
Por: Margarida Rodrigues
Neste mês de julho completam-se 230 anos desde que a Rainha Santa Mafalda foi reconhecida beata pelo Papa, à semelhança do que já havia acontecido com Teresa e Sancha, suas irmãs de sangue e de santidade.
Mafalda, filha de D. Sancho I e da rainha D. Dulce, neta do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, teve um papel preponderante na ocupação e desenvolvimento do território, estendendo a sua ação reformadora e administrativa do Norte ao Centro do país, suportada por diversos cenóbios e igrejas enquanto polos de regulação religiosa, política, económica, social e cultural, detentores de grande prestígio e influência.
Para comemorar estes 230 anos de beatificação da mais ilustre figura de Arouca, foram concretizadas várias iniciativas, de instituições públicas e privadas, designadamente da Direção Regional de Cultura do Norte que lançou um filme de animação infantil com a biografia de Mafalda; da Câmara Municipal de Arouca que concebeu e executou o projeto “Arouca na Rota de Cister”, financiado com fundos comunitários e o evento “Arouca, a História de um Mosteiro”, ambos centrados na emblemática e lendária rainha santa, e da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e Paróquia de Arouca que anualmente celebram a festa religiosa e promovem o culto à venerável beata, cujo altar está na igreja matriz do Mosteiro de Arouca.
Porque estamos em julho, e porque a recriação histórica é um evento de grande escala local e regional, evidenciamos o destaque dado à beatificação da Rainha Santa Mafalda que, de certa forma, nos transporta para uma viagem ao passado, ao auge vivido no séc. XVIII, marcado em Arouca pela construção, reconstrução e ampliação do Mosteiro de Arouca. E que bom é assistir à união, à alegria das nossas gentes que, de forma voluntária, vestem a camisola da história de Arouca, do mosteiro e de Mafalda! Orgulhosos da sua cultura e das suas raízes, são autênticos embaixadores de Arouca. Idêntico evento, em Arouca, não há, nem com semelhante massa associativa a trabalhar em conjunto, de forma altruísta, a dar corpo às personagens recriadas, durante três dias consecutivos.
Por todas as iniciativas já dinamizadas até à data e pela curta metragem sobre a vida da Rainha Santa Mafalda ainda por tornar pública, é de enaltecer a pertinência, necessidade e interesse cultural destas ações concertadas entre todas as instituições, numa lógica de complementaridade e de trabalho colaborativo e em rede que, de forma autónoma ou em parceria, se articularam entre si em benefício da oferta cultural, da promoção da história, da preservação da memória e da construção do sentido de pertença, de coesão e de identidade social e cultural.
A todos que criam e promovem produtos culturais genuínos, únicos e exclusivos e nos ajudam a criar pontes entre o passado e o futuro, localizando-nos no tempo, história e memória presentes, o nosso bem-haja e o nosso reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem em torno da CULTURA.

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