Deputado municipal Pedro Bastos denuncia a falta de ação municipal para com os pastores: “A Serra da Freita não precisa de propaganda, precisa de ação”

A propósito do mais recente nevão que se fez sentir nos pontos mais altos do concelho de Arouca, o deputado municipal pelo CDS-PP, Pedro Bastos, deslocou-se à Serra da Freita e publicou, nas redes sociais, um texto e várias fotografias que denunciam o que este considerou ser um cenário “duro”.

Intitulado “Serra da Freita: quando a propaganda não chega ao planalto”, o texto denuncia a falta de ação municipal para com os pastores e a Serra da Freita.

“Onde em tempos existiam vários produtores, vários rebanhos e vários pastores, restam hoje apenas dois. Cada um com cerca de 200 cabras e algumas vacas arouquesas. Dois homens cansados. Dois homens desmotivados. Dois homens que me disseram, sem rodeios, que assim não aguentam muito mais.

Existem alguns apoios, é verdade, mas são parcos, burocráticos e claramente insuficientes para as dificuldades reais que enfrentam diariamente. Sentem-se afastados das decisões, pouco acompanhados no terreno e praticamente sozinhos quando surgem problemas.

As instalações são precárias. Os currais degradados. As aldeias envelhecidas e quase vazias. Vi telhados a cair, casas abandonadas, caminhos cobertos de neve. Vi uma senhora octogenária ter de abrir um rego nas escadas para conseguir ir buscar lenha, mantimentos e tratar do pouco gado miúdo que ainda tem. Isto não é poesia rural. Isto é sobrevivência”, começou por referir.

Apontando que, sem os produtores, não há “carne local”, “território cuidado” e “aldeias”, Pedro Bastos referiu ainda a falta de proteção para com o lobo ibérico, mais um motivo que, aliado, por exemplo, às medidas “insuficientes, tardias e desligadas da realidade” levam a que sejam cada vez menos os produtores: “Ouvi relatos de ataques do lobo ibérico, espécie que deve ser protegida, mas sem que o Estado garanta respostas eficazes aos prejuízos causados. Um dos pastores espera há quase dois anos por indemnizações. Dois anos. Assim não se protege o lobo. Apenas se empurra quem trabalha para a desistência.

Há regulamentos, há programas, há candidaturas, há fundos comunitários. Mas no terreno quase nada chega de forma estruturada. As medidas que surgem são insuficientes, tardias e desligadas da realidade. Falam em incentivos à produção de ovinos e caprinos, mas não apoiam seriamente a renovação das instalações por exemplo. Falam em modernização, mas não acompanham os produtores. Falam em fixar jovens, mas não criam condições mínimas para isso acontecer. Resultado? Um setor em declínio acelerado.

E depois admiram-se que cada vez haja menos produção local, enquanto os supermercados se enchem de carne que percorreu milhares de quilómetros, produzida sabe-se lá onde, como e em que condições.”

Por fim, Pedro Bastos considerou ser urgente a criação de “políticas municipais reais de apoio à pastorícia”, tais como “acompanhamento técnico próximo, incentivos à renovação das explorações, apoio à modernização, articulação eficaz com os serviços do Estado, pressão política para resolver rapidamente as indemnizações dos prejuízos causados pelo lobo, e medidas concretas para atrair jovens”.

Simão Duarte

Foto: Pedro Bastos

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Discurso Direto
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