
Na passada sexta-feira, dia 2 de maio, feriado municipal em Arouca (dia da Rainha Santa Mafalda, padroeira do concelho), a AD (coligação PSD/CDS) esteve por terras de Santa Mafalda no arranque da sua volta distrital rumo às eleições legislativas.
Enquanto Luís Montenegro se encontrava no sul do país, em Arouca esteve Emídio Sousa, o 2º candidato na lista pelo Círculo Eleitoral de Aveiro e que foi, na governação que vai agora terminar, secretário de Estado do Ambiente. O Discurso Directo recebeu a comitiva na sua redação, onde colocou algumas questões relacionadas com Arouca.

Emídio Sousa, 2º candidato na lista por Aveiro
DD:O interior do distrito de Aveiro, nomeadamente os concelhos de Arouca, Castelo de Paiva e Vale de Cambra continuam a sofrer com a desertificação, com a população jovem a abandonar as suas localidades para fazer a sua vida nas metrópoles. Começava por lhe perguntar como pretende a AD promover a coesão territorial nesses concelhos que, apesar da sua proximidade ao litoral, continuam a ser considerados periféricos em termos de acesso e de oportunidades, e, assim, tornar essas regiões mais atrativas para as novas gerações?
Emídio Sousa (ES):“A minha experiência política, e enquanto autarca trabalhei muito nesse sentido, penso que há uma coisa que atrai jovens – é o emprego. Na nossa vida, e eu costumo dizer isto na brincadeira, há 2 coisas que nos podem fazer mudar de Terra: a namorada/o e o emprego. E se queremos manter os nossos jovens nas nossas terras temos de criar emprego. Como é que se cria emprego? Atraindo investimento.
O desenvolvimento económico, a atração de investimento é o fator número 1 para segurarmos os nossos jovens e criar condições para eles próprios poderem desenvolver os seus projetos de vida. Foi isso que não aconteceu em Portugal ao longo destes anos.
As pessoas às vezes concentram-se no imediato. Nós, nos últimos 30 anos, tivemos mais de 22 anos de governação do Partido Socialista. Eu recordo números que são absolutamente avassaladores: nos últimos anos emigraram, todos os anos, 40 a 50 mil portugueses. No ano de 2023, que foi o último ano de governo pleno do Partido Socialista, saíram de Portugal 60 mil jovens. Se nós pensarmos que, em média, nascem 80 mil crianças por ano, se juntarmos a estes 60 mil que emigraram os 20, 30, 40 mil que morrem por velhice ou por acidente ou por outro motivo qualquer, Portugal estava a desaparecer. E Portugal os portugueses, não o território. Portugal, que nós herdamos há nove séculos, estava a caminho de desaparecer. Uma substituição populacional. Porquê? Os nossos jovens, em idade de trabalho, em idade fértil, em idade de construírem os seus projetos de vida, estão a sair. O que é que o Partido Socialista fez, que isto ainda foi mais dramático: abriu completamente as portas à imigração. Nós hoje sabemos que temos, e não temos bem a certeza, 1 milhão e 400 mil imigrantes, 1 milhão e 600, nós estamos a falar de 20% da população já. O que estava a acontecer a Portugal era isto, por isso é que os nossos jovens não tinham oportunidades. Aqui ao lado, pagam o dobro. Vão para a Suíça, ganham 4 vezes mais. Vão para a França, ganham o triplo.
O emprego, o desenvolvimento económico é o foco. As políticas da AD são precisamente isso. Por isso é que nós queremos baixar os impostos sob as empresas, sob os lucros, o IRC. Por isso é que nós queremos baixar os impostos sob o trabalho. Por isso, é que nós estamos a desenvolver políticas de habitação e até estamos a dar garantias de Estado para o financiamento na aquisição da primeira habitação aos jovens até aos 35 anos. Há aqui todo um conjunto de políticas públicas que vão ao encontro deste desafio. Mas eu continuo a afirmar, e o Primeiro Ministro tem o dito repetidamente e a minha experiência política diz-me que é o caminho certo, que o que faz com que um território se mantenha pujante, o que faz com que um jovem se mantenha na sua terra ou que venha para uma terra é o emprego.
