Vasco Seabra e o penálti para o FC Porto: “Eu se disser, vou ser castigado”

Para lá do momento-chave, o treinador dos arouquenses falou, na flash e na conferência, da abordagem tática e do desempenho de quem rendeu os ausentes

Logo após o apito final do FC Porto 3-1 FC Arouca, Vasco Seabra compareceu na flash-interview da Sporttv, tendo sido, de imediato, questionado sobre o lance da grande penalidade, que desbloqueou o encontro. Quanto a isso, Vasco Seabra pouco falou, pois estava ciente de que “eu se disser, vou ser castigado”. Ainda sobre grandes penalidades, o técnico salientou um dado estatístico factual: “Agora acho que são nove penaltis que nós temos contra, zero a favor, já tivemos tantos toquezinhos a nosso favor que não são marcados”.

Ainda sobre a grande penalidade, e questionado sobre os seus protestos aquando desse momento, bracejando e referindo que não era grande penalidade, Vasco Seabra acabou com o tema, referindo apenas “Acho que, se formos todos honestos, conseguimos ver que … pronto”.

Numa análise global ao encontro, Vasco Seabra apontou o poderio adversário, que salienta a exibição arouquense: “Isto é aquela frustração de uma equipa fantástica que defrontamos, eu tenho que reconhecer que acho que o Farioli está a fazer um trabalho fantástico, acho que o FC Porto tem uma dinâmica muito interessante, é uma excelente equipa, muito difícil de jogar, obriga-nos a uma intensidade e a um rigor posicional muito grande, tanto em termos defensivos como em termos ofensivos. Estamos a jogar num estádio que é muito complicado, por isso são muitas notas positivas para a equipa do FC Porto, e ter uma personalidade como a nossa equipa teve, vir a este estádio contra este adversário que tem estes predicados todos, e a nossa equipa a apresentar-se desta forma, serena, tranquila, a sofrer nos momentos que tem que sofrer porque é natural, mas não viemos com autocarro, não viemos querer passar tempo, não viemos querer atrasar o jogo, não viemos competir, e a nossa equipa veio competir e acho que permitiu um bom espetáculo para quem viu o jogo”.

“Ficamos frustrados quando acho que estiveram duas excelentes equipas em campo, e quando essas duas excelentes equipas estão em campo eu acho que tudo o resto tem que continuar a estar nesse nível, nós temos que dar esses saltos para que possamos todos ser mais competitivos. Eu tenho um balneário destroçado pelo resultado, mas com um sentimento de orgulho muito grande porque acho que contra uma equipa extraordinariamente difícil de sair a jogar, tivemos muita capacidade para sair, para encontrar espaços, para criar dificuldades ao FC Porto, tivemos a bola na trave, o FC Porto também tem as suas oportunidades. Obviamente, é impossível levarmos o jogo até ao fim com uma equipa destas e não termos, em determinados momentos, alguma felicidade, mas tenho essencialmente muito orgulho da equipa, uma paixão muito grande por jogarmos, e agora temos é que esquecer este jogo porque amanhã já é novo dia, e focar-nos no Famalicão”, prosseguiu o técnico.

Ainda na flash e sobre o jogo com um todo, Vasco Seabra foi questionado acerca da exibição nos dois tempos, com ascendente dividido, e da capacidade dos arouquenses discutirem o encontro, apesar das baixas. “Na 1ª parte, eu acho que nós estávamos a conseguir impedir que o FC Porto conseguisse progredir tanto, e num momento de transição, porque estávamos tão desgastados por aquilo que o FC Porto nos faz, porque o FC Porto tem qualidade no processo que tem e provoca-nos muito desgaste físico, as nossas decisões não estavam nos momentos certos sempre a acontecerem. E, entretanto, também porque a pressão do FC Porto hoje foi um bocadinho ao contrário, precisam mais vezes com o Pepe e com o Gul, havia de fazê-lo ao contrário, havia de fazê-lo com o extremo esquerdo e com o ponta, e nós demoramos um bocadinho a conseguirmos encontrar esses espaços, para conseguirmos escondermos da pressão e conseguirmos sair depois. A partir da 2ª parte, nós conseguimos encontrar muito mais espaço, o posicionamento do Diogo (Monteiro) acho que foi sempre muito difícil, para o FC Porto conseguir pressionar, e depois a mobilidade do Pablo e do Fukui acho que acabou por acrescentar qualidade para libertar mais o Nais (Djouahra) por dentro, e depois a seguir temos mais projeção. Acho que a equipa conseguiu cada vez ficar mais confortável no jogo, criou cada vez mais desconforto também ao FC Porto, tivemos logo a bola na trave, tivemos várias incursões, depois tivemos o golo”.

