
Rui Vilar fala de Arouca com emoção e razão, do preço da água à habitação percebemos e sentimos que Arouca lhe “corre no sangue”, tem um percurso profissional de nível nacional, mesmo assim fala da terra onde nasceu com conhecimento, com detalhe, com vontade de fazer mais e melhor. Considera que a presidente actual não tem estratégia nem um plano para Arouca ao contrário do anterior presidente socialista que seguiu um rumo com o Geopark e os passadiços. Sobre o PSD não tem dúvidas “somos qualificados e podemos fazer melhor do que o PS”.
Discurso Directo (D.D.) Porque é que não se recandidatou à concelhia do PSD Arouca?
Rui Vilar (R.V.) Além de ter uma vida profissional e familiar que requerem a minha atenção, penso que fechei um ciclo, estive 6 anos e consegui resultados sempre a subir. Fui eleito vereador e preciso dedicar-me aos assuntos de Arouca. A Concelhia fica bem entregue e abre caminho a outras pessoas.
D.D. Uma vez que já não está ocupado com as responsabilidades de liderar uma concelhia, está disponível para ser candidato à Câmara de Arouca?
R.V. (sorrisos) já ando na política há muitos anos e uma coisa que aprendi é que nunca se diz nunca, principalmente para a minha terra que tantas ideias tenho, mas nós temos um grande candidato que tem estado a subir de eleição em eleição, nas últimas em 2025 a diferença foram 400 votos, quando tivemos o CHEGA a retirar votos ao centro/direita. Note-se que Margarida Belém teve menos de 50% dos votos o que já não acontecia há muitos anos, portanto a maioria não votou em Margarida Belém e Vítor Carvalho teve um bom resultado.
D.D. De Margarida Belém diz-se que é muito popular porque está em todas as celebrações a tirar fotos com a população e porque se candidata a tudo o que é prémio para obter distinções, um presidente do PSD seria diferente?
R.V. Os eleitores sabem fazer leituras e escolher os momentos certos para fazer mudanças, não podemos negar que a nível turístico Arouca tem sido muito projectada mas temos que nos lembrar que é fruto dos executivos anteriores, ela não projectou nenhuma das grandes obras que trouxeram mediatismo a Arouca, mas o valor de Arouca já lá estava, a paisagem, o Convento e a Serra da Freita. O PSD defende outro patamar de desenvolvimento, temos que pensar no fundamental como por exemplo a rede de saneamento e de águas públicas. Nós propomos um desenvolvimento mais forte, com captação de empresas e emprego qualificado para combater a saída de jovens que vão para a faculdade e nunca mais voltam, já vimos que a fábrica de calçado conseguiu inverter essa sangria de população. Queremos mais empresas e habitações a preços que os jovens possam pagar, depois no plano cultural Arouca tem que trazer outro tipo de espectáculos, de outra dimensão que sejam também um motivo para trazer pessoas a Arouca e que sejam também uma forma de oferecer à população, espectáculos que de outra forma não teriam acesso, ou seja uma programação cultural ao nível que os arouquenses valorizam e merecem.
D.D. Recentemente o Governo disponibilizou verbas para iniciar a terceira fase da variante Feira/Arouca, sem alarde e sem propaganda política, será que os arouquenses se aperceberam?
R.V. Isso não me preocupa o que eu quero é ver a obra feita, o que lhe posso dizer é que acompanhámos, semanalmente, o assunto junto do Gabinete do Ministro e das Infra-estruturas de Portugal. Houve várias etapas, 1º foi a inscrição dela no Orçamento de Estado com verba cabimentada ao contrário do que muita gente do partido socialista tentou dizer, 2º foi um processo fundamental do ponto de vista administrativo para terminar a segunda fase com expropriações e logo a seguir a publicação da portaria que lança para concurso o estudo e o projecto da terceira fase e está tudo a correr muito bem, mas eu acredito que os arouquenses já estejam um pouco cansados porque de facto já se fala nisto há mais de 20 anos. No entanto não podemos esquecer que quem governa na Câmara é o Partido Socialista e foram eles que não conseguiram avanços junto do Governo Socialista que governou nos últimos 25 anos.
