Acelerar “por Amor” pode matar

Sabem quem são os “Screen princes”?

São os jovens que vivem agarrados ao ecrã, alheios ao mundo à sua volta. Na semana passada, percorri as estradas de Arouca durante dois dias e vi, mais do que uma vez, jovens ao volante e a usar o telefone, faziam as curvas fora da faixa de rodagem e circulavam em excesso de velocidade.

É possível que corressem por amor, só que é um amor criminoso, a loucura de querer ser mais rápido pode matar; os próprios e os outros que nada têm a ver com isso, ou seja os inocentes.

Escrevo isto com o nó na garganta de quem já viu demasiadas cruzes floridas nas bermas das nossas estradas. De quem já chorou jovens que morreram cedo demais. Olho para os relatórios de sinistralidade (cerca de 70 jovens por ano) e não consigo ver apenas números, vejo rostos, vejo os rapazes e raparigas que cruzam as nossas vidas todos os dias, cheios de planos, de gargalhadas e de um futuro inteiro pela frente, mas cujas vidas terminam abruptamente no ferro retorcido de um carro qualquer. Mortes que poderiam ter sido evitadas.

Andamos todos com demasiada pressa, uma pressa cega que nos anestesia o bom senso. Quantas vezes não justificamos o pé pesado no acelerador com a urgência de abraçar quem nos espera? Mas a verdade cruel é que acelerar por amor pode matar. 

A essa velocidade louca, juntamos agora o vício  do ecrã. Custa-me admitir o egoísmo dos nossos dias: o uso do telemóvel durante a condução virou uma epidemia. Arriscamos a vida e a dos outros, por uma notificação, por um olhar de dois segundos para o ecrã, por uma mensagem a dizer “estou a chegar”. O preço desse segundo de distracção pode ser o silêncio eterno e famílias e amigos  condenadas a chorar os seus filhos antes do tempo.

Esta futilidade ao volante torna-se ainda mais insuportável quando recordo o horror do passado mês de agosto. Enquanto uns perdem a vida no asfalto por capricho, outros dão o corpo ao manifesto por pura generosidade. 

Sinto uma profunda tristeza quando penso em Arouca e nos nossos bombeiros gravemente feridos naquele incêndio devastador. Saber que há homens e mulheres, marcados pelo fogo que tentaram domar, a lutar pela própria vida numa cama de hospital desfaz-me por dentro. Eles arriscam tudo por nós, sem pedir nada em troca, vestindo a farda do altruísmo puro. A dor deles é uma ferida aberta na alma do país.

Vejo este contraste e sinto uma revolta profunda. Como podemos ser tão negligentes com a vida na estrada, quando há heróis a sacrificar a sua pele por nós e pelas  nossas florestas, para nos proteger? Portugal precisa de acordar, e eu preciso apelar ao vosso coração. Larguemos os telemóveis. Levantemos o pé do acelerador. Se amamos verdadeiramente quem nos espera em casa, a maior e mais bonita prova de amor que podemos dar é, simplesmente, chegar vivos.

Não posso terminar sem dizer  “Pedro Bastos esperamos por ti, Arouca precisa de ti e eu sei que vais usar a mesma força que tens para defender a tua terra e o bem comum, para sobreviver e recuperar”.

Errata: No Jornal do mês de Agosto, publicámos por lapso o programa errado, Festival de Folclore de Arouca 2026, aqui fica a correcção e as nossas desculpas pelo engano.

-Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, Arouca

-Rancho Folclórico de Mundão, Viseu-Beira Alta

-Grupo Folclórico da Casa Do Povo de Sta. Cruz do Bispo, Matosinhos

-Rancho Folclórico de Zebreiros, Gondomar

-Grupo Etnográfico de Castelo do Neiva, Viana do castelo

sobre o autor
Margarida Ferreirinha Loureiro
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Comentários
Relacionados
Newsletter

Fique Sempre Informado!

Subscreva a nossa newsletter e receba notificações de novas publicações.

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.

Veja também