Uma pedra que teima em não sair do sapato: FC Arouca perdeu frente ao Casa Pia (3-2)

Esperava-se um encontro exigente, mas, depois de um 1º tempo muito aberto e cheio de golos, todo o 2º tempo foi muito amarrado e frustrante para a equipa arouquense. 3-2 foi o resultado final, favorável ao Casa Pia, que é uma pedra que teima em não sair do sapato do FC Arouca.

Em relação às escolhas iniciais, Vasco Seabra manteve o mesmo onze que operou a remontada frente ao Vitória de Guimarães. O resultado repetiu-se, mas não o desfecho.

No jogo da ação e reação, a bola parada e a rápida transição deram mão cheia de golos

O relvado estava deplorável, muito coçado e com um evidente desgaste, que levou a escorregadelas dos jogadores de ambos os lados. A par com o piso, também o vento condicionou o controlo e direção do esférico. Condicionantes a que os atletas se foram habituando e que, apesar de tudo, não impediram que se assistisse a um primeiro tempo de bom futebol.

Depois da ambientação, o primeiro lance de perigo surgiu ao minuto 11, para o FC Arouca, e culminou em golo. Na sequência de um livre, Barbero encostou de cabeça para o primeiro da partida, fruto de um excelente lance estudado pelo laboratório da bola parada arouquense. Com tudo ao primeiro toque, Kuipers e Lee combinaram, o lateral tocou para Fukui, que picou a bola para a zona de Esgaio, que tocou para Barbero encostar e fazer o 0-1. 4º golo do ponta de lança nos últimos 5 jogos e também desde a sua chegada.

Foi um tento certeiro que coroou uma boa entrada dos arouquenses no encontro, que se apresentaram nos momentos iniciais do jogo com maior predisposição e energia que o Casa Pia, ocupando mais e melhor os espaços e conseguindo vencer os duelos, apesar da exigência dos mesmos. Um panorama que se foi alterando após o 0-1, com a letalidade adversária a causar estragos em pouco tempo.

Aos 20, a primeira ameaça dos casapianos foi construída na faixa, com Larrazabal a cruzar, Livolant a cabecear e a bola a rasar o poste direito, com Osundina a chegar tarde para a emenda. É mesmo nas faixas e na rapidez que está o principal perigo do Casa Pia, que se verificou por duas vezes num espaço de 4 minutos. Aos 21, lance pela esquerda, com Abdu Conté a cruzar para o cabeceamento certeiro de Rafael Brito. 3 minutos depois, transição letal dos gansos, que começou com uma recuperação de Ofori e foi concluída por um remate de Cassiano. Em ambos os lances, a defensiva arouquense foi desmontada pelo avançado brasileiro, que teve a capacidade de arrastar a marcação e abrir espaço para ou Rafael Brito, no caso do 1-1, ou o próprio Cassiano, no lance do 1-2, romperem.

O FC Arouca procurou reagir, mas o jogo já estava mais dividido, dado que os casapianos moralizaram-se com os 2 golos marcados. Aos 38, surgiu o golo do empate, novamente de bola parada: cruzamento de Djouahra para o primeiro poste, onde há um desvio de Abdu Conté que colocou a bola na própria baliza. Sequeira tocou na bola, mas era difícil a defesa

Dois minutos depois, novo revés para os arouquenses: Fontán pisou João Goulart, mas estava de costas para o central e com o olhar fixado na bola, pelo que não existiu qualquer intenção do central ao cometer a infração. Ainda assim, o homem do apito entendeu existirem razões para assinalar grande penalidade, considerando o pisão “imprudente”. Aos 44, lá foi batido o penálti por Cassiano, que converteu com sucesso: bola para um lado, Arruabarrena para o outro.

Ainda antes do descanso, dar nota de um lance na direita do ataque arouquense onde Khaly empurrou Barbero para fora do relvado, com o avançado a derrubar sem querer o fiscal de linha. Apesar de todos os contornos, inexplicavelmente, o árbitro não tirou o cartão do bolso.

3-2 foi o resultado ao intervalo, de um encontro que tinha tudo para não ser bem disputado, mas que conseguiu contrariar as débeis condições do relvado e gerar um espetáculo bem entretido. Os da casa foram muito letais quando aumentavam a velocidade, os arouquenses foram especialmente eficazes na bola parada.

O forte vento congelou o encontro

Muito se sucedeu no 1º tempo, pouco se viu na 2ª metade. As fichas foram todas gastas nos primeiros 45 minutos e o Casa Pia, como a razão resultadista o dita, com o resultado a seu favor, instalou-se no seu meio campo e quis colocar constantemente gelo no poder de fogo arouquense.

Os Lobos entraram como se exigia, com proatividade e a conseguir ganhar o meio campo ao adversário, mas rapidamente o jogo transformou-se numa mão cheia de nada: a bola circulava para todo o lado, mas não chegava à baliza. O único lance digno de registo foi o desvio, involuntário, de Fontán à malha lateral, ao minuto 57. Desse momento em diante, nada surgiu, com os da casa a descerem e a fecharem-se em 5x2x3 e os arouquenses a tentarem abrir a muralha adversária. Se o primeiro tempo foi bem mexido, o segundo só deu para adormecer.

O sono foi interrompido no quarto de hora final: numa disputa de bola entre Esgaio e João Marques, o médio caiu na área e o árbitro apontou para a marca de grande penalidade. O VAR retificou-o, chamando-o para analisar as imagens, com o homem do apito a apontar que houve simulação. Na pausa, Vasco Seabra colocou a carne toda no assador, apostando num meio campo mais ofensivo (saiu van Ee, entrou Pablo) e Puche para a ala, em detrimento de Kuipers.

O resultado jamais se alterou, mas os arouquenses, mesmo cientes de que estava muitíssimo difícil quebrar a organização adversária, nunca desistiram. Com este resultado, os arouquenses mantém os 23 pontos e, para já, continuam no 12º lugar. Na próxima jornada, no mesmo dia e hora (sábado, dia 21, pelas 15h30), os arouquenses voltam a terras de Santa Mafalda para receber o Nacional.

Tempo de compensação: 4 minutos na 1ª parte, 6 na 2ª.

Suplentes Casa Pia:

Mandic (GR), A.Geraldes, Kaique, P.Rosas (DF), Mohamed (MD) Clau.M, Livramento, J.Marques, T.Morais (AT)

Suplentes Arouca:

Valido (GR), D.Monteiro, Popovic, Danté (DF), Yellu, Pablo (MD), Nandín, Puche, Mansilla (AT)

Ficaram de fora M.Flores, P.Santos (lesão), Vinarcik, J.Silva, M.Rocha, Fayed, Mayulu (opção)

Substituições Casa Pia:

53 – Saiu Osundina, entrou J.Marques

83 – Saíram Cassiano e R.Brito, entraram Livramento e Mohamed

90+2 – Saiu Livolant, entrou Clau.M

Substituições Arouca:

67 – Saíram Barbero e Trezza, entraram Nandín e Mansilla

83 – Saíram Esgaio, van Ee e Kuipers, entraram Puche, Pablo e D.Monteiro

Arbitragem:

Diogo Rosa, Vasco.M, André.B e José.R. No VAR, Rui Oliveira e Tiago.L

Disciplina Casa Pia:

Cartão amarelo a Sousa (10), Larrazabal (36), Khaly (56), Cassiano (73), J.Marques (79)

Disciplina Arouca:

Cartão amarelo a J.Sánchez (6), Arruabarrena (79)

Onzes iniciais de Casa Pia e FC Arouca

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

sobre o autor
Simão Duarte
Discurso Direto
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