
De acordo com as declarações recentes dos dirigentes dos partidos com assento parlamento, tudo indica que a Moção de Confiança ao Governo, que será discutida e votada hoje (terça-feira, dia 11 de março) à tarde (pelas 15h00), vai ser chumbada, pelo que os portugueses serão chamados às urnas novamente, num cenário de eleições antecipadas. Todos os partidos da oposição, com exceção da Iniciativa Liberal, anunciaram o voto contra, ou seja, o chumbo.
Trata-se da 12ª moção de confiança apresentada ao Parlamento em democracia. Caso se verifique o cenário expectável, o atual Governo de PSD e CDS-PP, liderado por Luís Montenegro, vai ser o segundo a cair nestas condições. O primeiro foi o Governo do PS de Mário Soares, em 1977, o I Governo Constitucional. Marcelo Rebelo de Sousa já indicou os dias 11 ou 18 de maio como as datas possíveis para as eleições legislativas.
Ontem à noite, Luís Montenegro foi entrevistado em S.Bento pela TVI e descartou a possibilidade de retirar a moção de confiança. “Eu creio que isso não faz sentido, sinceramente”, começou por referir acerca dessa possibilidade. Montenegro também descartou uma possível demissão, afirmando “eu não me demito, porque não tenho razão para me demitir. No momento em que eu tiver a consciência de que há uma razão para que deva cessar funções, ninguém precisa de me apontar a direção da porta, porque eu saberei fazer essa leitura”.
Sobre a empresa Spinumviuva, o epicentro desta crise, Montenegro procurou ser perentório: “Não faço, não fiz, não vou fazer fretes a ninguém. Não tirei nenhum benefício desta empresa, não é desde que sou PM, é desde que sou presidente do PSD”. Quanto às acusações da Oposição relacionadas com a empresa, e a propósito também do pedido do PS para uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), Montenegro referiu que “a Oposição vai ter uma surpresa grande, porque aquilo que quer encontrar, porque é aquilo que anda a lançar para o ar em termos de suspeição, não vai encontrar”.
Da entrevista de quase uma hora, destaca-se ainda a altura em que o atual Primeiro-Ministro admite, parcialmente, que possa ter estado mal durante todo este caso: “Se calhar cometi alguns erros (…) Se calhar, podia ter correspondido a ímpetos, ter feito intervenções mais vezes. Mas cada um tem o seu estilo, eu tenho o meu. Entendi que devia responder no Parlamento perante a solenidade de duas moções de censura”. Nota final para o facto de que Luís Montenegro admitiu ser candidato a eleições ainda que possa vir a ser constituído arguido. “Avanço com certeza”, afirmou.
Texto: Simão Duarte
Fontes: DN, Público, RTP, TVI/CNN Portugal

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