
FC Arouca e Estoril Praia, as únicas duas equipas canarinhas da Primeira Liga, defrontaram-se pelas 20h15 desta sexta, no Estádio António Coimbra da Mota. Separadas por apenas um ponto, o 15º e o 14º classificados partem para este duelo em momentos de formas distintos: de um lado, os arouquenses vêm de duas derrotas seguidas (situação inédita esta temporada), a Equipa da Linha está há 4 jogos sem perder, vivendo o melhor momento da época.
O plantel estorilista, comandado pelo escocês Ian Cathro, possui uma boa dinâmica e várias individualidades de destaque, contudo, há que ter especial atenção à frente de ataque, em particular a Yanis Begraoui: marcou um hat-trick na última jornada.
Trata-se também de um clube que Vasco Seabra bem conhece, pois esteve no seu comando técnico em duas fases distintas: em 18/19, pelos sub-23, e em 2023/24, na equipa principal, onde esteve próximo de vencer a Taça da Liga.
O histórico de confrontos está pautado pelo equilíbrio, mas com um ligeiríssimo pendor para o lado do Estoril: venceram 9 dos 24 duelos, enquanto 7 terminaram empatados e os arouquenses venceram os 8 restantes. Se olharmos apenas para os jogos referentes à Liga, o equilíbrio é ainda maior, com 6 vitórias para cada lado e 4 empates. Por fim, no que toca aos jogos disputados na casa do Estoril, há vantagem clara para os caseiros, que venceram metade dos jogos (4 de 8), com os restantes quatros a dividirem-se a meio entre o empate (2) e vitórias arouquenses (2).
Vasco Seabra: “Temos é que levantar a cabeça, ir em frente”
Na conferência de imprensa de antevisão à partida, o treinador do FC Arouca, Vasco Seabra, abordou o que espera do jogo e do adversário, manteve firme a confiança na sua equipa e deixou claro que ainda é cedo para se pensar no próximo mercado e em contratações para o plantel. Estas foram algumas das questões colocadas ao técnico:
“Eu acho que vai ser um jogo entre duas boas equipas. Vamos ter um adversário difícil, que também alterou a sua estrutura em termos de sistema. Também alterou um pouco os seus posicionamentos. Portanto, pode alternar entre aquilo que fazia ou aquilo que tem vindo a fazer. É uma equipa competente, que sabe o que faz, com um bom treinador que já vem do ano anterior também, bons jogadores individualmente. Portanto, é uma equipa capaz e nós vamos também com essa convicção, porque somos uma equipa capaz também.
Infelizmente, os resultados acho que não têm produzido aquilo que nós temos também vindo a fazer. A verdade é que nós sentimos essa confiança no processo e não desviamos aquilo que é o nosso sentimento em relação ao nosso valor em função do resultado positivo ou negativo. Vamos atrás dos resultados, obviamente, porque é isso que conta e é por aí que nós queremos ir e que nós queremos valorizar pelos pontos. Mas a verdade é que acreditamos muito no processo e sentimos que o processo é o que nos leva a conquistar pontos com consistência durante a maior parte do campeonato.
Sentimos que, no último jogo, por exemplo, foi um jogo que nos doeu, porque fizemos mais do que aquilo que depois o jogo nos deu no fim, mas não podemos ficar agarrados a isso. Temos é que levantar a cabeça, ir em frente e saber que vamos ter um adversário difícil e que nós somos capazes de competir com eles e de, no final, sermos nós a trazer os três pontos”.
“Ganhar é sempre bom. Não há como fugir a isso, é um chavão que vai ter sempre a mesma resposta, creio, porque ganhar é incrível. O sentimento que se tem, a forma como a gente sente que é dono do mundo, quando o jogo acaba e a gente ganha o jogo. Isso é uma coisa que não sai de nós. Mas temos que ser nós a ir à procura disso.
