Daniela Rocha, jovem arouquense, contou-nos tudo sobre a sua entrada no mundo da música

O Discurso Directo esteve à conversa com Daniela Rocha, jovem arouquense que entrou no mundo da música ao apresentar em fevereiro o seu primeiro EP «Lullabies for Lonely People». No final desta sua primeira entrevista enquanto artista, Daniela brindou-nos com a interpretação de «Afternoons», que poderá ver aqui e nas nossas redes sociais. Partilhamos agora esta entrevista, originalmente realizada em abril deste ano (e publicada na edição impressa do nosso jornal desse mesmo mês), dado que, se há coisa que os dias de verão pedem é uma banda sonora relaxante e reconfortante, tal como o EP da Daniela Rocha transmite.

Natural da Ponte de Telhe, Daniela apresenta-se como «uma pessoa muito simples». O que mais gosta de fazer «é música, é isso que quero para a minha vida, fazer música e mostrá-la às pessoas». Prova disso também é o facto das suas músicas basearem-se nos seus sentimentos. «Eu escrevo muito, as minhas músicas são sempre baseadas em qualquer coisa que eu estou a sentir. Depois posso mudar um bocadinho o foco da música e pôr outra história e elementos mais fictícios, mas começa tudo com uma base muito honesta, que vem da minha experiência pessoal. Sempre que acordo estou a pensar em música e a pensar no que é que vou fazer. Ou, sei lá, acontece-me alguma coisa e eu penso “Caramba, isto foi mesmo triste, mas até dava uma música”», relatou-nos, confessando algumas diferenças entre a Daniela artista e a Daniela pessoa: «A Daniela artista acaba por ser assim um bocadinho mais extrovertida, mais solta, e interpreta um bocadinho mais as músicas à letra. E a Daniela real é um bocadinho mais envergonhada, muito introspetiva».

Com inspirações no indie e no rock, internacional e nacional, Daniela contou-nos como é o seu processo de fazer uma música: «É muito orgânico. Tenho uma ideia, uma melodia na minha cabeça, por exemplo. Tenho de ir imediatamente para o piano ou para a guitarra, o que quer que esteja à minha frente, e tentar desenvolvê-la. Às vezes não dá em nada, outras vezes dá uma música inteira. Ando sempre com o gravador do telemóvel também atrás. Às vezes estou no meia de uma conversa e digo “Espera só um bocado, tive uma ideia”. Começa sempre com uma ideia que me vem à cabeça. E depois é um bocadinho tentativa-erro e teimosia para conseguir acabar a música. Depois tenho 30 mil versões da mesma música e escolho a que está melhor.»

Foi na infância que surgiu o interesse pela música, algo de que sempre gostou, mas que despertou com séries que todos os jovens conhecem. «Começou quando eu vi a Floribella. Ela cantava, era atriz também, e eu pensei: “Uma pessoa pode fazer isso da vida, ter esse emprego?” Comecei a sentir interesse um bocadinho mais profundo aí. Depois via muito aquelas séries do Disney Channel, da Hannah Montana. Comecei a gostar mesmo que esta fosse a minha vida, só andar por aí a cantar.», confidenciou. A faculdade também desbloqueou o seu gosto, dado que passou a ter maior tempo para «aprofundar este gosto»: «Comecei a estudar por mim a música, tentar aprender mais acordes de guitarra. Comprava livros e via vídeos na internet a falar de teoria, de arranjos, de como se fazia música.»

Tudo sobre o EP «Lullabies for Lonely People»

Tendo bastante curiosidade pelos instrumentos, sendo que já tocou vários (guitarra acústica e elétrica, ukulele, baixo, bateria, piano, entre outros), fez uma série de covers, interpretações próprias de músicas de outros artistas, como, por exemplo, «Ain’t no Sunshine» ou «Somewhere Only We Know». Até que, na pandemia, tal como muitos artistas, teve mais tempo para trabalhar a sua arte. Foi aí que começou o seu primeiro EP.

«Eu achava que não conseguia compor músicas minhas, que dava muito trabalho, que não era muito criativa nesse aspeto. Foi na pandemia, quando me vi com aquele tempo todo, que pensei: “Agora tempo não me falta, não perco nada em aprender como é que se faz e em insistir um bocado nisso”», começou por referir, apontando de seguida que trabalhou uma música em específico durante uma semana. Trata-se da «Afternoons» (Tardes), a que Daniela escolheu para o final da entrevista: «Comecei com o refrão, foi a ideia que tive. Depois estava-me a custar muito fazer o verso. Mas continuei a insistir, porque achava que o refrão era bom. E de repente acabei a música e eu pensei: “Calma, isto aqui está ok, se calhar posso partilhar com outras pessoas”. E foi essa música que impulsionou.».

O EP segue a estrutura de um dia, passando pelas manhãs (Mornings), tardes (Afternoons), os anoiteceres (Evenings) e as noites (Nights), com base nos sentimentos que Daniela tem em cada uma dessas fases. Para quem não pôde assistir ao concerto de apresentação do álbum, podemos garantir que, para o final do ano, há uma nova oportunidade para tal. Do que pudemos ouvir, do álbum e ao vivo, garantimos que não vai querer perder o espetáculo musical desta excelente artista arouquense.

Simão Duarte

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Discurso Direto
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