
No início de outubro de 2025, os arouquenses foram às urnas para eleger a nova composição da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal e das Juntas de Freguesia. O partido Chega, que apresentou pela primeira vez um candidato à Câmara Municipal (José Costa Gomes) e uma lista para a Assembleia Municipal, conseguiu eleger 2 deputados para a AM, Carlos Luís Pereira e Fernando Almeida.
Mas, desde a primeira reunião de funcionamento da AM eleita para o quadriénio de 2025 a 2029, não se conhece uma única ideia política dos 2 deputados refiridos, dado que nunca efetuaram uma intervenção nas várias sessões já realizadas (5) nem divulgaram publicamente qualquer perspetiva sobre o rumo político de Arouca. O Discurso Directo procurou perceber o porquê destes factos e conseguiu falar com Carlos Luís Pereira, um dos eleitos pelo Chega.
Carlos Luís Pereira emigrou para França aos 17 anos de idade, onde permaneceu durante 20 anos, trabalhando na área da construção civil e do mobiliário. A vida tornou-se sufocante e, como estava «habituado à nossa terra, à calma de Arouca», decidiu voltar, pois é aqui que se sente bem. «Depois de 20 anos em França, regressei porque sentia falta da Arouca que me enchia de orgulho quando falava dela lá fora. Uma terra tranquila, com qualidade de vida, gente trabalhadora, boa gastronomia, uma natureza única e o rio Paiva como símbolo maior», começou por referir.
Contou-nos que começou por fazer parte do Chega, um partido que «partilhava das ideias que eu tinha, queria um Portugal como era antes, sem imigração descontrolada» e admira André Ventura. Nas últimas Autárquicas, foi o cabeça de lista do Chega para a AM de Arouca, tendo sido também a sua entrada na vida política ativa: «Tem sido uma experiência boa. Por enquanto, estamos a entrar na vida política, estamos a aprender. Entrei porque achei que podia fazer alguma coisa por Arouca e gostava de estar por dentro dos assuntos, partilhando o que sei e o que vivi e tentar que Arouca continue como conheci». Considera-se uma «pessoa simples, sem formação política, mas com um grande amor por Arouca e vontade de a ver melhor para as nossas famílias, crianças e idosos».
Quando questionado sobre o porquê de, tanto Carlos Luís Pereira como o seu colega Fernando Almeida, nunca terem falado, justificou a situação da seguinte maneira: «Não entrei na política para aparecer, mas para garantir que o essencial para Arouca é feito e para defender a nossa terra quando necessário. Prefiro intervir quando tenho algo útil a acrescentar do que falar apenas para aparecer. Eu trabalho, apresento ideias e apoio o que considero melhor para Arouca. Na política, o importante não são os aplausos, mas os resultados. Entrei por amor à minha terra e continuarei enquanto sentir que posso contribuir para a proteger e melhorar». Garantiu que, mesmo não efetuando qualquer intervenção pública, dialoga com os restantes elementos da AM, sejam eles deputados ou presidentes de juntas.
Por fim, questionamos Carlos Luís Pereira quanto à informação que o Discurso Directo obteve, de fonte segura, de que o seu colega Fernando Almeida estaria a equacionar desvincular-se do Chega e passar a deputado independente. «Prefiro não comentar esse tema», foi a resposta de Carlos Luís Pereira. O Discurso Directo tentou falar com Fernando Almeida, mas, apesar das chamadas e da mensagem que enviamos, até ao fecho desta edição, não obtivemos qualquer resposta.
Simão Duarte

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