
Foi com enorme surpresa que recebi a notícia de que Vasco Seabra e a sua equipa técnica iriam deixar o comando técnico do FC Arouca. Uma boa parte dos adeptos arouquenses já a superou, outra parte continua sem compreender o porquê. E, conforme tive oportunidade de apontar na rubrica «Jogo Directo» (que vos convido a assistir no site, canal de Youtube e Spotify do Discurso Directo), encontro-me “nos dois lados da barricada”, digamos assim, com muitas aspas.
Por um lado, compreendo que seja extremamente desafiante para um treinador abraçar um projeto de uma equipa que não só não está a conseguir pontuar como também não tem, consistentemente, um bom futebol. Por outro lado, não consigo compreender como é que se abandona um projeto como este do FC Arouca, que pode muito bem ser coroado com uma possível qualificação europeia no final da temporada.
O técnico teve certamente as suas razões e não me cabe a mim discuti-las. Mas, se por um lado ainda sinto alguma “revolta” pela sua saída, não podia deixar de lhe fazer aqui, neste meu espaço de opinião, um sincero agradecimento público.
Primeiramente, e olhando para o lado jornalístico, pude contactar várias vezes de perto com o técnico, em conferências de imprensa, onde falamos constantemente do jogo, discutindo positivamente aspetos sobre a ideia de jogo do FC Arouca. Depois, o técnico também me concedeu uma entrevista, onde falamos longamente sobre o jogo e o clube, tendo sido a sua primeira e única entrevista aos meios de comunicação locais na sua passagem por Terras de Santa Mafalda.
Nessa entrevista e em interações anteriores, há um pormenor que sempre me saltou à vista nas frases do treinador. Foi dos primeiros, nos últimos anos, a falar abertamente do desejo de fazer crescer o clube, estar ligado a isso e estimular o crescimento das camadas jovens dos arouquenses, um tema que é bastante caro à massa adepta arouquense. Para além disto, deixou várias mensagens nas conferências dirigidas aos adeptos e, nos jogos, registou momentos queridos de interação com os mesmos.
Aqui fica o meu agradecimento a Vasco Seabra e à sua equipa técnica pelo trabalho desenvolvido, que começou com alguma intermitência e estava agora a viver o seu expoente.
E, por fim, quero também desejar um bom trabalho à nova equipa técnica, liderada por Vítor Severino, que conta com um plantel em ponto de rebuçado. Muito do que foi feito até agora era positivo e deve manter-se, mas, claro está, caberá à nova equipa técnica implementar as suas nuances e correções de defeitos que vigorassem.

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