PSD Arouca quer voltar às cantinas escolares com confecção própria e diária: proposta foi rejeitada em reunião de Câmara

O Discurso Directo esteve à conversa com Rui Vilar, Vereador da C.M de Arouca eleito pelo PSD e sem pelouro atribuído, para falar da proposta apresentada em reunião de Camara sobre o regresso ao modelo tradicional de cantinas escolares, com confecção própria. A entrevista foi feita após a reunião, na qual ficamos a saber que a proposta foi rejeitada.

Na última Reunião de Câmara efetuada (18 de novembro de 2025), o PSD Arouca efetuou uma proposta relacionada com as refeições escolares. Com base em queixas sobre a qualidade das refeições servidas nas escolas do concelho, transmitidas por pais, alunos e profissionais das escolas, os sociais-democratas propuseram o regresso ao modelo tradicional de cantinas com refeições diárias confeccionadas na própria escola. Uma proposta que, sabe o Discurso Directo, foi rejeitada, como nos foi confirmado por Rui Vilar, vereador sem pelouro atribuído e líder da concelhia do PSD.

Discurso Directo (DD) – Obrigado pela disponibilidade. O que vos motivou a fazer esta proposta e, na questão dos relatos, o que é que vos chegou que motivasse esta proposta?

Rui Vilar (RV) – “Antes de mais, muito obrigado ao Discurso Directo por este convite, para esclarecer um tema que eu, Rui Vilar, mas o PSD Arouca também, já há vários meses, há mais do que um ano, temos alertado, quer em Assembleia Municipal e agora em Reunião de Câmara com uma proposta concreta. E importa esclarecer de forma simples, até porque não nos podemos escudar em linguagem técnica para dizer o que é que se passa e os arouquenses sabem.

Hoje, nós propusemos, em Reunião de Câmara, avaliarmos o assunto, criarmos um projeto piloto, sensibilizamos mesmo a Câmara Municipal para este problema, porque os relatos têm-nos chegado de toda a comunidade escolar, sejam alunos, pais, professores e funcionários das escolas. E, além disso, temos provas, várias fotografias que nos têm chegado, também de alunos que optam por comer fora da escola, onde comem uma alimentação que não é saudável, porque não conseguem comer na cantina.

Decidimos alertar para um problema que eu acho que é evidente. E a Câmara Municipal, escudando-se em questões técnicas e em linguagem muito técnica, vem basicamente dizer que para a Câmara Municipal e para a Presidente de Câmara não há problema nenhum. Ora, é uma visão totalmente diferente da minha e da do PSD, para nós, há um problema.

Estamos a falar de crianças dos 13 aos 17 anos, que têm a refeição essencial e importantíssima para o desempenho escolar, na escola. Algumas delas, felizmente poucas, cada vez menos, mas muitas delas que aquela refeição é, se calhar, a refeição mais importante que têm na escola.

E, falando nesta linguagem simples, que é a linguagem das pessoas e a linguagem que as pessoas percebem, o que nós queremos é voltar ao estilo que se usava antigamente nas cantinas. Ou seja, a comida é totalmente confecionada na cantina, não é numa copa, onde já vem pré-cozinhada, e muitas vezes é só aquecida, mas totalmente cozinhada nessas cantinas, com uma gestão local próxima. Ainda por cima agora com a delegação de competências, temos possibilidade de fazer isso, por parte dos atores locais em cada escola, com os funcionários, as cozinheiras, e na aquisição de produtos frescos, locais, da época, sempre que possível, e também haver uma adequação das doses.

Porque o que nós temos, neste momento, é entregarmos este bem essencial, que é, com inúmeras queixas por parte da população escolar, entregá-los a empresas que, a maioria delas, visam única e exclusivamente o lucro. Quando se está a falar de crianças, e foi isso que dissemos hoje na Reunião de Câmara, nós estamos a falar de uma coisa fundamental, que é o almoço delas e a refeição delas.

Não há gastos, não é despesismo, pelo contrário, é muito investimento, portanto, e o que eu disse e o que os vereadores do PSD disseram hoje na reunião de câmara, e voltam aqui a reafirmar, é que nós estamos disponíveis, quer na Câmara Municipal, quer na Assembleia Municipal, para um aumento de despesa, para o que for necessário, mas para olharmos para aquilo, para esse problema, e não enfiarmos a cabeça na areia, que é o que eu acho que a Câmara Municipal está a fazer.

Fica aqui também o desafio e o repto: esqueçamos a política, esqueçamos as coisas partidárias, não é disso que se trata aqui, trata-se da alimentação das nossas crianças. Vamos olhar para isto de outra forma, é um desafio que nós deixamos à Câmara Municipal, vamos tratar isto como deve ser, resolver efetivamente o problema e não, ao contrário do que foi feito aqui há cerca de dois anos. Quando este problema gerou um alarme social, nomeadamente nas redes sociais, houve logo uma equipa de fotografias, a tirar fotografias a nutricionistas e a cantinas, e a dizer que estava tudo bem.

