Carnaval à moda antiga

O Carnaval de antigamente, em Arouca, começava com a feira de S. Brás, onde se vendia um pouco de tudo necessário a um concelho rural, incluindo roupas, calçado, plantas e alfaias destinados aos trabalhos agrícolas. Ali para os lados da actual Alameda, os porcos vermelhos, vindos do Alentejo, que ajudavam a rechear a salgadeira. Na Avenida, então chamada Oliveira Salazar, rapazes e raparigas entretinham-se das maneiras mais simples, os habituais namoricos, a atirar pós à cabeça e uns borrifos de água à cara dos distraídos. Depois uns mascarados, enfarruscados, umas vestes andrajosas e umas brejeirices.

Pelas freguesias, onde existiam algumas variantes, eram obrigatórios os leilões de orelheiras, «oferecidas ao santo Antoninho» e legiões de pobres, pelos caminhos, de espeto na mão aproximavam-se das casas agrícolas a pedir «um coiratinho». As pessoas mais ligadas a igreja, incluindo «o Senhor Abade» também aproveitavam para vender algumas ofertas de cortejos muito simples destinadas às obras e outras necessidades do dia-a-dia.

Considerado «tempo de muitos pecados», incluindo inocentes bailaricos, eram vulgares as chamadas «horas de adoração», nas igrejas paroquiais, para «pedir perdão e afugentar o mafarrico».

Na terça-feira, «dia de entrudo», pelo menos ao meio dia, era obrigatória a carne de porco, para quem a tinha, a sopa-seca e uma ou outra guloseima nas casas dos chamados «mais ricos».

Tudo muito simples, sem as grandes tradições de algumas terras de Portugal e muito menos do Brasil, de que os emigrados arouquenses traziam notícias, mesmo assim era tempo de folia.

Num concelho onde nem as máscaras conseguiam mascarar as inúmeras carências que por cá existiam. Uma terra recheada de história e de histórias onde vivia um povo que, apesar de tudo, conseguia ser alegre e feliz.

A enfrentar, todos os dias, o por vezes doloroso «Carnaval da vida».

A.A.B.

sobre o autor
Ana Isabel Castro
Discurso Direto
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