Frente a Frente

Estradas que nos ligam

Arouca é um dos municípios de maior extensão territorial de Portugal. E isso torna-o um desafio em termos de cobertura de estradas municipais e da sua respetiva manutenção. O facto de termos uma orografia acidentada, torna o desafio ainda maior. São 327 kms2 a necessitar de ligações.

A mobilidade interna, entre lugares e freguesias, e as garantias de segurança à população tem merecido toda a atenção possível da equipa de gestão do município.

O desafio de manter e repavimentar os mais de 800 kms de estradas municipais, consome anualmente mais de 1 milhão de euros do orçamento municipal, contando este com uma equipa de pavimentação e conservação do tapete das nossas estradas municipais, que são aquelas em que o município pode intervir.

A esta equipa, somam-se 5 equipas de limpeza e conservação que estão, maioritariamente ao “serviço2 das Juntas de Freguesia, dando seguimento ao que estas identificam como prioritário

O último inverno foi “carrasco” de várias ligações em todo o país – obviamente concentrado na zona centro, como todos sabemos – mas nenhum município ficou de fora. Parece quase que não existiu nenhuma faixa que escapasse a danos. Já todos nos habituamos, por todo o país, a fazer verdadeiros slaloms (tal como os esquiadores) a tentar poupar pneus e jantes. Como reforçava o edil da Maia, em recente reportagem do JN, “as cinco tempestades aceleraram, de forma significativa e imprevisível, o processo de desgaste destas vias e infraestruturas existente no subsolo”, contribuindo para os danos verificados.

De acordo com as últimas informações, Arouca tem ainda duas estradas/troços cortados devido aos estragos do mau tempo: a estrada que liga a Espiunca a Sarabigões e uma estrada em Cabreiros cortada devido ao abatimento de uma passagem hidráulica. Ambos os troços já em empreitada.

É natural que muitos arouquenses, mesmo percebendo que este foi um ano exigente em termos meteorológicos, demonstrem insatisfação com a demora na resolução de alguns casos. Faz parte da exigência dos cidadãos. Mas, na realidade, nem em termos de tempo ou em termos de financiamento, se pode estar em todo o lado todo o tempo.

Além disso, a resolução de vários desses problemas deve-se fazer com a colaboração de vários municípios, nomeadamente da Área Metropolitana do Porto. Aliás, na primeira reunião descentralizada dessa entidade, que se realizou precisamente em Arouca, o seu Presidente referiu que tem como objetivo criar uma carteira de projetos de mobilização rápida para o PTRR – Programa Territorial de Resiliência e Recuperação.

Esperemos que todo esse conjunto de ações permita manter as estradas municipais com a disponibilidade que nos temos habituado.

Pedro Sousa

 

Estradas sem rumo…

O estado das estradas no concelho de Arouca constitui um problema estrutural que se arrasta há anos, refletindo não apenas fragilidades técnicas, mas também falhas persistentes de planeamento e investimento público. Longe de ser um fenómeno pontual, a degradação da rede viária tornou-se parte do quotidiano dos arouquenses, afetando a segurança, a mobilidade e o desenvolvimento económico da região.

Um dos aspetos mais críticos é a má qualidade do piso em várias vias estruturantes. Estradas que deveriam garantir ligações seguras apresentam buracos, abatimentos e deslizamentos frequentes, criando um cenário de risco constante. Esta realidade não só dificulta a circulação diária como contribui para o isolamento de algumas freguesias, agravando desigualdades e fragilizando a coesão territorial.

Outro problema evidente é a manutenção deficiente. Em vez de intervenções estruturais, opta-se frequentemente por soluções temporárias que apenas mascaram o problema. Este ciclo de “remendos” sucessivos acelera a degradação das vias e aumenta os custos a longo prazo, revelando uma gestão pouco eficiente dos recursos públicos.

A este cenário junta-se uma preocupante inércia por parte do executivo municipal. É angustiante ver os anos passarem sem respostas concretas para problemas do primeiro patamar de desenvolvimento. A gestão revela-se reativa (redes sociais), muitas vezes condicionada por ciclos eleitorais, com intervenções iniciadas, mas não concluídas, ou realizadas de forma pontual, sem uma estratégia integrada.

Os exemplos são inúmeros e impactam diretamente a vida dos Arouquenses: a estrada que liga a São Pedro do Sul (Cabreiros), atualmente cortada, já ameaçava ruir há mais de meio ano; a ligação entre Vila Cova, Santo Adrião e Castelo de Paiva, durante anos em estado deplorável, obriga a circular a velocidades perto dos 0 km/h; a estrada entre Chão-de-Ave e Rossio, onde já ocorreram várias mortes, continua a exigir uma intervenção urgente. Para os arouquenses, pouco importa se se trata de estradas nacionais ou municipais – o que importa é a sua resolução.

Outras situações críticas incluem as ligações Nogueiró–Lourosa de Matos, Portelada–Souto Redondo, a zona da Parameira, em Fermedo, onde os danos nos veículos são frequentes, e ainda o troço entre São João Tropeço e a Ponte de Cela, cuja melhoria representaria um ganho significativo de acessibilidade.

Este cenário demonstra um modelo de atuação ultrapassado, marcado por ruturas, buracos e soluções avulsas (voltamos ao tempo dos paralelos). Ruturas e mais ruturas, buracos e mais buracos por todo o município; era um bom exercício matemático para os jovens Arouquenses aprenderem a contar e somar (é sempre mais um até quase ao infinito). Mais do que remediar, é urgente planear. O concelho precisa de um plano estruturado de intervenções, com calendarização clara e comunicação transparente aos cidadãos. As obras devem incluir alargamentos, drenagem adequada, valetas e, sempre que possível, a eliminação de curvas perigosas, acompanhadas por um plano consistente de manutenção (onde estão os cantoneiros?).

Importa ainda reforçar os meios no terreno e valorizar a proximidade. A delegação efetiva de competências nas juntas de freguesia, dotadas de recursos técnicos e financeiros, permitiria respostas mais rápidas e ajustadas às necessidades reais. Trata-se, acima de tudo, de garantir respeito, segurança e qualidade de vida às populações, não apenas em períodos eleitorais, mas no dia a dia.

Vitor Carvalho

sobre o autor
Discurso Directo
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Comentários
Relacionados
Newsletter

Fique Sempre Informado!

Subscreva a nossa newsletter e receba notificações de novas publicações.

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.

Veja também