D.D. Esta notícia despoletou nas redes sociais uma séria de críticas aos acessos e estradas municipais que têm maus pisos, buracos e pouca manutenção. Quando participa nas reuniões de câmara este é um assunto que preocupa o executivo ou passa ao lado?
R.V. Passa sempre ao lado, basta perceber que apenas se vêm intervenções junto do período de eleições, aí sim começam a alcatroar caminhos e estradas para haver ganho eleitoral e depois o que é que acontece? São obras feitas à pressa de forma atabalhoada onde não são protegidas as valetas e outros requisitos, não sei se recorda durante a última campanha, o PSD e Vítor Carvalho disseram que iriam fazer um plano de intervenção e no último ano, antes das eleições nenhum pavimento seria feito porque isto não se trata de bandeiras eleitorais mas do bem-estar da população.
D.D. Relativamente ao vosso candidato sente que há simpatia pessoal além da profissional ou a forma afável e popular de Margarida Belém acaba por abafar os outros candidatos?
R.V. Ninguém abafa ninguém, Margarida Belém tem um palco e tem meios ao dispor que são camarários e que Vítor Carvalho não tem, mas são estilos completamente diferentes, Vítor Carvalho é mais genuíno e os arouquenses conhecem-no bem. Sobre Margarida Belém digo que é um estilo que critico há muito porque é muito baseado na propaganda e pouco virado para os problemas reais da população, se formos ver nos dois últimos dois mandatos quais foram os grandes investimentos ou obras do executivo dela? A única que foi projectada por ela foi o novo parque de saúde e mesmo assim foi projectado inicialmente como um sítio que iria englobar todas as valências de saúde de Arouca mas na verdade com o decorrer do PRR e com a perda de verba vai ser apenas duas USF´s sendo que o centro de saúde continuará com o serviço de RX, com a urgência básica, com a cadeira do dentista, e com uma série de análises, portanto nós em vez de termos um edifício que concentre os serviços de saúde vamos dividi-los. O arouquense pode estar numa consulta junto ao quartel da GNR e depois ter que ir fazer análises ao edifício antigo do centro de saúde, mais uma vez são obras para encher o olho mas que não são projectadas para fazer algo como deve ser.
D.D. Já falamos do aspecto cultural, pensa que Arouca podia ter relevo nacional?
R.V. Sem dúvida, os arouquenses têm essa sensibilidade mas não têm um auditório com capacidade para que esses espectáculos possam vir a Arouca como por exemplo bailado. Somos dos poucos concelhos que não possuímos um piano de cauda, e veja-se a tradição de música clássica que temos em Arouca.
D.D. Falando um pouco de si, já sabemos que não quer dizer nunca, mas sabemos que profissionalmente tem solicitações a nível nacional, Arouca corre o risco de o perder?
R.V. Eu fui deputado e os arouquenses foram fundamentais para essa eleição, penso que ficaram satisfeitos com o trabalho que fiz na Assembleia da República onde sendo deputado da nação procurei sempre defender os interesses de Arouca, seja no pavilhão da Casa do Povo, seja no caso do Tribunal de Arouca, na variante e muitas outras alturas em que o nome de Arouca foi falado nos corredores e no plenário da Assembleia da República com vários governantes, inclusive do Partido Socialista, agora eu deixei de o ser mas continuo num cargo de administração do governo, o Partido confia em mim, mas eu não sei qual será o futuro.
Rui Vilar nasceu na freguesia de Arouca e Burgo, estudou na Faculdade de Economia da Universidade do Porto onde se especializou em Gestão de Serviços , na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com pós-graduação em Defesa Nacional e licenciatura em Educação no Instituto Piaget. Foi deputado no Parlamento de 2022 a 2024.
Margarida Ferreirinha

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