Em dia de aniversário, Lee dá ao Arouca a prenda dos três pontos (3-2)

Inverteram-se os papéis no Arouca x Vitória de Guimarães da noite deste sábado, já que não foi o aniversariante Lee Hjunju a receber a prenda, mas sim a dá-la: graças ao seu golo, os arouquenses consumaram a reviravolta no encontro (3-2) e conquistaram a vitória, algo inédito neste 9º encontro entre arouquenses e vitorianos no Estádio Municipal de Arouca para a Liga.

No que às escolhas dos treinadores diz respeito, Vasco Seabra manteve o mesmo onze que venceu em Vila do Conde.

Ao (dis)sabor do vento

As duas equipas esperavam um jogo exigente, não só taticamente, mas também climatericamente. A chuva, tocada pelas fortíssimas rajadas de vento que se fizeram sentir em terras de Santa Mafalda, tanto condicionaram como ajudaram: com o Vitória a jogar a favor do vento, desde cedo os vitorianos se mostraram mais confortáveis em campo, tendo sido dominantes durante quase todo o primeiro tempo, estando maioritariamente instalados no meio campo adversário, perante um Arouca que bem tentava jogar mais direto, mas sem sucesso.

Ainda assim, existia um outro fator comum às duas equipas: ambas tiveram bastantes dificuldades em rematar, começando apenas a tomar-lhe o gosto após ensaiarem o primeiro tento. Com naturalidade, os conquistadores colocaram-se na frente do marcador. A primeira chance de grande perigo surgiu aos 26 minutos, num lance onde Camara atirou para defesa de Arruabarrena e Nélson Oliveira, na sobra, rematou contra Javi Sánchez. No canto que se seguiu, houve um primeiro remate ao poste, após o qual surgiram uma série de bolas e carambolas, com a bola a terminar nos pés de Saviolo, que só teve de encostar.

Quatro minutos depois, o extremo vitoriano do lado oposto fez o 0-2. Samu aproveitou alguma passividade da marcação adversária, recebeu solto no centro e tocou com conta, peso e medida para isolar Camara na cara do golo, com o camisola 19 a tocar para o fundo das redes.

Os arouquenses tinham de crescer para reentrarem em jogo e foi precisamente isso que sucedeu na reta final do primeiro tempo. Numa primeira instância, a reação foi bastante tímida, mas, na reta final, como diz o ditado, quem espera, sempre alcança. À entrada para o último minuto da compensação, Jose Fontán enviou a bola para as costas da defensiva adversária, onde Trezza, bem vivo, aproveitou a falha clamorosa na abordagem de Miguel Nóbrega e reduziu a desvantagem, relançando os arouquenses na discussão do resultado.

E por falar em discussão, dar nota de que o primeiro tempo terminou com uma discussão no túnel, entre jogadores das duas equipas, algo rapidamente sanado. Mas, ainda assim, foi reflexo de uma arbitragem dúbia no primeiro tempo, com vários lances a exigirem forte contestação dos bancos das duas equipas.

Quem fica à chuva, molha-se!

Há vários ditos populares para esta altura do ano e um dos mais badalados é «Quem fica à chuva, molha-se!». É precisamente assim que se pode caracterizar o arranque do segundo tempo, já que o Vitória de Guimarães tinha a vantagem do marcador e deixou-a escapar, perante um Arouca claramente galvanizado pelo golo no final do primeiro tempo. Foi precisamente o autor do golo dos Lobos, Trezza, que tentou o 2-2 nos primeiros minutos, com um remate à meia volta que passou a rasar o poste esquerdo. Também Fukui tentou a sua sorte, com um forte disparo à meia volta, que passou bem perto.

Ao terceiro disparo, foi de vez: cruzamento de Djouahra num canto pela esquerda do ataque arouquense e Barbero subiu aos céus, cabeceando para o golo do empate. Terceiro golo do avançado nos últimos 4 golos. Acima de tudo, um golo que recompensou justamente a boa entrada dos arouquenses, perante a qual os vitorianos demoraram a responder: com maior agressividade, os Lobos de Arouca conseguiram ganhar mais vezes a luta a meio campo (o total oposto do que sucedeu no primeiro tempo) e, com isso, ter mais bola e subir uns metros no terreno.

E ainda que os vitorianos tenham iniciado a reação ao golo do empate, sentia-se que eram agora os arouquenses por cima e quem mais perigo conseguiam criar. A toada de jogo, ao contrário da do vento, não enganou: remate forte, à entrada da área, de Trezza, com Charles a não conseguir agarrá-la, entregando de bandeja a Lee Hjunju o 3-2, com o médio ofensivo, que fez anos hoje, a encostar para a consumação da reviravolta.

Com este triunfo, os arouquenses reduzem a sua desvantagem pontual para com as equipas do meio da tabela, distanciam-se das do fundo, e conquistam a segunda vitória consecutiva, somando agora 23 pontos. Na próxima jornada, vão deslocar-se a Rio Maior, para defrontar o Casa Pia (15h30 de sábado, dia 14 de fevereiro).

Espetadores: 1355

Tempo de compensação: 2 minutos na 1ª parte, 7 na 2ª.

Suplentes Arouca:

Valido (GR), Popovic, D.Monteiro, Danté (DF), Pablo, Yellu.S (MD), Puche, Mansilla, Nandín (AT)

Ficaram de fora P.Santos, Mateo.F (lesão) Vinarcik, José.S, M.Rocha, O.Fayed, Mayulu (opção)

Suplentes Vitória SC:

Castillo (GR) T.Balieiro, Lebedenko (DF), M.Nogueira, Mitrovic, Zeega (MD), Arcanjo, Ndoye, F.Blanco (AT)

Substituições Arouca:

78 – Saiu Barbero, entrou Nandín

84 – Saíram Trezza e Lee, entraram Mansilla e Pablo

88 – Saíram Djouahra e Fukui, entraram Puche e Yellu.S

Substituições Vitória SC:

Intervalo – Saiu Samu, entrou Mitrovic

66 – Saiu Camara, entrou G.Silva

78 – Saíram B.Mukendi e N.Oliveira, entraram Arcanjo e F.Blanco

86 – Saiu J.Mendes, entrou Lebedenko

Arbitragem:

Miguel Fonseca, André.D, João.M e Vítor.F. No VAR, Ricardo Moreira e Jonathan.B

Disciplina Arouca:

Cartão amarelo a Kuipers (53)

Disciplina Vitória SC:

Cartão amarelo a Samu (21), B.Mukendi (73), D.Sousa (83), Abascal (88)

Os onzes iniciais de FC Arouca e Vitória de Guimarães

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

sobre o autor
Simão Duarte
Discurso Direto
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