
Julgo já ter confessado neste espaço de opinião que tenho um enorme apreço por todos os arouquenses que, antigamente, numa altura em que aceder e conservar as informações não era tão fácil quanto hoje, levavam a cabo a nobre missão de informar o povo. E, na matéria que me é mais cara, era extremamente exigente, no passado, difundir os acontecimentos dos jogos do nosso FC Arouca.
Infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer e privar com o saudoso sr. Adílio Ferreira da Silva, nem com Arlindo Matos, mas desde o arranque das minhas presenças a título jornalístico no Estádio Municipal de Arouca, não deixei “escapar” o sr. Manuel Matos Sousa, para mim, o digno sucessor dos cronistas que anteriormente referi.
Ao longo dos meus 22 anos de idade, já escrevi centenas (para não dizer milhares) de textos, quer nos meus dois livros humorísticos, quer na vida jornalística e de um modo geral. E, ainda que aprecie cada um deles, o meu favorito foi o que integrou a edição 11 da Revista Lobos, do nosso FCA.
Recordo esse texto dado que relatei a importância e o apreço que Manuel Matos Sousa teve para o meu enorme apreço pela comunicação social local e pelo FCA. Há 12 anos atrás, ainda que possa parecer pouco tempo, eram raros os jogos da Segunda Liga que davam na televisão e, não me sendo possível ir regularmente ao estádio por ainda ser menor de idade e com tudo o que isso implicava, acompanhei todos os jogos pela Rádio Regional de Arouca, sendo que, até aos dias de hoje, tenho na memória as vozes de João Almeida e Manuel Matos Sousa. Aos fins de semana, uma das minhas atividades obrigatórias era ligar um rádio a pilhas da Thomson (que tenho até aos dias de hoje e a funcionar!) e coloca-lo, em alto e bom som, a transmitir os relatos dos jogos.
São essas memórias que me passam pela mente e pelo coração neste arranque de época, que tive o enorme gosto de lançar precisamente com Manuel Matos Sousa, o resultado de quase 2 horas de conversa, cheias de espírito arouquense e de paixão pelo futebol. E numa altura em que o futebol, de um modo geral, se distancia cada vez mais dos adeptos, especialmente pelos preços pouco convidativos dos bilhetes e das camisolas oficiais dos clubes e ainda os horários dos jogos, são paixões como estas que mantém vivo o fogo ardente do amor que eu e todos nós temos pelo FC Arouca.
A época está ao virar da esquina e os desafios são cada vez maiores, dado que o FC Arouca não tem que lutar apenas para se superar a si mesmo, ano após ano, como tem que o fazer digladiando-se, a cada jornada, com equipas cada vez maiores e melhores, em todos os aspetos e mais alguns. Estou em crer que os arouquenses têm a capacidade necessária para fazer igual ou melhor que o 8º lugar da época passada e, depois, logo se vê!

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