“Regresso ao Passado” com Marco Soares: “O FC Arouca tem mostrado ao longo dos anos que sabe superar adversidades”

Num passado recente, um dos nomes que passou por três diferentes gerações de plantéis do FC Arouca foi Marco Soares, médio cabo-verdiano que ingressou nos arouquenses na época 2019/20, de subida do Campeonato de Portugal, e só deixou os arouquenses na temporada 21/22, de manutenção na Primeira Liga, tendo vivido duas subidas consecutivas. O antigo médio foi o entrevistado da rubrica “Regresso ao Passado”, da Revista Lobos, do FC Arouca.

A chegada ao FC Arouca proporcionou-se por quatro razões: a sua condição contratual no CD Feirense, o desejo de permanecer em Portugal, manter-se nas convocatórias da seleção de Cabo Verde e a proposta que Joel Pinho lhe apresentou. “Quando aceitei ir para o FC Arouca, sabia que muitos iam olhar como um passo atrás, mas, para mim, foi exatamente o contrário. Eu só queria jogar para poder estar selecionável para a seleção, porque eu estava a treinar à parte no Clube Desportivo Feirense. Isto porque, a três dias do fecho do mercado, disseram que não iam contar comigo. Tinha a possibilidade de regressar ao Chipre, mas queria continuar em Portugal. Foi aí que apareceu o FC de Arouca, com um projeto ambicioso e eu acreditei que tudo podia dar certo. O contacto surgiu através do Joel Pinho, que já conhecia o meu perfil (que dizia que era de líder) e acreditava que eu podia ir acrescentar essa experiência e liderança”, referiu.

Marco Soares apontou mesmo que Joel Pinho foi importante, não só por tê-lo convencido a juntar-se ao projeto do FCA, mas também por ser “uma oportunidade de reconstrução e de provar que ainda tinha muito para dar. Recordo-me que ele foi ter comigo a Santa Maria da Feira e disse-me duas coisas: que não saía de lá sem eu aceitar e que íamos subir de divisão dois anos seguidos. Tanto que me fez um contrato por objetivos com renovação automática de mais anos, em caso de subida, porque acreditava que íamos subir novamente no ano seguinte e que eu ainda ia jogar novamente na Primeira Liga”.

Na época da sua chegada, a temporada 2019/20, os arouquenses estavam na Série B do Campeonato de Portugal, que continha 18 equipas, entre as quais alguns históricos do futebol nacional. À 25ª jornada, os arouquenses seguiam plenos na liderança, com 8 pontos de vantagem para com o 2º classificado. Contudo, a pandemia de COVID-19 a nível mundial levou à interrupção da prova, uma altura que foi confusa para os jogadores, como relatou Marco Soares, que viveu esses momentos: “Os dias que se seguiram à interrupção do campeonato, devido à pandemia, foram dias muito estranhos. Ninguém estava preparado para ver um campeonato ser interrompido daquela forma. Havia muita incerteza, dúvidas e ansiedade…, mas também uma sensação de que estávamos a fazer um grande percurso até ali. Lembro-me de treinarmos em casa, via Zoom, pois não sabíamos se o campeonato ia começar novamente e falávamos muito acerca disso. Foi um período emocionalmente intenso”. No final, a decisão administrativa ditou a subida dos arouquenses, mas Marco confessou o desejo “de que queríamos ter subido a jogar, porque teria um sabor diferente e acreditávamos que tínhamos a melhor equipa. Estávamos muito bem, o plantel era bom e a probabilidade de termos o mesmo desfecho era grande”.

Na Segunda Liga, confessou que o objetivo inicial não era as duas subidas consecutivas: “Sinceramente, a princípio, uma segunda subida de divisão consecutiva parecia mais um sonho distante que uma realidade. Estávamos mais focados em garantir uma estabilidade dentro do plantel e do clube, de consolidar a equipa e começar por somar os pontos necessários para garantirmos a permanência na Segunda Liga o mais rapidamente possível”. Mas à medida que os jogos foram sendo disputados, os arouquenses foram-se aproximando dos lugares de subida. Um empate em Vizela, à jornada 25, foi o volte-face necessário para os arouquenses passarem do 6º lugar para o 3º, conquistando a chance de disputar o play-off de subida. “Acredito que o principal fator para esta mudança de chip e o início de uma sequência histórica de vitórias foi a mentalidade do grupo. Treinávamos muito bem. O nosso mister Armando Evangelista fez-nos acreditar que a subida à Primeira Liga era possível e isso ajudou-nos porque tínhamos um balneário realmente muito forte. Recordo-me de uma frase que ficou guardada para a vida, em que ele dizia que “quando se junta tanta coisa boa junta, não podia deixar de acreditar de que podíamos fazer algo especial, que era a subida”. No jogo em Vizela, que acabou empatado, no final do jogo, no balneário, assumimos um compromisso entre jogadores que, até ao final da temporada, só podíamos ter um deslize. Sabíamos que era difícil, mas cada vitória foi alimentando a seguinte e tínhamos a sensação que podíamos vencer qualquer jogo”.

Com 9 vitórias consecutivas após esse encontro, os arouquenses conquistaram o acesso ao play-off de subida e amassaram o Rio Ave, por 5-0 (agregado das duas mãos), tendo dominado ambos os encontros.

Já na Primeira Liga, foi conquistada a manutenção, a custo, dado o aumento da exigência. “A permanência na Primeira Liga, na temporada 2021-2022, foi, sem dúvida, a mais custosa. É óbvio que é bastante mais complicado lutar para não descer do que lutar para subir, pois a pressão é naturalmente diferente. tínhamos uma base na Primeira Liga de, mais ou menos, dez jogadores que estavam juntos desde o Campeonato de Portugal. A Primeira Liga exige regularidade e maturidade. Houve momentos mais delicados, jogos em que o detalhe fazia a diferença. Mas foi também a temporada em que talvez mais crescemos como equipa. Garantir a permanência naquele ano teve um sabor especial exatamente porque foi muito dura a temporada. Mas foram anos fantásticos, onde vi um crescimento incrível de vários jogadores, que se valorizaram e foram para outros voos e renderam dinheiro ao clube”, comentou.

Por fim, e numa comparação entre essa manutenção e o cenário atual dos arouquenses na corrente temporada desportiva, Marco Soares acredita fielmente que a temporada será concluída de forma positiva: “O FC Arouca tem mostrado ao longo dos anos que sabe superar adversidades. A chave estará na estabilidade emocional, na mentalidade competitiva e na união interna. O Clube, os jogadores e os adeptos devem remar todos para o mesmo lado e vão se tornar mais fortes, porque há qualidade individual no plantel para dar a volta a situação e terminar a temporada de uma forma positiva”.

Simão Duarte

Foto: Pedro Fontes – FCA

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