«Palcos do Mundo» juntou a comunidade para um dos melhores espetáculos que a Praça acolheu

O Discurso Directo marcou presença, a 25 de julho de 2026, no espetáculo «Palcos do Mundo: Somos Todos Migrantes», tendo entrevistado vários dos intervenientes deste evento. Num equilíbrio perfeito entre o humor e a boa disposição com a seriedade necessária para se abordar as questões migratórias, a direção artística e a comunidade participante estão de parabéns, pelo belíssimo espetáculo que foi de enorme agrado dos arouquenses que assistiram ao mesmo.

Foram recordados os arouquenses que, ao longo dos anos, tiveram de deixar as suas terras e partir para outros países, quando, especialmente na época da ditadura do Estado Novo, procuravam uma vida melhor, para si e para os seus. Mas sempre com a tão portuguesa saudade no coração, um sentimento bem espelhado no tema «Sou Português Emigrante». Aí, foram mostrados testemunhos de arouquenses, entre os quais se destacou o de uma senhora que, corajosamente, ajudou pessoas a irem para França, garantindo-lhes que, à chegada, teriam um trabalho à sua espera.

Seguiram-se os testemunhos dos imigrantes que participaram neste espetáculo, a saber, 5 de nacionalidade santomense, 5 de nacionalidade ucraniana, um de nacionalidade brasileira, um de nacionalidade suíça e ainda um de nacionalidade cubana. Em vários momentos, os arouquenses que assistiram ao espetáculo deixaram-lhe sentidos aplausos, especialmente quando terminou o vídeo com esses testemunhos referidos. Existiu ainda um belíssimo e emocionante momento, quando Olga, imigrante ucraniana entrevistada pelo nosso jornal, interpretou um tema ucraniano à capella.

A poucos dias do espetáculo musical «Sons da Praça», que assinala o aniversário da inauguração da intervenção urbanística na Praça, no «Palcos do Mundo» foi recordada a antiga Praça, bem como as «papistas/estaliscas» (palistas), mãe e filha que se apresentavam na Praça todos os dias, quase sempre de vestido, durante todo o dia. Praça essa que também foi a praça de táxis, cujo telefone estava na tília da Praça mais próxima dos CTT. Tudo isto foi falado numa “conversa de vizinhas”, uma à janela e a outra na varanda do edifício onde se encontra hoje em dia a ADRIMAG, mas que, antigamente, foi a cadeia de Arouca. Nessas conversas recheadas de bom humor arouquense, ainda foram recordados outros temas da história arouquense, como, por exemplo, a lenda de que existe um túnel subterrâneo que liga a Torre dos Mouros, em Lourosa de Campos (Burgo), até São João de Valinhas.

Nota ainda para o fio condutor de todo este espetáculo, a rádio, representada por Paulo Gomes, rádio essa que contou com vários momentos publicitários. Tudo publicidades antigas, que permanecem na memória das pessoas até aos dias de hoje.

Um outro destaque foi o momento em que se imaginou ao vivo que, no ano de 2030, o FC Arouca será campeão da Liga Portugal, depois de vencer o FC Porto em casa. Festejou-se o título com êxtase e a presença de Artur Melo, um dos mais icónicos sócios do FC Arouca, cuja camisola gigante esteve presente, trazendo ainda emprestada a bandeira igualmente gigante de Luís Ferreira. Antes dos agradecimentos a todos os envolvidos, cantou-se, em viva voz, o Hino de Arouca.

Pode haver quem, até aos dias de hoje, debata vivamente a intervenção urbanística feita na Praça Brandão de Vasconcelos. Não querendo entrar nessa discussão, uma coisa é certa: este foi um dos melhores espetáculos que a Praça acolheu.

As entrevistas do Discurso Directo aos intervenientes

  • João Carlos Pinho, coordenador da ADRIMAG

Discurso Directo (DD): Para todos os que possam não ter assistido a este espetáculo, como é que o caracteriza?

