ADR Alvarenga está oficializada e a envidar esforços para o regresso do futebol

O Discurso Directo entrevistou o presidente do clube, Luis Filipe Teles

Capital do Mundo e do Bife, situada no Norte de Portugal, numa das extremidades do concelho de Arouca, estando a cerca de 300km de Lisboa e de 80km do Porto, de Lamego e de Viseu: falamos, evidentemente, da freguesia de Alvarenga, na margem direita do Rio Paiva, onde, até ao ano de 2022, existiu uma equipa de futebol denominada Grupo Desportivo de Santa Cruz de Alvarenga, que cessou atividades num ano onde registou a inédita chegada aos campeonatos nacionais e a estreia na Taça de Portugal.

Desde aí até ao momento em que o Vila Viçosa teve de recorrer ao Estádio Reinaldo Noronha como casa emprestada, nunca mais rolou uma bola num encontro oficial naquele estádio e Alvarenga deixou de ter uma equipa de futebol. Um panorama que um grupo de alvarengueses pretende alterar, com a fundação da ADRA: Associação Desportiva e Recreativa de Alvarenga.

O Discurso Directo esteve à conversa com Luis Filipe Teles, antigo presidente de junta e, agora, o presidente da direção da ADRA, no dia em que o clube se oficializou:

Discurso Directo (DD) – Acompanhou o processo do GDSC Alvarenga e, agora, do ADR Alvarenga também. Fale-nos um pouco sobre isso, especialmente deste novo clube, um processo que certamente está a ser desenvolvido há já algum tempo, de forma sustentada.

Luis Filipe Teles (LFT) – Relativamente ao que aconteceu no passado, foram fases. O GDSC Alvarenga surgiu em 1942, desenvolveu a sua atividade sempre ligada sempre ao futebol amador, com uma longa história, com muita gente importante, muito interessante, alvarenguenses de gema sempre, pessoas que trabalharam muito para o clube, para o manter durante estes anos todos.

Depois, há outra fase que acontece, surgiu outro projeto, também ligado ao GDSC Alvarenga, já com uma SAD. Faz parte da história, conseguiram levar o Alvarenga até aos nacionais, que foi impensável, era impensável na altura, se calhar ninguém sonhava, fez a sua história, conquistou troféus. Depois, como tudo, muitas vezes tem um fim também. Teve um fim, deixou de competir.

Houve uma mobilização massiva das pessoas com saudades do desporto, do associativismo, também, e sentiram necessidade de competir novamente no desporto amador e, se calhar, não só isso, mas outras atividades também ligadas às crianças, até aos idosos.

Houve aqui um movimento de todos, de Alvarenga, dos alvarenguenses, no sentido de se voltar a ter desporto amador, mas que pudéssemos dar essa valência novamente a Alvarenga, até porque temos uma infraestrutura belíssima parada e que não faz sentido absolutamente nenhum, depois de tantos anos de história, estarmos numa situação destas.

Agora surge um novo projeto, que acho que vai ter uma dimensão também ao nível daquilo que era o GDSC Alvarenga.

DD – Explique-se o porquê da denominação ADRA – Associação Desportiva e Recreativa de Alvarenga

LFT – A ADRA, a Associação Desportiva e Recreativa da Alvarenga, nós tivemos várias opções e lançamos as várias opções, esta foi uma das que foi aprovada.

No símbolo, nós procuramos trazer um pouco das nossas memórias, porque não podemos esquecer quem passou por lá e quem fez tanto por aquele grupo desportivo, que nos diz muito e está-nos no coração.

Fomos buscar algumas características, apontamentos, para perpetuar também todos aqueles que fizeram muito pelo Alvarenga e toda a história que existe associada a isso, porque está no nosso coração, no nosso sangue também. Essa foi a ideia de trazer alguns apontamentos para a nova estrutura, mas nunca esquecendo o passado e valorizando isso.

DD – Sobre o ano presente no símbolo, 1942…

LFT – 1942 foi o primeiro ano da fundação do GDSC Alvarenga, a primeira vez que se fundou algo ligado ao futebol amador, esse ano vem daí.

DD – Ainda está numa fase muito prematura, mas perguntava se o grande objetivo, digamos assim, será conseguir inscrever o clube nas competições da AF Aveiro para a próxima época desportiva?

LFT – Esse é o nosso grande objetivo, estamos em crer que sim, que isso vai ser possível, a não ser que nos coloquem algum entrave, mas temos já uma reunião com a AF Aveiro precisamente. Já tivemos um primeiro contacto em que, sim senhora, colocaram-nos que será possível, vamos avaliar o que é necessário.

Para além disso, é preciso formar uma equipa, uma equipa técnica, isso não é fácil também. Estamos a trabalhar nesse sentido e julgo que será possível, com muito esforço. Não é muito fácil prosseguir de novo, fazer esses contactos todos. Estamos com uma equipa muito capaz nesse sentido e eu estou convencido que sim, eu dou quase 100% que iremos competir, é esse o objetivo. Só se nos correr muito mal é que nós de facto não iremos conseguir, se nos impedirem. Caso não impeçam, é para isso que existe e que foi constituída a ADRA, para competir no futebol amador, no desporto. Esse é o nosso objetivo, surgiu para competir já na próxima época.

Órgãos sociais da ADRA para o mandato 2026-28

Direção

  • Presidente: Luis Filipe Mendes Teles
  • Vice-Presidente Desportivo: João Paulo Gonçalves Soares
  • Vice-Presidente Administrativo: Rui Miguel Alves da Silva
  • Tesoureiro: Artur Jorge Rodrigues Andrade
  • 1º Secretário: Ana Luísa Da Silva Teles Guedes
  • 2º Secretário: Sónia Regina dos Santos Duarte
  • Vogal 1: António Manuel de Noronha Mendes
  • Vogal 2: Maria De Fátima Pereira Ramalho
  • Vogal 3: Paulo Miguel Vieira Teixeira

Mesa da Assembleia Geral

  • Presidente: José Hermínio Ferreira Moreira
  • Vice-Presidente: Luis Paulo Pereira dos Santos
  • Secretário: José Luis De Castro Brandão da Costa
  • Vogal 1: Maria Fernanda Gomes Gonçalo Soares
  • Vogal 2: Ana Paula Da Silva Fernandes

Conselho Fiscal

  • Presidente: Ana Isabel Mendes Vieira
  • Vice-Presidente: Ricardo Filipe Brandão de Pinho Almeida
  • Secretário: Victor Bruno Rodrigues Andrade
  • Vogal 1: Catarina Alexandra Gândara de Oliveira Lopes Gouveia
  • Vogal 2: Fernando Martins Montenegro

Já há símbolo e equipamentos

O símbolo, como referido por Luis Filipe Teles, inspira-se no do GDSC Alvarenga, como pode ver abaixo. Assim como os equipamentos, presentes na fotografia principal desta notícia. Um, à Vasco da Gama, como era tradição, todo branco, com pormenores a preto. O outro, à Fluminense, verde-rubro. Detalhes que remontam também aos primeiros anos do futebol amador em Alvarenga, numa altura em que a própria freguesia tinha uma ligação com o Brasil, dado que existiram vários emigrantes brasileiros a fazerem a sua vida na Capital do Mundo e do Bife.

Quando tudo estiver alinhado e pronto para competir, a ADR Alvarenga deverá, tendo em conta a organização das provas da AF Aveiro, juntar-se ao leque de clubes da II Divisão.

O símbolo da ADR Alvarenga

Simão Duarte

Fotos: ADRA

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Simão Duarte
Discurso Direto
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