
A cada ano que passa, as temporadas desportivas do futebol de alto rendimento tornam-se cada vez mais preenchida por encontros para as mais diversas provas, levando a um maior desgaste físico, o que leva a que cada vez mais jogadores sofram lesões, muitas delas com um longo período de recuperação.
Nos tempos que correm, não são muitos os totalitários das equipas e em Arouca, só há um: Nais Djouahra. O extremo francês foi o único dos 29 elementos do plantel arouquense a terminar a época tendo estado em campo em cada um dos 36 encontros disputados (34 da Liga, 2 da Taça de Portugal).
Chegou a terras de Santa Mafalda no início de julho, a custo zero, assinando um contrato válido até 2027 e, segundo o zerozero e o jornal Record, possui uma cláusula de rescisão de 7 milhões de euros. Foi o primeiro reforço para esta época (antes dele, existiram os anúncios da continuidade de elementos que já tinham estado no clube), algo que poderia indiciar, desde logo, a importância do mesmo, como veio a comprovar-se.
Na estreia, frente ao AFS, o Discurso Direto descreveu assim a sua exibição: «Djouahra esteve incansável, tanto ofensivamente como defensivamente. Encostado à faixa, mas maioritariamente no espaço interior-esquerdo, o extremo deu-se ao jogo e a sua exibição foi melhorando à medida que o tempo avançava. Assinou um bom golo, com um preciso remate em arco».
Para além do golo na estreia, voltou a fazer o gosto ao pé no empate caseiro frente ao Rio Ave (3-3), tendo feito mesmo o golo do empate, já perto do fim do jogo, com um bom pontapé à entrada da área. Marcou também, de cabeça, no empate a uma bola em Guimarães (1-1). Estreou-se no universo das assistências para golo na ida à Madeira, cobrando o canto a partir do qual Popovic fez o 1-1.
No final de outubro, foi suplente por duas vezes, tendo sido mesmo as únicas ocasiões em que não fez parte do onze inicial: na ida a Portimão, para a Taça, onde existiu alguma rotação no onze e na ida à Luz, onde Puche, que tinha bisado em Portimão, manteve-se no onze.
Na pior fase do FC Arouca, onde se registaram 6 derrotas seguidas, Djouahra foi dos poucos elementos que continuou a conseguir-se destacar, não só exibicionalmente, mas também com contribuição direta para o marcador. No eletrizante 4-3 no Estoril, bisou e um desses golos foi, garantidamente, o melhor que marcou pelos arouquenses, quando, na sequência de um pontapé de canto, rematou de primeira para fazer o 1-2. Em Fafe, quando o FC Arouca foi eliminado da Taça, foi ele quem marcou o único golo dos arouquenses, com um novo grande golo.
Só voltou a ter ligação direta aos golos em fevereiro de 2026, quando assistiu Barbero para o 2-2 na reviravolta histórica frente ao Vitória de Guimarães. Foi também o autor do 1-1 no desaire no Dragão, quando surpreendeu Diogo Costa com uma bala do meio da rua. Voltou a casar bem com Barbero na receção ao Estoril, oferecendo-lhe o 1-1 desse triunfo (3-2).
O extremo acabou mesmo por superar o seu registo da temporada transata, quando esteve no Rijeka, dado que fez mais um jogo e marcou mais um golo. No total dos 36 encontros, marcou por 7 vezes e deu 3 assistências. Números, aliados às performances dentro de campo, que certamente vão captar olhares de clubes interessados em recruta-lo.
A menor capacidade de registar contribuições diretas para golo na segunda metade da temporada tem uma explicação possível, dada por Vasco Seabra, treinador do FC Arouca, numa das últimas conferências de imprensa de antevisão da época, quando questionado sobre a, à data, possibilidade de Djouahra ser totalista: «Acho que está muito melhor, é um jogador muito mais completo atualmente. Foi um jogador que iniciou com muitos golos e assistências, na parte inicial. Em momentos duros da nossa equipa, quase que nos carregou às costas com minutos, golos e assistências, tanto ele como o Trezza. Foram dois jogadores que acabaram por nos manter sempre um bocadinho competitivos na dimensão dos jogos, porque às vezes, quase sem grandes coisas, conseguíamos fazer golos através deles».
O técnico relatou também uma conversa que teve com o jogador, instantes antes da conferência em questão. «Ainda há pouco brincava com ele também sobre isso mesmo, vinha eu, ele e o Mateo a falar sobre isso. Eu estava a dizer precisamente que ele é o jogador que, todos os jogos, tem tido minutos. E eu até lhe estava a perguntar, e não me custa nada partilhar isso com vocês, estava-lhe a dizer: Estás obcecado por marcar golos? Não te preocupes com isso, porque eu não funciono só pelos golos»
«Os golos são importantes, não vou escondê-lo, os golos e as assistências são o açúcar que depois nos dá pontos. Mas aquilo que o Nais Djouahra tem feito para o crescimento dele, torna-o um jogador muito mais completo. Ele tinha muitas dificuldades defensivas, tinha muitas dificuldades de compreensão do jogo. Era um jogador que jogava pela intuição, ou seja, por toda a qualidade individual que tem, resolvia lances e problemas pela qualidade individual. E atualmente é um jogador que se associa, é um jogador altamente comprometido. Já o coloquei a acompanhar para fechar a linha de 5 (na defesa), que era uma característica impensável quando chegou. E eu tenho a certeza que isso o vai tornar um jogador mais completo, mais capaz, porque aprendeu a fazer coisas que não gosta, e tornando isso um fator motivacional para ajudar a equipa. Portanto, o Nais Djouahra representa esse esforço para ajudar a equipa, que depois tem de se alastrar a todos os restantes companheiros», complementou o treinador dos arouquenses.
Simão Duarte
Foto: Pedro Fontes – FCA

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