Resistir e Sobreviver

É verdade, quantas vezes não é necessário resistir para sobreviver! A nível pessoal, profissional, social e cada vez mais, a nível mundial…

Vivemos tempos difíceis, sobre isso que ninguém tenha dúvidas, mesmo quando tudo parece bem, a natureza mostra o seu poder e de um momento para o outro “vai tudo pelos ares”.

Não quero ser negativa ou falar do lado negro da vida, antes pelo contrário, nesta edição falamos de vários casos de resistência, o mundo está repleto de exemplos de reconstrução, e adaptação, uma capacidade fantástica dos seres vivos. 

Este mês iniciamos uma nova rúbrica “casos de vida”, se conhece alguém cuja história poderia ser partilhada, entre em contacto connosco. O jornal também é feito de pessoas que não vivem nas “luzes da ribalta” e nós queremos que elas também sejam notícia. Ao fim ao cabo, de uma maneira ou de outra, acabamos por ser um exemplo uns para os outros. Seja pela negativa ou pela positiva, é nos outros que nos revemos.

O tema central deste mês é o centésimo aniversário da ”Defesa de Arouca”,   visitamos as instalações que seriam um excelente museu da imprensa local , mas estão ao abandono, falámos  também com os protagonistas daquele que foi o jornal mais importante e mais marcante  do Concelho  . A Defesa  atravessou os tempos e  é um caso de resistência, nasceu em dias muito conturbados e de grande instabilidade, no fim da primeira  República em 1926 no mesmo ano em que um golpe militar a derrubou e pôs fim ao regime parlamentar, dando início a um regime autoritário que abriu caminho para o Estado Novo de Salazar. A defesa de Arouca viveu com a Ditadura, chegou à Democracia após o 25 de Abril mas não conseguiu manter-se, a sociedade que a detinha desfez-se. Ficaram os arquivos e com eles grande parte  da história de Arouca .

A imprensa em geral  já não é o que era, já não tem o poder que tinha porque deixou de ser rentável economicamente e sem independência financeira torna-se mais débil e mais ondulante. A nível local é ainda pior, tudo indica que os jornais locais estão condenados no papel e até mesmo no digital,  mas há quem resista por este país fora, nós o Discurso Directo somos  um deles, mas só continuamos graças ao esforço pessoal e financeiro do proprietário. Sem isso, há muito que o jornal estaria fechado. Já não há publicidade que sustente os jornais locais, já não há leitores que os comprem nas bancas e até as castanhas já são vendidas em sacos de papel (ainda me lembro dos cartuxos de jornal, combinação deliciosa, castanhas assadas e folhas de jornais que foram proibidas como papel de embrulho por fazerem mal à saúde). 

Não, os jornais não fazem mal a ninguém, os jornais, a imprensa são o quarto poder porque têm a nobre função de escrutinar o que se passa nos outros 3 poderes (legislativo, executivo e judicial). Recomendo a leitura do artigo da Associação da imprensa dos Media digitais “Concorrência desleal à imprensa regional por parte das autarquias locais”.

Da minha parte quero deixar o meu agradecimento público a todos os nossos colaboradores que mês a mês, ano a ano preenchem as nossas páginas com conteúdos diversificados e  de qualidade. O meu agradecimento especial também aos nossos assinantes .

Sabem que mais… não desista, resista e seja solidário. Juntos são mais fortes.

sobre o autor
Margarida Ferreirinha Loureiro
Discurso Direto
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