Às voltas com as eleições: Um candidato por cada milhão de Portugueses

Já referimos, nesta temática, a importante preocupação sobre os números de abstenção das eleições em Portugal.

Ainda assim, se por um lado é passível apresentar uma queixa no que concerne à pretensão da metade dos portugueses em optarem por ficar em casa no dia da ida às urnas, por outro, não será, de todo, motivo de reclamação, a variedade de candidaturas apresentadas.

Nunca tal tinha acontecido em Portugal, a expressão “um candidato por cada milhão de habitantes” faz, agora, tanto sentido.

O boletim de voto apresentou rostos para todos os gostos. Quase que é possível afirmar que todos os segmentos da sociedade estavam ali retratados, da esquerda à direita, desde os conservadores aos liberais, dos socialistas aos mais radicais, e até, dos válidos aos inválidos. Sim, o boletim apresentou 14 nomes em que só 11 deles, efetivamente, apresentavam condições válidas para votação.

Por incrível que pareça, foi um tópico mediático mas de pouca admiração. Foi verdadeiramente digno de uma eleição de associação de estudantes. Mas, também, preocupações para quê? No final de contas estávamos apenas a decidir o maior cargo representativo da nação.

Mas bem, lapsos de gestão à parte. O boletim apresentou, decididamente, modernidade em todos os âmbitos e foi, consequentemente, pioneiro em várias matérias relacionadas com esse sector.

As escolhas mais à esquerda foram marcadas por avanços e recuos, as indecisões partiram designadamente de Catarina Martins e Jorge Pinto. Os candidatos, esperaram, ansiosamente, pelo bote salva-vidas do Partido Socialista, que não veio a acontecer. Os socialistas, mantiveram-se firmes na candidatura de António de José Seguro, que veio a vencer a primeira volta com grande destaque.

Do outro lado, a direita que se diga, desgovernada, media forças pela liderança. O PSD, apresentou, o que no meu entender foi o pior candidato social democrata, de sempre. As tentativas constantes de colar Marques Mendes a Marcelo Rebelo de Sousa, tanto no âmbito pessoal, como no âmbito político vieram a salientar a desconfiança da direita no candidato. Não estranhem, portanto, comentários a Marques Mendes, como o “Marcelo Rebelo de Sousa da WISH”.

Se os problemas já não seriam poucos, no expecto interno dos sociais democratas, ainda mais se afirmaram com o aparecimento de duas candidaturas fortes à direita, o liberal Cotrim de Figueiredo e o “mesmo de todas as eleições”, André Ventura.

No meio de tanta escolha, fechamos o tema ao abordar os dois candidatos autointitulados por “independentes e apartidários”, Henrique Gouveia e Melo e Manuel Vieira.

Henrique Gouveia e Melo, foi considerado, previamente, como o candidato ideal para a ocupação do cargo. Diante de todo o seu histórico profissional, o almirante foi considerado, por muitos, um herói na administração das vacinas do COVID-19. Contudo, foram vários os momentos que marcaram a campanha política do candidato, tornando-se “morno” em vários temas relevantes da sociedade.

Nesse sentido, não será, de todo, despropositado referir que as 20.000 horas vivenciadas pelo almirante dentro de submarinos portugueses, não impediram que o mesmo afundasse nestas votações.

Por último, o Manuel João Vieira. O candidato apresentou-se, humoristicamente, aos portugueses e para surpresa de muitos, conseguiu o número de assinaturas necessário para que a sua candidatura fosse válida, não será demais, relevar este feito (que o diga Joana Amaral Dias).

Muitas candidaturas e tão poucos votos… o retrato de um país que parece esquecer abril.

sobre o autor
Paulo Soares
Discurso Direto
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