João Carlos Pinho (JCP): «É a concretização de uma componente de um projeto de candidatura que nós fizemos às parcerias para a inovação social, onde o objetivo principal é nós conseguirmos a integração da comunidade migrante que veio até aos nossos concelhos, nomeadamente até Arouca, e que agora trabalham cá, sejam eles oriundos do Brasil, da Ucrânia, de São Tomé, de Cabo Verde, etc.»

«O objetivo do projeto é que nós consigamos integrar as pessoas através das artes performativas. Aqui no espetáculo em si temos imensas pessoas da comunidade arouquense e temos também imensas pessoas da comunidade migrante que agora já residem em Arouca. Qual é o objetivo principal do projeto? É conseguirmos que as pessoas, nomeadamente os mais novos, comecem a sentir-se integrados na nossa comunidade, percebam as nossas tradições, percebam a nossa cultura e sintam que Arouca e os municípios vizinhos os estão a receber de braços abertos.»

«O espetáculo em si tem duas componentes: uma componente de homenagem aos nossos migrantes, que saíram daqui das suas raízes de Arouca e foram para esse mundo lá de fora, foram para Brasil, Suíça, Luxemburgo, França, etc, e tem essa componente da despedida, do afastamento da família. E depois tem a segunda componente que é recebermos os que nos procuram, procuram no nosso território, nos nossos concelhos, melhores condições de vida.»

«Este projeto no total tem duas componentes grandes, um que abrange os concelhos de Castelo de Paiva, Arouca e Vale de Cambra, tem a ver com a integração dos imigrantes através das artes performativas, nomeadamente da música e do teatro. Neste projeto, aqui nas artes performativas, o nosso parceiro é o Teatro do Bolhão, que é uma companhia de teatro já madura, com histórico, com um historial muito grande.»

«Digamos que é essencialmente o acolhimento, porque muitas vezes nós não temos a perceção da quantidade de pessoas que já estão a viver e a residir no nosso território, mas posso-lhe dizer que em alguns agrupamentos escolares, mais de 10% são já filhos de migrantes. Posso lhe dizer que, por exemplo, em Vale de Cambra, num agrupamento com cerca de 3000 alunos, 360/380 já são filhos de migrantes, ou seja, mais de 10%, por isso, é significativo e temos que os saber acolher.»

DD: A magnitude e toda a dimensão social deste tipo de evento, de todo esse acolhimento, também ganha maior importância pelo decreto, que saiu em Diário da República no início deste mês e que a ADRIMAG congratulou, e ainda se também ganha maior importância este evento tendo em conta o panorama social não tanto daqui da Arouca, mas do país no geral, em que vemos um aumento cada vez maior das comunidades migrantes no nosso país, mas também um aumento cada vez maior de discurso de ódio, xenofobia.

JCP: «É isso que nós devíamos combater. Eu digo com orgulho que sou filho de um ex-emigrante, o meu pai também emigrou no sentido de melhorar as suas condições de vida e eu acompanhei o meu pai enquanto criança e jovem e vivi num país estrangeiro e fomos bem acolhidos.»

«É um pouco isso que nós temos que fazer no nosso país, nós não podemos esquecer que, por exemplo, em França, neste momento, existem muitos problemas com a integração da 2ª e 3ª geração de filhos de migrantes e essas dificuldades, importância que nós temos que dar à comunidade migrante, passa precisamente por sabermos acolher, sabermos receber e se nós conseguirmos acolher, para além de acolhermos a 1ª geração que vem trabalhar, se soubermos acolher a 2ª geração, integrando-os neste tipo de atividades, nomeadamente nos nossos ranchos folclóricos, no nosso teatro, nas nossas exposições, nas atividades que são feitas no dia a dia pelas nossas crianças, pelos nossos jovens, se nós os conseguirmos integrar, certamente que no futuro teremos uma sociedade mais coesa, melhor.»

