
O mundo está a mergulhar numa instabilidade internacional crescente que deve alertar-nos para o avolumar de fragilidades que poderão reduzir, ou absorver, o nível de vida de que disfrutamos há algumas décadas. E a verdade é que as atuais gerações têm muitas dificuldades em acreditar nas condições de vida que imperavam em Portugal nos tempos anteriores ao 25 de abril de 1974 e obrigavam a que, principalmente os homens, mesmo os mais idosos, atravessassem a fronteira à procura de emprego, principalmente em França, para garantirem o seu sustento e das suas famílias, mais numerosas que as atuais. Temos atualmente o reflexo dessa situação através das centenas de milhar de pessoas, oriundas de outras partes do Mundo, que procuram o nosso País para garantirem a sua sobrevivência e das suas famílias.
A preocupação generalizada dos governos que possuem poder económico é o reforço do poder bélico, com a desculpa de garantir a segurança interna, sobrepondo a sua capacidade à dos seus concorrentes e inimigos declarados, ou mesmo presumíveis aliados. Na verdade esquecem, de abordar nos seus argumentos que, se ordenarem o disparo dos arrasadores “canhões” mortais, provocarão resposta imediata da outra parte e entrar-se-á na destruição global. Os bombardeamentos atómicos dos Estados Unidos, durante a segunda guerra mundial, em agosto de 1945, sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, demonstraram que a utilização desses e outros meios de terror, atualmente ainda mais evoluídos de modo indiscriminado, colocarão o mundo em sofrimento atroz e colocarão termo à vida na terra.
Para já, não podemos nem devemos pensar nesse atoleiro e acreditar que ainda resta algum bom senso na meia dúzia de homens que têm poder quase absoluto sobre a terra. No entanto existe desde já, e com urgência, necessidade absoluta de pensarmos na forte dependência, incluindo os bens de vária ordem, que a inflação dos combustíveis está a demonstrar. Vivemos numa sociedade mediática, que não sente necessidade de pensar na origem dos produtos de que necessita para a sua sobrevivência, com destaque para os alimentares. Desde que exista capacidade económica, que em Portugal é negativa para cerca de um terço da população, basta escolher o local que mais agrada para fazer as compras, acreditar nas promoções e nos vales, e possuir um dos múltiplos meios de pagamento atuais para abdicar das notas e moedas.
A nível local é urgente dar atenção aos aspetos negativos e contabilizá-los, procurando alternativas que reduzam a dependência externa, que é altíssima. Para os legítimos decisores, as opções de recreio e divertimento estão nas prioridades locais, mas deverão dar algum espaço a alternativas de suporte à realidade. A redução crescente no rendimento da produção florestal e agrícola é um facto indesmentível, e o abandono de grande parte dessas áreas aumenta o risco de incêndio e os custos, cada vez mais insuportáveis, para manter as limpezas estipuladas pela Lei. Esta realidade é tão evidente que, avaliada com objetividade, logo se conclui que é utópica.
Arouca tem na sua gastronomia, um marco forte de suporte económico, que é importante acarinhar e desenvolver. Um dos pontos importantes será o aumento da produção de gado Arouquês que, em opiniões válidas, reduz a necessidade de mão-de-obra. Mas não se deve descurar a produção leiteira, a sentir abandonos definitivos em consequência da idade, ou perda dos seus responsáveis. Devem avaliar-se as condições de recuperação do setor ovino e caprino.
A Feira das Colheitas voltará daqui a um ano e, este período intermédio poderá ser aproveitado para desenvolver ideias e colher opiniões, sobre a avaliação das prioridades essenciais a apoiar. Arouca pode e deve aproveitar e reabilitar os setores primários para acompanhar o seu desenvolvimento empresarial e a sustentabilidade futura. Juntem periodicamente pessoas que têm ideias, experiências e propostas, com vista ao futuro.

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