Conferência pós-jogo, na sala de imprensa do Estádio do Dragão

  • Análise ao encontro

“Foi um belíssimo jogo e, além de todo o belíssimo jogo que assistimos, a 2ª parte foi realmente um exemplo positivo para o campeonato. Defrontamos o 1º classificado no seu estádio, uma equipa cheia de qualidade, com um processo de jogo admirado por todos e por mim em particular. Muita bem treinada, muito difícil de bater, pressionar e de desbloquear, quando temos a bola.

Penso que fizemos uma partida muito competente, muito capaz. Criámos muitas dificuldades ao FC Porto com o nosso posicionamento e isso intensificou-se na 2ª parte, pelas dificuldades que fomos criando e pela forma como fomos conseguindo desbloquear a 1ª pressão do FC Porto e encontrar espaço entrelinhas e à profundidade. O FC Porto teve as suas oportunidades, num ou noutro momento fomos felizes por termos aguentado o jogo pela margem mínima, e isso foi levando o jogo para um patamar que nos deixou mais confortáveis e o FC Porto mais desconfortável”.

  • A arbitragem

“Depois aconteceu aquilo que toda a gente viu. Vou deixar para vocês (jornalistas), vocês são honestos nas vossas análises. A mim, o que me custa mais de tudo é a frustração da minha equipa perante tudo aquilo que fizemos. É o 9º penálti que temos contra, 0 a favor. Já tivemos inúmeros lances nas áreas adversárias, em que houve toquezinhos.

Falei disto no jogo com o Casa Pia, falo disto neste jogo, foi-nos anulado um golo contra o Gil Vicente que… enfim. São muitas situações que temos que seguir, ir em frente. Toda a gente tem falhas, nós também as tivemos, já tivemos jogos maus. A nossa administração sempre confiou em nós, nós continuamos a confiar nos árbitros, mas sinto que hoje as duas melhores equipas em campo foram o FC Porto e o FC Arouca”.

  • Sensações que ficam e se há um sentimento de amargo pelo resultado

“Fica frustração, tal como ficou frustração contra o Sporting, que sofremos aos 96 minutos. São duas equipas grandes que defrontamos e que fomos bem diferentes da primeira volta. Sinal de crescimento da equipa, também da confiança que a equipa neste momento traz, sensações positivas que nos elevam para um patamar que nos obriga a ser altamente exigentes internamente, porque agora este jogo já passou, temos que ter essas sensações positivas, mas sabê-las levar para o patamar de conquistarmos pontos. Temos 26, temos que conquistar muitos pontos até ao final da temporada, portanto o próximo jogo é em Famalicão, é nesse que agora tem que ir o nosso foco”.

  • Alteração na preparação para o jogo devido às 3 ausências e o posicionamento diferente do Trezza

“O Trezza teve um posicionamento diferente, passou para uma posição de 10, passamos o Brian (Mansilla) para fora e o Pablo, que é também um médio que tem características para poder jogar a 10 ou a 8, acabou por ser ele a jogar. Eu sei que tivemos dois médios, ou no caso três médios contando com o Trezza, de roda baixa, mas ao mesmo tempo com muita qualidade com bola, com capacidade para serem muito intensos e são jogadores que têm um entendimento do jogo também muito grande.

Hoje, o Diogo (Mansilla) jogou a titular a primeira vez na época, o Brian (Mansilla) jogou a titular a primeira vez na época, estreou-se o José Silva. São tudo motivo de orgulho pela forma como eles trabalham todos os dias, o Diogo (Monteiro) tinha pouquíssimos minutos, hoje fez 99, mais os da primeira parte 104, a um nível muito interessante, muito bom. É português, sub-20, tem todas as condições para ser chamado à Seleção, mostrou que está preparado e essas são as sensações que ficam e que nos dão orgulho”.

Simão Duarte

Foto: Abola

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Simão Duarte
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