
Há largos anos que, na Rua do Barreiro e Adegas, em Souselo, se repete a frase «se acontecer alguma coisa e for preciso uma ambulância…», dado que, apesar dos vários acessos, todos eles são suficientemente estreitos para impedir a passagem de uma ambulância. Foi precisamente isso que, infelizmente, se sucedeu a 14 de agosto, com o triste desfecho de que um homem, na casa dos 40 anos de idade, faleceu.
Tal obrigou a que a equipa dos bombeiros que acorreu à emergência tivesse de se deslocar a pé. A ambulância ficou no Largo do Couto, mas saiu de lá para tentar subir pelo caminho da Barroca. Como era de esperar, não conseguiu passar e teve de regressar ao Largo.
A Rua do Barreiro e Adegas liga à Rua Manuel Caetano de Oliveira, onde os acessos não permitem a passagem de uma ambulância ou de um carro do INEM. A entrada a partir da Estrada Nacional 222 é demasiado estreita em mais do que um ponto, a Rua da Galheira é ainda mais estreita e o acesso pela Rua da Barroca, que supostamente seria possível, na realidade também não permite a passagem destes veículos. Nesta zona de Souselo vivem, sensivelmente, 150 pessoas.
O Discurso Directo testemunhou no local o quão apertadas são as ruas, em que um ligeiro de passageiros passa rente às paredes das casas.
Pelo que se fala entre a população, há muitos anos, talvez mesmo há décadas, houve a possibilidade de alargar uma destas entradas. O dono de uma das casas que ficam em cima do caminho e dificultam a passagem estaria disposto a ceder parte da parede, desde que a Câmara, a Junta ou quem fosse responsável remodelasse, refizesse ou reabilitasse a casa. Essa intervenção nunca aconteceu.
Mais recentemente, outra das casas que dificulta a passagem foi requalificada ou reconstruída. Houve novamente uma oportunidade para alargar o caminho. Não resolveria o problema por completo, mas ajudaria. Existiu, de facto, um alargamento muito ligeiro, permitindo apenas a passagem a alguns carros ligeiros, mas continua a não permitir a passagem a ambulância e veículos semelhantes.
O Discurso Directo, no final do mês de agosto, procurou colocar algumas questões sobre este caso a Carlos Cardoso, Presidente da Câmara Municipal de Cinfães, numa entrevista telefónica. Em chamada telefónica, efetuada ao início da tarde de sexta-feira (15h39), dia 20 de agosto, Cláudia Monteiro, adjunta do presidente, garantiu-nos que Carlos Cardoso «entrou de férias na segunda (dia 17 de agosto) e vai estar de férias 10 dias». Certo é que, mesmo estando de férias (com base no que o Município nos transmitiu), Carlos Cardoso marcou presença na AGRIVAL e fez declarações à comunicação social.
Também nos foi transmitido que quem poderia estar disponível seria a Vice-Presidente, Sónia Soares, mas, até à data de publicação desta notícia, o Município de Cinfães não nos contactou, como prometido, para dar conta da sua disponibilidade, mesmo até depois de insistência da nossa parte por email (quarta-feira, dia 26 de agosto, pelas 8h00).
Simão Duarte

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