
Os últimos tempos em Portugal tem-se demonstrado um “loop” constante, retratam a chaga das eleições (sejam elas quais forem), que parecem não ter fim. Se dúvidas existissem (que certamente não existiriam, pelo menos para alguns) de que o nosso país é, definitivamente, um poço de democracia os últimos tempos vieram salientar, ainda mais, essa ideia.
Se por um lado, cada vez mais nos afastamos de países como a Suíça, onde os referendos são o ex-libris da voz do povo nas matérias mais controversas da sociedade, por outro, mais se sente a necessidade de afirmar a legitimidade, através das mãos do povo, de quem nos governa.
É, nesse pressuposto, que segue o nosso país. De campanha eleitoral em campanha eleitoral até à chegada do dia de votação nas urnas.
Vamos então a factos concretos: a verdade é que estas últimas eleições marcam, de facto, posições históricas significativas.
A primeira grande diferença que aqui pretendo salientar cinge-se à expressão da abstenção. E quanto a isto, por muito que nos queiram fazer acreditar no contrário, os números ainda preocupam.
Não se percebe que num país que tanto batalhou pela democracia, com todo o passado histórico ditatorial, apresente números de abstencionismo a rondar os 50% em pleno Séc. XXI. Estes números não só refletem o desacreditar na política em Portugal, como também espelham o pouco entusiasmo português quando somos chamados a decidir o que queremos fazer com o nosso território.
De uma forma simples e brejeira, afirmamos perante o mundo que meia democracia é capaz de chegar, uma vez que metade dos votantes não tem (ou não quer ter) qualquer influência na tomada de decisões.
Há, no entanto, quem desvalorize tais percentagens. Mas será que sempre foi assim? Bem, olhemos para o passado: Em 1976 a abstenção cifrava-se em 24,6%. Ainda assim, existirá sempre que não considere esse número, argumentando validamente a corrida às urnas após espaço temporal ditatorial.
Recuemos, então, a 1980 (15,8%) ou 1986 (21,8%). Comparativamente, em 2011 (53,5%), 2016 (49,9%) e 2021 (54,6%).
Todavia, os factos relacionados com o aumento populacional e consequente aumento do número de votantes parecem servir de argumento justificável para o escalar do abstencionismo. No entanto, tal argumento é facilmente desmontado se olharmos para os nossos vizinhos. Repare-se, em Espanha, os números rondam em volta dos 30%, evidencias que tem vindo a ser salientadas ao longo dos anos.
Os números, merecem definitivamente, uma reflexão profunda. Seremos, atualmente, menos democratas ou apenas desleixados com o futuro do nosso país?

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