«Não haverá tanto aquilo de eles e nós, porque se não houvesse pelo mundo inteiro tanto o eles e o nós, nós teríamos provavelmente uma sociedade mais fraterna. Claro que não podemos escamotear ou afastar esses movimentos radicais e xenófobos que perguntava, porque infelizmente eles existem e provavelmente vão existir sempre, mas se nós os pudermos mitigar, se os pudermos minimizar e mostrar, como está aqui já espelhado, que as pessoas se interessam por este tipo de atividades, estou certo que os migrantes que vão participar, ao sentirem-se integrados e ao verem a comunidade, os seus professores, os seus amigos, aqui assistirem ao espetáculo, certamente vão se sentir melhor, mais integrados, mais motivados e vão ver a nossa comunidade de forma diferente e não nos moldes que habitualmente se vê a comunidade de eles vivem ali, eles têm um tom de pele diferente, mas não é isso que nos interessa, o que nos interessa a nós é que as pessoas se sintam portugueses, acho que isto diz tudo, porque, se nós os tivermos connosco, estamos certos que eles se sentem bem.»

«Este projeto concretamente tem um conjunto de parceiros sociais, nomeadamente as câmaras municipais, mas o objetivo é: nós somos uma comunidade, não somos duas ou três ou cinco ou dez. Há efetivamente a comunidade das pessoas que agora vêm, a comunidade dos brasileiros, eles têm os amigos deles, mas têm que se integrar connosco, e nós queremos que eles se integrem, e se nós os conseguirmos integrar, amanhã seremos um só, e é um bocado isto que nós queremos, o projeto visa essencialmente isso».

DD: Até mesmo pela questão, como referiu e bem, de que o espetáculo e a mensagem deste chegue à comunidade, apesar de toda a exigência técnica, e mesmo até humana, digamos assim, porque são muitas pessoas que têm de ser coordenadas e também para coordenar, mais de 200. Apesar de toda essa exigência, se poderá estar a ser cogitado levar este espetáculo a outros pontos, freguesias de cada concelho?

JCP: «Levar às freguesias será difícil e eu vou dizer porquê. Este espetáculo tem uma envergadura bastante grande em termos de logística, de trabalho que está a ser feito, de participação. Aqui há uma grande participação da comunidade arouquense, que habitualmente muitos deles até colaboram na Recriação Histórica.»

«Há um pormenor bastante importante: o Teatro do Bolhão, durante os últimos três meses, fez workshops de teatro, aqui, para as pessoas da Arouca e para os migrantes também. Nós não estamos a dizer que estamos a formar, de maneira nenhuma, artista de teatro, mas estamos a colocar, eu diria, entre aspas, o bichinho do teatro também nas pessoas, para participarem. Participaram nos workshops, estão a participar nas atividades aqui, vão participar hoje no espetáculo.»

«Agora, levar o espetáculo a outras zonas do concelho da Arouca, mas posso lhe dizer que o Teatro do Bolhão fez um espetáculo, o ano passado, em setembro, em Vale de Cambra, onde a temática era semelhante e com a integração das comunidades indianas, nepalesas, brasileiras, e também vamos ter um espetáculo no próximo ano, em 2027, em Castelo de Paiva. A temática será semelhante, o Teatro do Bolhão, obviamente, vai ter outro tipo de encenação, mas é a envolvência da comunidade local, os workshops na comunidade local, com a integração dos migrantes também.»

  • Jackson (28 anos de idade), imigrante natural de São Tomé e Príncipe, e Olga (35 anos de idade), imigrante natural da Ucrânia. Ambos participaram neste espetáculo

Discurso Directo (DD): Há quanto tempo estão em Arouca e o que vos fez vir para cá?

Jackson (J): «Estou em Arouca há já 3 anos e meio e o que me motivou a vir para Arouca foi para procurar trabalho».

Olga (O): «Estou aqui há 4 anos e pouco. Nós (Olga e os seus filhos) saímos da Ucrânia por causa da guerra. Procuramos voluntários e, em Braga, deram-me contactos de uma voluntária daqui de Arouca, Ângela Vieira, e viemos para aqui.»

DD: Como é que foi, para vocês, os primeiros dias aqui em Arouca? Quais foram as primeiras impressões com que ficaram da vila e das pessoas?