E depois a seguir ao emprego, havendo bons empregos, havendo boas empresas, o salário vai aumentar. É a lei da oferta e da procura. Portanto, o que eu digo sempre aos meus amigos dos territórios do interior, apostem no desenvolvimento económico, apostem na atração de investimento. É isso que faz toda a diferença.”
DD:No caso de nova vitória da AD, o que é que as três regiões que referi podem esperar?
ES:”Eu sei que aqui há uma grande reivindicação sobre as acessibilidades rodoviárias. Nós temos o caso de Arouca, que foi feita uma resolução no Conselho de Ministros, muito recentemente, dar instruções às Infraestruturas de Portugal para avançarem no projeto. E eu quero dar esta nota que é muito importante: entre o início das tomadas de decisões para que o projeto avance e a sua concretização, leva tempo. O primeiro passo foi dado, agora tem de fazer o projeto de execução, depois do projeto de execução tem de se fazer concursos públicos, tem que fazer expropriações. Até que a obra arranque ainda há um conjunto de atos administrativos, de contratação pública etc. Mas o passo importante foi dado.
Em Castelo de Paiva, o processo está ligeiramente mais adiantado. Castelo de Paiva também tem o problema da ligação, da variante A222, que há um pequeno troço feito pelo lado de Castelo de Paiva, mas falta ligar agora a Santa Maria da Feira, em Canedo. Eu recordo-me, era ainda presidente de Câmara, o traçado estava já definido, o projeto de execução está pronto. Portanto, eu penso que para Canedo, a breve prazo se lança o concurso público. O concurso público, a correr bem, leva um ano até arrancar a obra. Eu digo isto porque muitas vezes as pessoas não têm noção que a burocracia está associada a estes projetos. Lançar um concurso público daquela envergadura, que corra bem, demora um ano. E muitas vezes não aparecem concorrentes. E muitas vezes quando aparecem vão para tribunal. Portanto, há aqui todo um conjunto de burocracia que é preciso superar. Castelo de Paiva, eu diria, que se tudo correr bem, talvez dentro de 2 anos teremos a obra no terreno.
Vale de Cambra neste momento também tem a variante em Carregosa. Em termos de ligações, não é tão difícil hoje a ligação à A32, já é relativamente rápida. Portanto, penso que Vale de Cambra nesse aspeto está bem. Vale de Cambra já tem na sua componente industrial uma competitividade tremenda. Eu julgo que o maior problema de Vale de Cambra nem será o emprego, será provavelmente mão de obra para a indústria desenvolvidíssima que tem. Provavelmente terá outras necessidades, mas em Vale de Cambra o potencial industrial existente, o potencial de trabalho. Os trabalhos que foram feitos, lembro-me no último governo do PSD em Vale de Cambra que era algo que faltava a Vale de Cambra, que foi desenvolvido aquele Parque de Cidade que hoje dá ali um aspeto paisagístico tremendo.
Eu diria que até provavelmente, para os empresários, Vale de Cambra o que faz falta é mão de obra. Talvez uma formação ainda mais intensa de pessoal, altamente especializada, que muitas vezes não são licenciados, aqueles cursos intermédios, técnico-profissionais, serralheiro, eletricista, canalizador, soldador, etc. estas são as grandes profissões, porque tem uma indústria, um setor metalo-mecânico muito forte.
