
A ida do senhor Presidente da República a Mourísia, concelho de Arganil, distrito de Coimbra, no seu primeiro dia após assumir o mais alto cargo da Nação, pode e deve ser visto como um passo importante no que respeita à chamada de atenção para o poder político, centrado na capital do País, não esquecer que as terras de Portugal, que se encontram a caminho do abandono, merecem alguma atenção, para que se possa reverter a realidade negativa que avança em alta velocidade.
A propósito de alta velocidade, acreditamos que não tenha sido propositado o conjunto de notícias, opiniões e comentários que surgiram a propósito de um despacho do senhor Secretário de Estado das Infraestruturas, publicado em Diário da República, que levaram as pessoas a acreditar que teríamos em breve o arranque da obra da terceira fase da via estruturante, de ligação Arouca/A32, entre o lugar da Cela em Tropeço e da Abelheira em Escariz.
Em primeiro lugar acreditamos que os responsáveis locais, do atual Partido do Governo, avançaram com os seus comentários de boa-fé uma vez que, também eles, como a população em geral, anseiam pela construção dessa fatia da via que nos é prometida há décadas. Mais do que os Arouquenses em geral, talvez eles tenham acreditado que após tantas promessas na sua presença, durante os períodos das campanhas eleitorais para as Autarquias Locais e Assembleia da República, por parte dos atuais responsáveis governamentais, tudo se iria processar sem rodeios e sem demoras. Infelizmente, as promessas eleitorais estão, uma vez mais, no mesmo caminho e a população de Arouca tem agora a garantia de que a construção não avançará durante a atual legislatura. Tem valores residuais para 2026, 2027 e 2028, ficando a zero posteriormente. As expropriações elencadas são apenas em território de Santa Maria da Feira e cumprirão, talvez, algo residual que ficou por formalizar em resultado da construção da 2ª. Fase.
Se for cumprida a vontade do senhor Presidente da República na colaboração com o atual poder minoritário dos partidos do governo, para que a atual Legislatura cumpra o seu mandato integralmente, temos de aguardar novo governo, como aconteceu ao longo das décadas, para que exista uma luz de esperança concreta e Arouca receba o que merece, colocando termo à força da paciência acumulada. Foram governos de outra cor política que “deram à luz” a construção das duas fases anteriores. A primeira fase, no início do século, entre a Vila e a Cela em Tropeço, e a segunda fase entre a Abelheira em Escariz e a A32. Neste caso, acreditamos, com empenho direto do Ministro das Infraestruturas, Dr. Pedro Nuno Santos.
Enquanto os mais velhos, que muito lutaram e se empenharam na concretização da via, sentem o tempo a passar sem que a mesma se conclua, desejam que as novas gerações de políticos e população em geral não abandonem o combate pela construção da obra que é essencial para a continuidade do desenvolvimento do concelho. São situações desta envergadura que devem unir sempre os Arouquenses. Os representantes das várias cores partidárias e das forças representativas dos setor empresarial e social, não podem deixar os seus créditos por mãos alheias e cumprir o dever coletivo de lutar por uma terra que é a nossa e pela qual somos capazes de nos empenhar para que não fique para trás. Nesse sentido, deixamos a sugestão para a oportunidade de lerem o escrito recente do anterior Presidente da Câmara, Engo. Artur Neves.
O sentido das palavras do senhor Presidente da República deve ser tido em conta no que respeita ao interior e ao seu abandono. Não somos interior profundo, mas somos carentes em várias infraestruturas, também no nosso próprio interior. Ao mesmo tempo que se verificam algumas medidas supérfluas muito centralizadas, outras partes do nosso território não têm direito ao essencial.

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