J: «Quando eu cheguei, vi tudo, fui me acostumando e fui vendo que é uma vila pequena e agradável. Comparando com onde eu já passei e vivi, é um lugar muito bom e histórico».

O: «Quando nós chegámos aqui, nós não sabíamos a língua, não sabíamos nada e foi muito difícil. Aqui é calmo, é tranquilo, não tem guerra, mas não percebíamos a língua, as pessoas, não sabemos o que vamos fazer. Estávamos um bocadinho chocados.»

«No primeiro ano, as pessoas de Arouca muito nos ajudaram. Nós chegámos aqui, eu também fiz entrevista e muitas pessoas esperavam a nossa família na casa, para conhecer. Eu tenho três filhos, tive marido e eu pensava que eu preciso fazer alguma comida. Eu cheguei, entro na cozinha e tinha duas panelas com comida quente.»

«Para mim, é uma coisa que me emociona, porque eu cheguei muito cansada, eles não nos conheciam, eu também não conhecia ninguém e eles ajudaram-nos, pessoas que não conheciam. E nas primeiras semanas, meses, deram-nos roupa, tudo, porque nós chegamos só com uma mala pequena. Os meus filhos trouxeram só uma mala de escola, não cabia quase nada. E eles dão roupa, dão comida, dão tudo. Não tenho palavras que possa dizer, é muito bom.»

DD: Quais são as coisas daqui que mais gostam e o que mais gostam de fazer?

J: «Eu gosto muito daqui da vila e também da serra, também é muito bonito. E também gostei muito da comunidade. Para além de ser uma comunidade calma, também é uma comunidade acolhedora, como a Olga acabou de falar, que se preocupa com as pessoas. Se te virem na rua, cumprimentam, perguntam como estás, como foi o dia, se tem algum problema. Sente-se um calor imenso, sinto que estou em casa.»

O: «Eu gosto das pessoas, são muito abertas e muito boas. E também gosto da natureza. Aqui no centro temos muitas pessoas, mas é calmo. Por exemplo, nas grandes cidades, é mais agitado. Aqui é mais calmo, tranquilo, as pessoas mais unidas.»

DD: Falam muitas vezes com a vossa família que não está cá e se algum dia pensam trazê-la até aqui, mesmo que seja em férias?

J: «Esse é um sonho que eu tenho para realizar, porque eu tenho a expectativa de trazer a minha mãe para cá, mas só que não está a ser fácil por hoje em dia, por causa da documentação. Eu pessoalmente, que estou aqui já há tantos anos, ainda não consegui legalizar totalmente, fica um pouco complicado em trazer a minha mãe. Gostaria, porque já tenho a minha casa, tenho o trabalho, tenho aqui uma vida já estabelecida, mas só que não consigo trazê-la ainda, porque os meus documentos não permitem».

O: «Eu tenho na Ucrânia uma tia e amigos. A minha avó, ela já mora aqui comigo».

DD: No seu caso, há uma maior urgência em trazer a família para cá por causa da guerra?

O: «Sim, porque a minha cidade é na região de Donetsk, agora é a 12 quilómetros para a linha de fronteira. As últimas cidades, que ainda não estão ocupadas, da nossa região, mas a região é grande. Os filhos vieram comigo no primeiro dia, claro, porque o mais importante são eles. Depois veio a avó».

DD: Para terminar, quais são as vossas profissões?

J: «Eu faço muitas coisas, mas, neste momento, estou na construção civil, operador de máquina. Mas sou formado em muitas áreas».

O: «Eu sou especialista em marketing digital, trabalho online».

  • Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal de Arouca e da ADRIMAG

Discurso Directo (DD): Assistimos a um espetáculo com muita envolvência da comunidade. Este espetáculo, acima de tudo, define Arouca e tudo aquilo que a nossa terra tem?

