Abril Outra Vez, as Estradas Também…

As estradas, por cá, insistem em aparecer sempre no mesmo capítulo: mudam-se os meses, mudam-se as manchetes, mas elas continuam iguais, a pedir atenção. Ainda assim, desta vez há sinais positivos que merecem registo.

Em Cinfães, Carlos Cardoso foi a Lisboa reunir com o ministro Miguel Pinto Luz e levou um relatório técnico e prioridades concretas: um gesto raro de pragmatismo, ainda por cima com cores partidárias diferentes.

E entre Castelo de Paiva e Arouca, as duas câmaras sentaram-se e foram ao terreno para atacar um problema com décadas numa ligação que toda a gente conhece e que tem passado demasiado tempo à espera de dono. Pode parecer pouco. Mas quando o habitual é empurrar com a barriga, um passo no sentido certo já é notícia.

Mas Abril é mês de revolução e, por arrasto, mês de liberdade. E como, finalmente, o tempo decidiu dar-nos tréguas, talvez hoje não valha a pena fazer grandes revoluções: vale a pena, isso sim, falar de liberdade.

A propósito, ouvi recentemente Marina Granja, do alto dos seus 90 (quase 91) anos, a lembrar que o 25 de Abril nos deu a liberdade. E deixou um aviso que devia ser óbvio, mas nunca é: não confundir liberdade com libertinagem. Na entrevista, reforça ainda que há quem continue a tentar “calar a voz das pessoas”.

E, na verdade, basta olhar para as redes sociais para o constatar. Há quem apareça só para condicionar o outro, não para discutir: atira uma frase, insinua e, quando é confrontado com argumentos, desaparece. E ainda bem que, pelo menos na teoria, todos podemos comentar. O problema começa quando temos liberdade para falar, mas não temos liberdade na cabeça para ouvir o contraditório e ficar para o debate.

A liberdade serve para podermos discordar, discutir, votar e continuar a viver na mesma terra sem transformar opiniões diferentes em inimigos.

Talvez seja este o teste mais difícil. Não é só ter liberdade. É saber usá-la. É perceber que a voz do outro não é uma ameaça. E que, numa democracia local como a nossa, pequena, próxima, onde toda a gente se conhece, condicionar opiniões e tentar controlar quem fala roça a censura. Roça o autoritarismo. E é um caminho rápido para ficarmos todos mais pobres!

Mesmo quando achamos que estamos a “ganhar”.

sobre o autor
Pedro Gonçalves
Discurso Direto
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