Das Palavras Aos Atos

Vivemos atualmente em um mundo de comunicação instantânea, que nos permite obter dados importantes e uma enorme fonte de informação, nem sempre fiável! É importante que não abdiquemos da nossa capacidade de seleção, para evitar a entrada em espaços de palavras atraentes que conduzem a sementeiras de ilusão!

A sementeira que julgamos importante, e ainda prevalece no nosso território municipal, provém da força de vontade de “homens e mulheres da terra” que mantêm vivo um espírito de luta constante, capaz de ultrapassar os obstáculos com que deparam, para manterem a produção agrícola como o seu objetivo de vida. A todos desejamos que usem essa força e vontade inquebrantáveis para que Arouca continue a ter campos verdes, animais de bom porte e qualidade difícil de ultrapassar, bem como um propósito humano e constante, de não baixar os braços perante a vontade de adiar, o mais possível, que este território se transforme em algo que faça esquecer as suas raízes.

Arouca foi assumindo nas últimas décadas uma capacidade de captação de visitantes fora do comum e esse facto é de louvar, pois constitui motivo de orgulho para os Arouquenses. No entanto, não podemos, nem devemos, deixar que se apaguem um conjunto de características que fazem a diferença e um contraste significativo com outras paragens. É fundamental que os responsáveis encarem esta realidade e acreditem, que a repetição de prémios internacionais que distinguem muito do artificial que possuímos, merecem equilíbrio no prato da balança pelo constituído pela Natureza, cujas capacidades deixaram de ser prioridade numa terra que não pode abdicar de ser um recanto de carinho e enlevo, prioritário para os Arouquenses e para os que nos visitam, em parceria com outros seres vivos que a povoam.

As montanhas continuam a ser um cenário de valor incalculável para Arouca e merecem recuperar o que perderam, nomeadamente a sua componente arbórea, que merece ser recuperada. É verdade que tudo que o fogo destrói em um ou dois dias é impossível recuperar nos 365 dias do ano, mas também é verdade que estaremos muito aquém do que deveria ser feito. Quanto à área florestal, a situação será ainda mais grave e, por isso mesmo, existe a necessidade de um conjunto de objetivos que possam ser implementados racionalmente. Não apenas em estudos e palavras, mas com realismo e convicção, envolvendo decisores e proprietários. São fator importante, se confluírem para algo que possa resultar num futuro mais credível. Somos um País pobre, que não pode abdicar do que ainda possui ligado à terra que, se bem aproveitado, dele pode ser retirado valor comercial. Ao falar de serras e florestas, é justo não esquecer os espaços ambientais que ainda possuímos e os que é possível recuperar. É algo em que as Juntas de Freguesia poderão ter um papel importante na sua inventariação.

Para não terminar apenas com palavras e concretizar um ato, neste número do Discurso Direto que trata realidades fundamentais e por vezes esquecidas, é bom dar a conhecer um espaço onde se sente a Natureza no essencial. O rio Arda é a sua “trave mestra” e, agregando-o às suas margens, conjuga-se um certo enlevo onde habitam árvores centenárias, em parceria com outras mais novas, que vão garantindo a sobrevivência do espaço e a sua preservação. Ainda os seus açudes, o que resta de um “lagar de azeite” do século XVIII movido a água, e as aves e animais selvagens que o utilizam livremente para distração, reprodução e recolha de alimento.

Possui caminhos e carreiros humanamente utilizáveis, e a única restrição é que não prejudiquem a Natureza, que não gosta de lixo nem que a atropelem. Tem Inicio junto à Ponte do Carvalhal em Tropeço e integra, logo ali, o Baloiço do Rio Arda. A sugestão que deixamos é: Ver para crer! 20.12.2025 – Celso Portugal.

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