Festanças

Neste último mês muito se falou de festas, festinhas e grandes festanças. E, naturalmente, do dinheiro que nelas foi gasto. A Assembleia Municipal de Cinfães não foi exceção.

De tudo o que por lá se falou, ficaram-me três coisas na memória.

Primeiro, 2,5 milhões de euros. Este é o valor que, segundo o relatório referido pelo Sr. Presidente da Câmara, as festas geraram diretamente para Cinfães.

Depois, as declarações sobre a alegada falta de rigor das contas que o nosso jornal fez relativamente às ditas festas.

E, por fim, as propostas dos 3% e 5% relativas à participação municipal no IRS e, em particular, a questão levantada pelo Partido Socialista: “Onde iremos abdicar no orçamento municipal para ter dinheiro para os 5%?”

Quanto à primeira, fantástico. Dois milhões e meio de euros a entrarem no concelho num espaço de dois ou três meses é, sem dúvida, um valor assinalável. Não me parece ser aquele retorno de 1 para 5 euros de que tanto se falou, mas continua a ser um número relevante.

Resta saber qual foi o retorno das outras festas das quais também falámos. Aí, sim, poderemos fazer uma comparação correta.

Quanto à segunda, Sr. Deputado, começo a desconfiar de que as calculadoras possam estar avariadas lá para o cimo do concelho.

Entre “1 para 5 euros” e “muito menos do que isso”, a matemática foi bastante maltratada naquela bela manhã de quarta-feira.

Uma manhã de dia útil, sempre muito convidativa à participação popular.

E chegamos ao IRS.

A pergunta foi simples: onde iria o Município buscar o dinheiro para devolver os 5%?

A resposta também pode ser simples: ao dinheiro que as festas geraram.

Não quero com isto dizer que os 2,5 milhões de euros entraram diretamente nos cofres da Câmara. Obviamente que não. Mas, se esse retorno é utilizado para justificar o dinheiro público gasto nas festas, então também deve contar quando se discutem as opções financeiras do Município.

Não sou estadista, nem consultor financeiro ou legal, mas certamente será possível rever um orçamento municipal e aumentar verbas destinadas a melhorar a qualidade de vida dos cinfanenses. Talvez a questão não seja apenas onde é preciso cortar, mas também onde se escolhe gastar.

Mas, por algum motivo, essa parte da conversa parece ter muito menos interesse. E é sempre mais fácil atirar areia para os olhos das pessoas.

Especialmente quando não está ninguém a ver ou a ouvir.

sobre o autor
Pedro Gonçalves
Discurso Direto
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