Margarida Belém (MB): «Este é um espetáculo que promove a inclusão e a integração. Arouca está no mundo e recebe o mundo. Falamos do maior património, que são as pessoas. As pessoas, a saudade, a emoção, remete-nos para o século XX. Esta temática é extremamente importante e Arouca orgulha-se de ser parceiro nesta iniciativa, enquanto ADRIMAG e enquanto investidor social, porque trata-se de pessoas e do que é fundamental nos dias de hoje, que é acolher, respeitar as diferentes culturas e respeitar o ser humano. E os arouquenses que estão espalhados por todo o mundo sabem muito bem a importância da saudade, do respeito e da partilha. Arouca soube acolher e continua a acolher todos os dias. É uma comunidade que respeita e é respeitada. Nestas Montanhas Mágicas, há comunidades extraordinárias e 7 municípios que sabem acolher bem, respeitar e, através das pessoas que acolhem e destas comunidades, valorizar a sua cultura e o património.»

DD: Especialmente para si e para o Município, o vosso início deste sábado, com a inauguração, de manhã, da Casinha do Convívio no Merujal, ou seja, para lá de também já terem dado um espaço a uma comunidade mais remota, no ponto mais alto, hoje, aqui no ponto mais baixo, este espetáculo foi o culminar de tudo isso?

MB: «O Município tem desenvolvido a sua cultura de uma forma descentralizada, respeitando todas as comunidades. No vale, na serra, em Fermêdo, em Alvarenga, neste fim de semana há muitas atividades culturais a ocorrer. E sim, a nossa comunidade serrana está hoje de parabéns, porque tivemos a possibilidade de partilhar com eles um projeto que foi reivindicado e construído pela sua comunidade. Hoje temos aqui muitas comunidades à volta do nosso palco principal, a nossa Praça, em frente ao nosso Mosteiro, que é o coração de Arouca, que está sempre a pulsar. E é neste coração de Arouca que estão as 16 freguesias, que têm a sua memória e identidade de Arouca sempre presente. E eu não tenho a menor dúvida de que o FC Arouca vai ganhar um ano destes, pode não ser em 2030, pode até ser antes!»

  • Miguel Hernandez, diretor artístico do evento

Discurso Directo (DD): O espetáculo terminou há momentos. Que sensações e emoções está a viver agora?

Miguel Hernandez (MH): «É sempre um momento muito especial, quando nós conseguimos terminar um espetáculo, finalizar um processo e que foi muito participativo. Foi difícil, porque exige a disponibilidade de muita gente, são muitos grupos envolvidos e exige um esforço quotidiano. Como houve esse esforço, hoje é uma recompensa do nosso esforço. A felicidade diz tudo, as pessoas estão muito felizes, realizadas, e isso passa para todos e é o que nós levamos também».

DD: Artisticamente falando, como é coordenar um espetáculo como este, com muitas pessoas, muitas coletividades e várias comunidades?

MH: «É um desafio muito grande, porque são pessoas oriundas de vários lugares, têm diversos hábitos e culturas, também fazem artes diferentes. Os músicos têm características bem especiais e específicas, diferentes das pessoas que lidam com o teatro, diferentes das pessoas que ainda estão na escola. É muito desafiador este tipo de projeto e muito rico conseguirmos esta troca entre as pessoas, esta comunhão em torno de um mesmo tema, destino e objetivo».

DD: Este espetáculo foi uma comunhão perfeita, não só com a identidade de Arouca, mas acima de tudo a apresentação propriamente dita, num misto perfeito entre momentos de maior ligeireza, humor, com momentos mais emotivos. Como é que foi também gerir todo este equilíbrio no processo?

MH: «É sempre uma aposta, porque não sabemos se vai haver a comunicação que nós queremos, mas nós tivemos essa busca de conseguir que as pessoas compartilhassem as suas histórias. Esse foi o primeiro processo para nós e, a partir das histórias que as pessoas compartilhavam, começamos a desenvolver o guião, a nossa trajetória. Não é fácil, porque não é algo que já vem pronto, e é sempre difícil de não saber como (o público) vai reagir. Reagiram bem e aposto que reagem sempre bem quando há o empenho e a colaboração de muita gente».

Simão Duarte

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Discurso Direto
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