E nós, por exemplo, no último jogo, creio que fomos muito à procura disso. Entregámo-nos muito, demos muito de nós. Cometemos os nossos erros, queremos corrigi-los e queremos manter-nos fiéis àquilo que também é a nossa identidade de garra, de competir, de querer ganhar, de jogar para ganhar. É aí que nós queremos ir buscar a nossa força. É aí que a gente quer ir. E, portanto, como é óbvio, cada jogo que passa é sempre importante.
Nós queremos estar mais para cima. Queremos tentar chegar à primeira metade da tabela o mais rápido possível. Queríamos tê-lo conseguido no último jogo, e se tivéssemos vencido, tínhamos conseguido. Está tudo numa embrulhada muito grande em termos de pontos perante muitas equipas. E isso tem a parte boa que qualquer sequência de uma ou duas vitórias consegue puxar-nos para cima. A verdade é que temos que ser nós a ir atrás disso.
Por isso, vamos é com essa convicção de que sabemos o que estamos a fazer. A equipa tem vindo a dar mostras de coisas muito positivas. Estas duas derrotas, naturalmente, não eram aquilo que nós desejávamos. Por isso, agora temos que dar é a resposta. Não podemos ficar agarrados aos resultados. Não estão a produzir aquilo que nós fazemos em campo. Não é isso que a gente tem que se agarrar. O que é que nós temos que fazer para conquistar? E, portanto, é aí que nós estamos agarrados.”
“Estamos no início de novembro, portanto, temos dois meses com muitos jogos ainda. Portanto, não é de todo uma preocupação, nesta fase, olharmos para isso. Até porque eu tenho uma convicção muito grande que nós vamos fazer uma época muito boa no Arouca. E, portanto, isso tem a ver com os que eu tenho atualmente, não é com os que podem, eventualmente, chegar.
Tivemos um início, e não vou escondê-lo, tivemos um início com equipas difíceis. Já jogamos contra equipas que estão num patamar muito alto. E obviamente que jogar com os três grandes, jogar em Guimarães, jogar na Madeira, que é sempre um campo muito difícil de passar, jogar com o Famalicão, com o Moreirense, estão a fazer muito boas épocas. Ou seja, são tudo equipas que estão a fazer campeonatos muito bons e que têm valores individuais e coletivos muito interessantes.
Nós temos conseguido competir, tirando com os três grandes, temos conseguido competir sempre a um nível muito bom. Além do mais, não é muito habitual eu refugiar-me em absolutamente nada, porque refugio-me é no meu plantel, porque é naqueles que eu confio, que são eles. Nós tivemos alguns momentos de lesão, que nós quisemos fazer um plantel curto, e estas lesões, naturalmente, implicam uma profundidade eventualmente menor em determinados momentos, que, por exemplo, neste momento já sentimos que o plantel está praticamente todo disponível e voltamos a estar com uma força muito maior.
Nós sentimos que é uma questão de tempo, obviamente que queremos que esse tempo seja amanhã, para nós criarmos essa mesma consistência e daqui, eventualmente, a dois meses estamos a falar que se calhar temos dois ou três jogadores que podem sair, porque há muitos clubes interessados neles, temos muitos jogadores com muita valorização dentro do plantel e eventualmente um ou outro retoque.
Eu acho que os retoques acabam por acontecer em todas as equipas. Eu acho que há muito poucas equipas que não retoquem o plantel quando chega ao mercado de janeiro. Nós, mesmo que o façamos, nunca será uma revolução. Nós confiamos muito no plantel, eu sinto que tenho um plantel capaz, sinto que o processo é capaz, portanto tenho confiança naquilo que estamos a fazer e naquilo que vamos fazer.”
“(Dylan Nandín) está disponível, estava em dúvida na semana passada, mas já está disponível. Pedro Santos também está disponível. (Ausências certas) Matías Rocha e Mateo Flores. Sentimos que o Matías já está na fase final de recuperação, creio que vai integrar connosco, se não for na próxima semana, a seguir à paragem, creio que já estará disponível. O Mateo é uma lesão mais longa, estará disponível em Janeiro.”

Onzes prováveis de Estoril Praia e FC Arouca
Texto: Simão Duarte
Foto: Estoril Praia

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