Lamentar e Ajudar

Apesar de algumas tentativas, de dividir os Portugueses em fações extremas, para realçar naturais diferenças e se exclua a solidariedade comum, podemos concluir que somos um País pacífico e limitado poder económico que depende, generalizadamente, de apoio externo para a sua evolução. Na última semana de janeiro surgiram previsões meteorológicas de extrema gravidade que, na madrugada da quarta-feira, acabou por se concretizar acima de tudo que era expectável, com resultados de enorme gravidade no centro do País. Infelizmente, ficou comprovado que as decisões dos homens, por mais avançadas que sejam, de base real ou teórica, são desmembradas em um abrir e fechar de olhos, pelas forças da Natureza, cada vez mais intervenientes na vida dos povos. Contrariando o poder da classe dos lunáticos, espalhados pelo Mundo, que continuam a teimar que o seu poder pessoal e extremamente egoísta, não necessita, sequer, de ter em conta os abusos praticados contra o meio ambiente.

Durante um período significativo de tempo, que teve início com as previsões do início da semana que apontavam para algo muito trágico que iria chegar e avançar sobre o País, através da depressão “Kristin”, muitas pessoas acreditavam que as informações e alertas tinham como base principal condicionar os seus movimentos e não ultrapassaria um temporal que não provocaria males de maior. Infelizmente tudo se transformou numa onda de destruição sem paralelo nos últimos tempos. Foram-se mantendo dúvidas sobre as regiões que seriam afetadas, mas nas últimas horas o IPMA apontava já o centro do País como alvo da destruição que se veio a verificar. As consequências trágicas terão ultrapassado as próprias previsões, no terror vivido pelas populações e na destruição que o nascer do dia colocava à vista de todos. Talvez mesmo os mais credenciados e objetivos, não contariam com a realidade verificada, incluindo as entidades que assumem as responsabilidades de estarem preparadas para acorrer ao socorro em situações extremas e os próprios governantes, que demoraram a reagir e a acreditar que as consequências do anunciado se concretizaram tão catastróficas.

Os cenários divulgados pela comunicação social eram de tal gravidade que se chegou a antever que viriam de seguida informações de total desespero com um eventual número de mortos e feridos, que agravariam as preocupações da generalidade das pessoas e o terror junto dos mais sensíveis, incluindo os mais habituados às consequências trágicas dos incêndios florestais. A nós, Arouquenses, que fazemos parte deste setor, cabe-nos demonstrar a nossa total solidariedade para com as populações atingidas e concluir que, afinal, em relação aos fogos, possuímos algum poder para os contrariar, mas em relação à força do “Kristin” e poderes similares, resta-nos resguardar-nos e esperar pela retoma de alguma normalidade para sermos reativos. Passados estes dias e perante dados mais concretos sobre a destruição e os prejuízos daí decorrentes, ficaria bem a todos nós e às nossas autarquias, libertar uma verba, mesmo que simbólica, e endereçá-la a uma parcela da região atingida. Atitude solidária perante o sofrimento dos atingidos e alguma retribuição da nossa parte por não termos sido atingidos. Cenário que, durante um período difícil de várias horas, ficamos na expetativa que poderia acontecer.

O sofrimento, a dor e a morte, das imagens vindas de Gaza, Ucrânia e outras partes do mundo, ajudam-nos a perceber que não estamos livres de sermos atingidos pela destruição ordenada pela mão dos que se sentem “donos do Mundo”, mas também pelas forças da Natureza. Para as Famílias dos mortos, em resultado da catástrofe que atingiu o Centro do País, sentimos o dever e a obrigação de lamentar e endereçar a nossa solidariedade num Abraço Fraterno, através deste escrito.

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