“É agora”: Viva Cinfães apresenta listas e pede mudança

A coligação Viva Cinfães – PSD/CDS apresentou no sábado, 13 de setembro, na Escola Secundária de Cinfães, as listas à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia. Perante uma plateia numerosa, a sessão ficou marcada por críticas à governação socialista e pela apresentação de um conjunto alargado de propostas para o próximo mandato.

O mandatário Hélder Castela abriu a noite defendendo “um debate de ideias e não de pessoas” – “pessoas com mentalidade fraca preferem discutir pessoas”, atirou – e apresentou Bruno Rocha como “um Homem”. Seguiu-se Ana Leitão, diretora de campanha, que sublinhou a perda demográfica do concelho: “Cinfães perdeu 4.694 habitantes nos últimos 10 anos.” Também João Barbosa, mandatário da juventude, destacou medidas para habitação, cultura, desporto e acessibilidades, anunciou a defesa de IMI a 0% para jovens e “apoios efetivos aos jovens”, criticando os “zero apoios” nas áreas da cultura e do desporto. Isabel Casarões, candidata à Junta de Cinfães e porta-voz das listas às freguesias, pediu o fim do “monopólio em que tudo é direcionado para os mesmos”.

Na vertente institucional, João Cardoso, cabeça-de-lista à Assembleia Municipal, lembrou que o PS lidera o município há 28 anos, “23 deles com o PS também no Governo”, e acusou falta de aproveitamento dessa proximidade. Anunciou a intenção de transmitir as sessões da Assembleia em formato digital e de as descentralizar pelas freguesias. Recordou ainda que a coligação apresentou 29 propostas no último mandato – “19 aprovadas” – mas “nenhuma executada”, incluindo a “projeção da variante à vila”, que “foi metida na gaveta”.

Foram ainda apresentados os candidatos e equipas às Juntas de Freguesia de Tendais, São Cristóvão, Tarouquela, Nespereira, Travanca, Fornelos, Ferreiros de Tendais, Santiago de Piães, Espadanedo, Cinfães e Souselo.

Habitação, acessibilidades e economia no centro do discurso de Bruno Rocha

No discurso central, Bruno Rocha agradeceu à família e a presença da professora Marina Granja – figura histórica da freguesia de Souselo –, frisou que a sua equipa “não está aqui por ser primo, irmão ou enteado de ex-presidentes de câmara” e prometeu “governar para todos”. Criticou o que chamou de “governação pequenina e tacanha” do PS e rejeitou a ideia de que o turismo, por si só, tenha sido alavanca da economia local – “os resultados são zero”. Defendeu confronto de ideias e garantiu que enviará uma carta aberta a desafiar o PS para debates em todas as freguesias, lamentando faltas a entrevistas e debates recentes.

Nas propostas, classificou as acessibilidades como “um problema que persiste há quatro anos” e considerou que “hoje é quase impossível construir casa em Cinfães”. Prometeu simplificar processos na Câmara com prazos máximos de resposta, digitalização e agilização; rever o PDM e planos setoriais; criar habitação a preços ajustados; e abrir novas estradas, reforçando a ligação à A32: “Vamos lutar para que a variante à A32 venha até Cinfães. Se o Governo não assumir, a Câmara começa a obra!”

Em matéria de mobilidade, afirmou que “não podemos ter transporte público para o Porto a demorar três horas”, comparando com “pouco mais de uma hora” desde Castelo de Paiva. Propôs uma rede mínima garantida de transportes públicos, articulada com o comboio, e o aproveitamento da linha férrea através de uma rede municipal de ligação.

No plano económico, anunciou um fundo de 500 mil euros para pequenos empresários; o programa “Cinfães Investe” para aproximar universidades de projetos locais e incentivar alunos cinfanenses a empreender no concelho; a criação de espaços dedicados ao teletrabalho; e a atração de investimento, com renegociação de contratos para controlo de custos. No segmento jovem, foi apresentada a atribuição de três salários mínimos como incentivo à abertura de novos negócios de interesse municipal.

Para fixar população no território, propôs ainda um apoio de 250 euros por mês a jovens agricultores que se estabeleçam em Cinfães e verbas específicas para dinamizar negócios agrícolas. Na saúde e apoio social, prometeu unidades móveis para chegar a todas as localidades, um projeto “+65” com contratação de médicos dedicados à faixa sénior e medidas de combate ao isolamento – com críticas aos socialistas por “só em altura eleitoral” reconhecerem problemas “quando o Governo é PSD”.

No desporto, advoga apoios mensais aos clubes desde o início da época, duplicação dos apoios à formação com a contrapartida de redução de mensalidades às famílias e 100 euros por época por cada jogador residente no concelho. Referiu o investimento desportivo em Nespereira, a situação de Souselo e Piães, e evocou o estádio construído por Marina Granja, “que 30 anos depois continua atual”. Para a proteção civil, promete seguros de vida e de saúde para os bombeiros e deixa o designio de “não deixar, outra vez, o concelho arder todo”.

Entre projetos estruturantes a estudar, apontou uma pista de neve artificial no Montemuro e um fluviário no concelho, além da ambição de captar um polo de ensino superior. Em matéria de transparência, disse que “não encontrou minas de ouro”, e garantiu que não celebrará contratos públicos com familiares prometendo concursos anuais transparentes, com medidas de controlo de custos e renegociação de contratos.

No encerramento, ficaram os apelos a uma mudança de rumo, condensados no mote escolhido para a campanha: “É agora”.

Texto e Foto: Pedro Gonçalves

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Pedro Gonçalves
Discurso Direto
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