Vasco Seabra: “Estava muita coisa cá dentro que precisava de sair”

Após o regresso aos triunfos, algo que escapava aos arouquenses há 8 jogos (5 derrotas consecutivas), o treinador do FC Arouca, Vasco Seabra, confessou as boas sensações que o plantel sentiu com o triunfo, analisou-o taticamente e abordou o papel de Lee Hjunju e Trezza. Estas foram algumas das questões colocadas ao técnico:

Análise ao jogo e a sensação no balneário após esta vitória

“As sensações são muito boas. Não há como a água não saltar para todo lado e não se ouvir a música, e aquilo que nós fazemos que é festejarmos como equipa. Sofremos como equipa muitas vezes e, obviamente, estava muita coisa cá dentro que precisava de sair, e aquilo que mais me orgulhou teve a ver precisamente com essa parte mais negativa que está presa na equipa, e que a equipa demonstrou maturidade e uma proatividade muito grande desde o primeiro e segundo do jogo até ao último.

Antes da expulsão, nós já tínhamos tido uma jogada brilhante que não acabou em golo por uma belíssima intervenção do guarda-redes do Alverca, mas uma jogada coletiva de muita qualidade, que só uma equipa que tem um processo muito claro e que sabe o que faz consegue fazê-la, e eu acho que a nossa equipa foi, durante todo o jogo, uma equipa muito madura, muito capaz, dificilmente permitiu nada ao adversário, e criou bastante, creio que quatro ou cinco oportunidades muito claras de fazer um golo, com uma equipa que defende muito bem, que vinha muito motivada.

Relembro também que esta equipa (Alverca) também jogou com um jogador a menos contra o Vitória e ganhou o jogo, por isso parece que às vezes é fácil, porque uma expulsão aparece e as coisas parecem que são sempre muito fáceis de conseguirem resolver-se.

Mesmo com esse momento da expulsão, (o Arouca) manteve uma vontade muito grande de fazer golo, mas uma estabilidade emocional também forte para preparar a perda convenientemente, recuperar muitas bolas no momento em que a perdia, fazer uma transição muito forte.”

Análise tática do jogo, especialmente após a expulsão de Sandro Lima do Alverca

“A equipa adversária acabou por perder o jogador da frente, e acabou por passar um ala para a frente, em vez de estar a defender em 5-4-1, passou a defender em 5-3-1, mas o desdobramento atrás continuou a ser igual, portanto a dificuldade continuava a ser a mesma que era como penetrar na linha de 5.  Nós continuamos a conseguir manter o padrão à direita, é verdade que a nossa direita teve sempre capacidade para conseguir fazer duplas roturas, em timings diferentes, que dificultaram mais vezes o central do meio a ter que ir mais vezes ao corredor para nos libertar espaço, para depois podermos ou rodar ou atacar aí para podermos cruzar. À esquerda, o Pedro Santos estava a pegar mais vezes no jogo, não conseguia ter tanta envolvência de trás para a frente, tínhamos só ou o Danté ou o Naís Djoaura a fazer o movimento nesse espaço central lateral, que era mais facilmente apanhado, mas, por outro lado, no momento do cruzamento atrasado, o Pedro Santos tinha mais capacidade para o fazer, e acabou por criar até algum frisson com esses cruzamentos de segunda linha que acaba por nos dar algumas oportunidades também.

A equipa (Arouca) depois foi crescendo com o jogo, naturalmente, num ou noutro momento, alguma ansiedade para que o jogo pudesse acabar mais cedo, mas acaba o jogo fria, serena, a tentar não permitir que o adversário tivesse a bola, porque era importante ganhar. Era o mais importante de tudo, ter a baliza a zero foi uma coisa muito importante também. Festejarmos hoje muito, amanhã festejarmos muito, e terça-feira já passou. Portanto, uma vitória, três pontos, foram importantes, mas agora há um trabalho e um caminho muito longo para percorrer, porque só fizemos três pontos”

A importância da entrada do Lee Hjunju e o papel do Trezza em campo

“O Trezza estava a funcionar já desde o início como um terceiro médio, eu sei que ele não tem essas características, tem umas características um bocadinho diferentes, mas ele já estava no jogo a funcionar como um terceiro médio, mais próximo da linha atacante. Como o Alverca estava com uma linha de cinco, nós sentíamos necessidade de termos mais movimentos à profundidade para conseguirmos precisamente libertar outros espaços, para depois podermos atacar. Então o Trezza era um terceiro médio disfarçado, quase como um segundo avançado, e dávamos a largura ao Puche e espaço de dentro ao Esgaio, que é um jogador que, apesar de ser lateral, já foi médio de raiz e tem condições para poder jogar em espaços entrelinhas.

Num primeiro momento, sentimos que a equipa estava a conseguir encontrar esse espaço e a conseguir resultar com isso, logo no início da segunda parte, já ao intervalo, eu comecei a ponderar essa possibilidade, porque o Lee é um jogador que, em espaços reduzidos, é tremendo, a qualidade que tem é incrível, tenho a certeza absoluta de que, quanto mais a equipa conseguir crescer com a qualidade que pode ter com bola, mais ele vai aparecer e mais se vai notar.

O objetivo foi precisamente acrescentá-lo para que ele pudesse ser realmente um terceiro médio, mais em jogo entrelinhas e tentarmos, ao mesmo tempo, mais largura de profundidade mais por fora para que ele ganhasse espaço mais por dentro.”

Simão Duarte

Foto: Simão Duarte

sobre o autor
Simão Duarte
Discurso Direto
Partilhe este artigo
Relacionados
Newsletter

Fique Sempre Informado!

Subscreva a nossa newsletter e receba notificações de novas publicações.

O envio da nossa newsletter é semanal.
Garantimos que nunca enviaremos publicidade ou spam para o seu e-mail.
Pode desinscrever-se a qualquer momento através do link de desinscrição na parte inferior de cada e-mail.

Veja também