
No final do encontro, o Discurso Directo falou com Pedro Almeida, treinador do CCR São Martinho, que fez uma leitura crítica do que se passou em Espinho. O técnico reconheceu as dificuldades da equipa na primeira parte, mas apontou o dedo ao que considera ter sido uma arbitragem “escandalosa”, garantindo que houve decisões que “não podem ser permitidas no futebol” e defendendo que a direção do clube deve apresentar protesto junto da Associação.
DD: Mister, antes de mais, pedia-lhe uma análise ao jogo.
Pedro Almeida: Em termos de jogo jogado, acho que o Espinho foi muito melhor do que nós na primeira parte. Nós estávamos preparados para a dinâmica deles. Nós sabíamos como é que o Espinho ia jogar, sabíamos perfeitamente quem eram os jogadores da equipa A que iam jogar.
Acho que não estivemos tão ativos na pressão, não estivemos concentrados na pressão. Com bola, não estávamos a ter a nossa dinâmica de jogo. Não sei se estávamos ansiosos. Tivemos uma paragem de duas semanas… não sei se foi isso que mexeu mentalmente.
Ao intervalo falei com os jogadores e corrigimos, acho que melhorámos. Acabámos por fazer o golo a jogar com menos um. Quando fazemos o golo, decidi fechar o jogo.
Depois, parece-me a mim, tenho de ver o vídeo, mas falo sem medos: há um fora de jogo escandaloso no golo do empate do Espinho e não é assinalado.
A partir daí, o jogo torna-se numa série de acontecimentos que são, no mínimo, escandalosos. Isto tem de ser falado, sim, mas tem de ser a minha direção a chegar-se à frente e protestar junto da Associação, porque isto é uma vergonha para o futebol. Quer para nós, quer para o Espinho. Expulsões, lances mal avaliados… jogadores que não fazem nada são expulsos. Faltas que não são marcadas. Ameaças constantes do árbitro.
Isto não pode ser permitido no futebol.
DD: O que é que se passou aqui no final, com esta confusão toda, vários jogadores expulsos e jogadores a abandonarem?
Pedro Almeida: O jogo já vinha com uma postura do árbitro muito marcada pela ameaça. Ameaça constante, até com os capitães, quando supostamente só os capitães é que podem falar com o árbitro. E nem isso podiam. O meu capitão ainda agora me disse: “pega na braçadeira, porque não vale a pena ser capitão”. Porque ele não o deixa falar. “Se eu falo, dá-me amarelo.”
Depois expulsa-me um jogador num lance em que ele mete a mão na bola, é cartão amarelo, sim, mas é uma bola aérea, o jogador do Espinho nem tinha a bola controlada, e havia cobertura. É impossível aquilo ser expulsão. E nem sequer fica claro se há falta marcada antes ou não, por isso é que se gerou aquela dúvida toda.
Depois expulsa-me o Paulinho, só porque ele disse que os protagonistas do encontro têm de ser os jogadores.
Expulsam o meu jogador depois de marcar uma falta ofensiva do Espinho e, a seguir, quer assinalar penálti. O que é inacreditável. Marcar uma falta ofensiva e depois querer marcar um penálti… eu não percebo isto. Isto não pode acontecer no futebol.
Eu decidi abandonar o jogo e disse aos meus jogadores para irmos embora, porque não permito que gozem com os meus jogadores. O Espinho também queria fazer o mesmo.
Voltámos para dentro de campo e o árbitro, para ser protagonista, como gosta de ser, acaba por terminar o jogo. Acho que foi isto.
É uma vergonha para Associação.

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