Quando nós falamos em refeições, são aquelas que se faziam antes, controladas e definidas as doses pelas cozinheiras, havia uma pequena organização na cantina. Hoje em dia temos inclusive relatos de alunos que nem sequer podem repetir, a dose é mínima e eles nem sequer podem repetir. E depois, como eu costumo dizer, uma imagem vale mais do que mil palavras e, de facto, as imagens que vemos de alguns pratos de crianças que lhes são servidas aqui nas nossas escolas em Arouca são de facto muito preocupantes.”

DD – Pelo menos na Escola Secundária de Arouca, a que se situa no centro de Arouca, é sabido de que, há já alguns anos, existiam queixas dos alunos relacionadas com as longas filas na cantina, mesmo também a qualidade da comida. Já havia indícios no passado de que esta situação da qualidade da comida pudesse vir a atingir o registo atual?

RV – “Temos modelos diferentes para as cantinas de Arouca, umas estão agora a alterar, outras não. Como é óbvio, nós falamos nisto num plano geral, começarmos a estudar e a implementar em várias cantinas, outro tipo de gestão. Acredito que isto tenha sido um avolumar de situações erradas que agora acabaram nas próprias refeições.

Mas isto faz tudo parte de uma em que as câmaras municipais, e nomeadamente a Câmara Municipal de Arouca, se demitem de tratar efetivamente os problemas de Arouca. Porquê? Porque entrega tudo a outsourcings. E os mais velhos recordar-se-ão que a água antes era gerida pela Câmara, o lixo, muitas outras coisas eram geridas pela Câmara, mas a Câmara Municipal agora entrega tudo isso a outsourcings, lança concursos, lava as mãos e depois os problemas acontecem e a culpa ou é do Governo ou é do prestador.

Temos uma Câmara que mais parece uma agência de eventos, organiza uns eventos, faz umas festas, mas depois os reais problemas das pessoas, como é este caso, a Câmara demite-se sempre e diz que faz o concurso, tem um mapa de cadernos de encargos, e que as empresas cumprem e vamos enfiar a cabeça na areia, mesmo quando toda a gente nos diz que há problemas.

E os indícios vêm daí, é cada vez que entregamos as coisas … e eu não sou contra entregar, podemos entregar, mas também temos que fiscalizar e temos que exigir, e podemos entregar e podemos deixar de entregar. Às vezes assusta-se a população, por exemplo na questão da água, Arouca pode reverter, sair da concessão e explorar Arouca a água, os arouquenses não vão ficar sem água, pelo contrário, vão continuar sempre a ter água. E pode ser a própria Câmara a explorar a rede em baixa, não há problema nenhum. Não se criem esses fantasmas, a Câmara tem autonomia para tudo e tem obrigação, seja uma coisa que seja entregue a outsourcing, seja uma coisa de gestão da Câmara, seja uma coisa que é uma intervenção de um Governo ou de um instituto público ou de uma empresa que é ligada ao Estado Central, é no território de Arouca, é obrigação da Câmara Municipal tratar. E não podemos demitir-nos de culpa quando as coisas correm mal e depois quando correm bem dizer que somos nós. Não, temos que estar atentos.

A questão das cantinas, o que eu acho e defendo, é que, tal como há um modelo em Arouca que funciona bem, que é sermos nós a contratar localmente, em cada escola, os funcionários para aquela cantina, termos o orçamento para a compra de alimentos, ser confecionado tudo lá, ser uma gestão local, próxima, e que vai acompanhando, e naturalmente os responsáveis da escola e da Câmara Municipal vão acompanhando cantina a cantina, mas de facto é importantíssimo. E eu digo uma coisa que já disse na Assembleia Municipal há mais de um ano e volto a dizer. Vai custar mais dinheiro? Vai, não vamos iludir. Mas não interessa, trata-se das refeições das crianças. Vai dar mais trabalho? Vai, mas também é para isso que nós elegemos os políticos, é para eles trabalharem em prol da população. Vai dar um trabalho de gestão maior, é muito mais fácil lavar as mãos, entrega-se a uma empresa, e a empresa que trate qualquer coisa, aí a empresa diz que cumpre. Não é assim. O desafio que eu lanço à Câmara para não voltar a fazer o que fez ainda hoje à tarde, que rejeitou a proposta do PSD.”

DD – Para concluir, perguntava-lhe ainda, pela rejeição da proposta, se será uma das principais bandeiras, uma das principais questões que irão defender nas próximas reuniões de Câmara e nas Assembleias Municipais?

RV – “Certamente, contem connosco. Foi para isso fomos eleitos e não vamos desistir, não vamos parar. Vamos, certamente, voltar à carga com esta proposta e com outras.”

Simão Duarte

Foto: PSD Arouca

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Discurso Direto
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