
Desde segunda-feira, cerca de 40 trabalhadores da Controlfactor Belém Lda., empresa de calçado situada na zona industrial de São Domingos, em Arouca, mantêm uma vigília permanente à porta da fábrica. A situação de incerteza e preocupação surge após a administração ter anunciado a entrada num processo de insolvência.
Os funcionários, que não receberam o salário de julho nem o subsídio de férias, permanecem sem acesso à documentação necessária para requerer o subsídio de desemprego, deixando-os, desta forma, numa posição de profunda vulnerabilidade. Neste leque, encontram-se alguns trabalhadores jovens com poucos meses “de casa”, mas também outros que acumulam duas décadas de trabalho ininterrupto, onde se incluem mães, pais e avós que sustentam as suas famílias.
O Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria do Calçado, Malas e Afins (SNPIC) refere que a empresa “apresentou-se à insolvência sem antes proceder ao despedimento formal dos trabalhadores”, sem comunicar à Segurança Social e sem fornecer os documentos indispensáveis para que estes trabalhadores possam aceder aos apoios sociais a que têm direito, nomeadamente a inscrição no Centro de Emprego e apoios por parte do Estado.
“Não compreendemos como é que uma empresa que sabia que ia fechar não se preparou minimamente para proteger quem a serviu durante anos. Isto é uma opção deliberada. Uma forma de empurrar os trabalhadores para o vazio, para a dependência de um administrador judicial que pode demorar semanas ou meses a regularizar a situação, se alguma vez o fizer”, apontou a presidente do SNPIC, Fernanda Moreira.
O sindicato já se reuniu com a administração da Controlfactor Belém, que alegou não ter condições financeiras para pagar os salários de julho, bem como o subsídio de férias devido “a dívidas com a Segurança Social”. Além disso, a empresa estará a aguardar que o futuro gestor judicial disponibilize a documentação para que os trabalhadores possam solicitar o subsídio de desemprego e apoios necessários, postura que o sindicato considera incompreensível.
Como anteriormente referido, os trabalhadores têm permanecido no local, desde o início da semana, para proteger os bens, impedindo que estes sejam retirados pela administração ou por terceiros, enquanto reivindicam o cumprimento dos seus direitos.
O SNPIC explica ainda que contactou a Câmara Municipal de Arouca, sendo que a mesma afirmou estar a par do caso, estando “a prestar auxílio a alguns trabalhadores”e mostrando-se “disponível para os atender individualmente para encontrar soluções de apoio social”. Enquanto não existirem respostas, o sindicato promete manter-se na linha da frente, defendendo “o património, os postos de trabalho, e sobretudo, a dignidade de quem trabalha”.
Foto: D.R

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