com impacto imediato a nível regional, que dê algum apoio para a elaboração de um plano a curto ou médio prazo, com base técnico e orçamental para que as nossas montanhas possam ser ressarcidas das perdas que vem sofrendo ao longo de várias décadas e a riqueza florestal do passado possa ser reconquistada.
Grande parte do solo do nosso território serrano, que alimentava animais domésticos e alguns selvagens, em parceria com as árvores que o aconchegavam, passou também a pasto das chamas, bem como as encostas viçosas que amamentavam as árvores que a ornamentavam. Contraste pleno entre as árvores de Natal desses tempos e os ornamentos atuais de grande porte, com elevados custos e consumo de energia, que nada têm a ver com o Natal do presépio, com a vaquinha e o burrinho a bafejar o menino para lhe dar conforto.
Sabemos que estas nossas palavras são levadas pelo vento, vento forte que ameaça, assusta e destrói, mas mesmo assim não podemos deixar de as usar para alertar as consciências que continuam a deitar mãos à obra e a remar contra a maré forte e negra. Plantando árvores que perdurem no tempo, deem sombra, proporcionem aconchego e ternura, exibam beleza e deem frutos. Não deixemos adormecer a vontade de recuperar a floresta e aguardar que as entidades correspondam com convicção a esta necessidade. 30.11.2025 – Celso Portugal.

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