8.º Encontro de Vozes em Moldes. Manter a tradição, combater a solidão

O Conjunto Etnográfico de Moldes promoveu, no dia 23 de novembro, na Igreja Matriz de Moldes, o 8.º Encontro de Vozes, um evento que, edição após edição, continua a manter vivas as memórias, a tradição e a herança do canto popular polifónico. Este ano, a iniciativa contou com a participação de grupos informais e de grupos organizados em contexto associativo.

“Isto era a voz da mulher num tempo sem voz”
A tarde chuvosa não foi razão forte para impedir a presença da comunidade, que compareceu em bom número para assistir ao 8.º Encontro de Vozes em Moldes. Ao longo de duras horas, diversos grupos deram corpo e voz a este evento, nomeadamente com atuações do Conjunto Etnográfico de Moldes, dos alunos do Polo Escolar de Moldes integrados no projeto educativo “Botar Cantas na Escola”, desenvolvido pelo Museu Municipal em parceria com o Conjunto Etnográfico de Moldes, bem como das Cantadeiras de Regoufe, dos Cantares do Merujal, do Grupo de Folclore Terras de Arões (Vale de Cambra) e das Cantadeiras de S. Martinho de Crasto (Ponte da Barca).

Vestidas a rigor, com as vestimentas tradicionais, estas mulheres são fonte de inspiração, preservando histórias. Tal como foi referido durante a apresentação do Grupo de Folclore Terras de Arões, “isto era a voz da mulher num tempo sem voz, em que não era dado às mulheres o reconhecimento do seu valor como pessoa”. O encontro terminou com um momento que reuniu todos os grupos participantes para uma última atuação.

“É importante que consigamos prolongar a vida às cantas e ao canto popular polifónico”
Em declarações ao Discurso Directo, Sandra Gomes, membro da direção do Conjunto Etnográfico de Moldes, destacou a importância e o impacto social e cultural deste encontro. “O que nós pretendemos com este evento é, no fundo, trazer à cena todos e todas aquelas que ainda sabem este saber e estes cantares. Por um lado, trazemos aqui grupos organizados em contexto associativo, que é o caso do grupo de Moldes e do grupo de Arões, mas também grupos mais informais de mulheres de diferentes aldeias, que antes tinham no cantar uma das vivências do quotidiano”, começou por referir.

Muitas destas mulheres vivem afastadas do centro, enfrentando diariamente a solidão. Sandra Gomes explicou que um dos objetivos desta iniciativa passa precisamente por ser uma forma de modificar essa situação. “Quando começamos a convidar para virem ao evento, (estas mulheres) começaram a juntar-se e tudo isso traz uma outra vertente, mais social, de quebrar o isolamento, de elas se juntarem e voltarem a lembrar-se das cantas”, sublinhou.

“Chamar a atenção que é necessário preservar e valorizar este património e, por outro lado, ir buscar as senhoras das aldeias que já não cantam para elas lembrarem e voltarem a cantar, porque é aí que também está a riqueza deste património”, acrescentou. Contudo, são os mais novos que têm o poder de assegurar o futuro. Em relação ao canto popular polifónico, como é que isso se pode materializar? Através, por exemplo, do projeto educativo “Botar Cantas na Escola” que pretende valorizar essa manifestação cultural.

Sandra Gomes afirmou que “Moldes começou logo no primeiro ano de experiência piloto, sendo que este é o quarto ano letivo” e que o grupo de Moldes “manteve-se sempre ao lado destas crianças para lhes transmitir este património e estas cantas”. Por fim, expôs a relevância de prosseguir este caminho de salvaguarda do património: “É importante, porque queremos que estes meninos e meninas cresçam, continuem a cantar e que, dessa forma, consigamos prolongar a vida às cantas e ao canto popular polifónico”.

O 8.º Encontro de Vozes foi uma organização do Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses, com o apoio do Município de Arouca, da Junta de Freguesia de Moldes e da Paróquia de Santo Estêvão.

Fotos: Carlos Pinho

sobre o autor
Sofia Brandão
Discurso Direto
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