Nos outros dois territórios que referimos, estas ligações são cruciais e continuar a apostar no desenvolvimento económico. Quando se aposta no desenvolvimento económico, deixe-me dar esta nota, é extremamente importante, a competitividade de um território vê-se assim, as infraestruturas. Não basta dizer eu quero que venha para aqui a indústria A ou a indústria B. A indústria A vem mas quer energia, quer água, quer saúde, quer ligação à internet, quer acessibilidades. Portanto, quando nós falamos de ter um território atrativo não basta ir à procura do investigador e dizer venha para a minha terra. Quando vamos falar com eles temos de mostrar que o nosso território tem as condições que eles precisam.”
DD:Os arouquenses viram a inclusão da ligação da Variante no Orçamento de Estado, com um valor de projeto, mas sem valores nos três anos que lá estavam. É essa questão burocrática que refere que fará com que a obra ainda demore um pouco até efetivamente avançar?
ES: “Eu vou explicar isso, para quem às vezes não tem esse conhecimento técnico, é difícil compreender. Não vale a pena cativar uma verba no Orçamento de Estado quando sabemos que não vamos ter obras dentro de 2 anos. Seria um erro, porque aquelas verbas ficavam lá paradas. O que é que se faz?
À medida que o projeto de execução ou que as diferentes fazes do investimento estão a avançar, então vamos mobilizando verbas para o OE. Não faz sentido eu meter lá 30 milhões, sabendo que não vou ter obra neste ano, não vou ter no próximo, se calhar vou ter no ouro a seguir. Portanto, à medida que o projeto se desenvolve então vamos alocando investimento necessário. Podemos por 10 milhões num ano 20 milhões no outro, mas não vale a pena ter essa verba ali cativa, presa sem utilidade nenhuma no Orçamento de estado.
Quando alguém invoca: ah, não tem nada para os anos seguintes. Todos os anos nós fazemos um Orçamento. Quando chegar o momento certo, a verba entra lá. E quando o projeto arranca depois já não pode parar mais.”
DD: Mas há alguma ideia temporal de quando poderá ser?
ES: “Eu percebo essa pergunta, mas qualquer pessoa que lhe responda, corre o risco enorme de errar. Desde o procedimento de contratação pública que referi, que tanto pode demorar 1 ano como demorar 2 ou 3, basta haver litigância. Já vimos muitos concursos.
Aliás, eu penso que esta fase da Feira- Arouca, ali a Pejeiros-Escariz, houve um primeiro concurso que ficou deserto, aquilo atrasou quase dois anos o processo. Portanto, estar aqui a perspetivar uma data é arriscar completamente e podia falhar sem necessidade de o estar a fazer. Eu acho é que temos de fazer cada etapa o mais rapidamente possível e à medida que vamos ultrapassando as diferentes etapas sabemos o tempo que demora.
Pode demorar 3, pode demorar 4, pode demorar 5. Quem dizer que é dentro de dois anos, é mentiroso. Quem dizer que é 3, é mentiroso. Quem dizer que é 5 ou 6 pode falhar. Acho que não falharia, mas acho que não vale a pena estar a arriscar.”
DD: Para concluir, não posso deixar de lhe fazer esta questão. Ainda que seja bastante cedo, há uma questão que tem sido muito falada em Arouca, que é quem será o candidato do PSD, ou de uma coligação como tem sido hábito, à Câmara Municipal. Nesse sentido, pergunto-lhe se já existe alguma ideia de quando ou quem será, se ele eventualmente estará até dentro desta redação (Vítor Carvalho esteve ao lado de Emídio Sousa durante a entrevista)?
ES: “Não quero perturbar a estratégia da Concelhia de Arouca, seria incorreto da minha parte. O momento do anúncio do candidato é sempre um momento já importante da campanha política. Eu sei que Arouca tem um trabalho muito avançado.
Não tenho grande dúvidas de que, dentro de pouco tempo, será anunciado o respetivo candidato. Provavelmente não será uma grande surpresa, porque nós queremos ganhar a Câmara de Arouca e achamos que temos o candidato certo. Mas o momento e quem será naturalmente decidido pela direção de campanha e pelo próprio candidato.”

Texto: Simão Duarte
Fotos: Carlos Pinho

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