Reacção de Joaquim Reis, Presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca, às medidas anunciadas pelo Primeiro Ministro contra a crise de combustíveis no Ocidente, consequências das guerras em curso

O Discurso Directo ouviu a opinião de representes sectoriais , sobre as medidas anunciadas ontem à noite , dia 17 de Setembro, pelo Primeiro Ministro, Luís Montenegro. São medidas para combater a crise de combustíveis, consequência das Guerra em curso na Europa e no Médio Oriente.

 Reacção de Joaquim Reis, Presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca.

“Considero as medidas anunciadas pelo Governo manifestamente insuficientes para a gravidade da crise que o setor agrícola atravessa.

Os agricultores estão a passar por enormes dificuldades financeiras, sufocados pela escalada contínua dos custos dos fatores de produção, nomeadamente do combustível. Mas é importante perceber que, para um agricultor, o combustível não é uma despesa isolada. Está presente na preparação das terras, nas máquinas, nas deslocações, nas colheitas e em praticamente todas as fases da produção. Por isso, um apoio limitado ao combustível não resolve o problema de fundo nem garante que a exploração agrícola consiga manter a sua atividade.

Embora o Senhor Primeiro-Ministro invoque que se trata de uma crise causada por fatores externos e guerras, a resposta do Governo devia ser proporcional ao impacto real que estas dificuldades estão a ter nos diversos setores, em particular, na agricultura.

Não podemos esperar que seja sempre o agricultor a absorver o aumento dos custos. Há explorações que estão a trabalhar com margens muito reduzidas e outras que começam a questionar se vale a pena continuar a produzir.

Gosto de recordar uma verdade simples, muitas vezes esquecida nos gabinetes em Lisboa: para a cidade comer, o campo tem de produzir. E, para o campo produzir, é preciso que existam condições económicas para o agricultor continuar a trabalhar. Se não houver agricultores com capacidade para produzir, mais tarde ou mais cedo toda a sociedade sentirá as consequências.

Por isso, o setor agrícola precisa de ações concretas e imediatas, nomeadamente:

  1. Apoios financeiros diretos e de execução rápida que compensem a subida dos custos de produção;
  2. Redução efetiva dos impostos sobre os combustíveis e os fatores de produção agrícolas;
  3. Simplificação dos processos burocráticos, para que os apoios cheguem rapidamente a quem produz.”

Joaquim Reis, veterinário, enquanto presidente da direção da Cooperativa Agrícola de Arouca, destaca-se pelo seu papel ativo no associativismo local e na defesa do setor primário da região.

 

sobre o autor
Margarida Ferreirinha Loureiro
Discurso Direto
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