
A noite de 18 de janeiro de 2026, veio oficializar o que já se previa, a necessidade de uma segunda volta nas eleições presidenciais.
Mediante os resultados apresentados, parece que não existiram quaisquer dúvidas no voto útil à esquerda, pelo que as verdadeiras surpresas da noite aconteceram à direita. Os péssimos resultados de Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo vieram relembrar o povo que do mediatismo não nascem vencedores.
Contrariamente ao que nos vinha a ser impingido pela comunicação social, através de sondagens dispares, análises e opiniões abundantes e, diga-se, bastante parciais nesta matéria. A verdade é que, com uma reflexão cuidada e sincera não seria, vamos ser claros, difícil de chegar a uma conclusão em que se colocasse o candidato socialista na segunda volta.
As grandes dúvidas, deveriam dizer respeito aos candidatos André Ventura e Cotrim Figueiredo.
Numa análise corriqueira, seria também, previsível que o líder do Chega conseguisse um lugar na segunda volta. O ponto fulcral nesta matéria, seria a previsão dessa possibilidade conjugada com uma eventual vitória na segunda volta, que parece ter findado no dia 18 de janeiro.
É, exatamente, nesta análise que se considera que a direita perde as eleições. Não as perde no cômputo geral, mas sim na péssima decisão do candidato que chegaria à segunda volta, que eventualmente, poderia colher votos de conservadores.
Hoje, após os resultados apresentados, não existem dúvidas que João Cotrim Figueiredo facultaria uma maior esperança à direita do que André Ventura. Uma batalha que seria travada entre esquerda vs direita, tornou-se num medir de forças entre democracia vs fascismo.
De um lado, António José Seguro, um candidato razoável, de ideias claras e democráticas, com pleno conhecimento e posição institucional, dotado com o verdadeiro perfil de um presidente da república íntegro, capaz e “seguro”.
Do outro lado, André Ventura, um candidato populista, antissistema, que promete uma revisão constitucional à direita, tendo em vista “afinar” as
arestas da nossa democracia.
Parece poético, abordamos a democracia como uma liberdade plena do povo, que se traduz no voto verdadeiramente livre dos cidadãos. No entanto, as ditaduras, muitas vezes, nascem dessa liberdade total, a democracia escolhe-as.
Não podemos (pelo menos não deveríamos), duvidar em nenhum instante dos valores consagrados na nossa constituição. Existem direitos, liberdades e garantias inegociáveis. Nunca será razoável, em pleno ano de 2026, existirem dúvidas entre democracia ou fascismo.
A democracia é uma realidade que não devia ser negociada ou confrontada com qualquer outra alternativa que não padeça dos mesmos valores.
Independentemente de comentários, opiniões, revisões, observações e fóruns realizados, a democracia é mesmo isto, respeitar quem está no boletim e os votos que lhes são concedidos. Nessa mesma matéria, votemos em consciência no dia 8 de fevereiro, e quanto a isso não tenho dúvidas na minha escolha, o meu voto esteve seguro.
A democracia é obra do povo. E se, negligentemente, nos despertarmos um dia sob a censura de vozes ditatoriais, que nos recordemos: fomos nós que, em silêncio, as elegemos.

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