Apagão, Spinumviva e críticas ao Governo marcaram a última semana política

Apagão motivou críticas sobre a gestão

O apagão, que afetou a Península Ibérica na passada segunda-feira, resultou em muito mais do que apenas a falta de eletricidade no país. Como seria de esperar, a forma como toda a situação foi gerida transpôs-se em críticas por parte da oposição. Também dentro do próprio Governo, as posições não seguiram sempre a mesma corrente.

Castro Almeida, ministro Adjunto e da Coesão Territorial, começou por referir, em declarações à RTP3, que a probabilidade do apagão se dever a um ciberataque não podia ser descartada: “Há essa possibilidade, de facto”, admitiu. Por outro lado, o Ministro da Presidência, Leitão Amaro, revelou à Renascença que “o problema é europeu e tudo aponta para que a origem tenha a ver com questões técnicas”.

Na quarta-feira, o Castro Almeida confessou que, no dia do apagão, a Maternidade Alfredo da Costa só tinha combustível destinado aos geradores para apenas uma hora. Quando esta informação chegou ao Conselho de Ministros, que esteve reunido durante horas, uma das soluções passava por ordenar aos motoristas dos ministros que levassem o combustível que tinham nos automóveis para a unidade hospitalar.

Os partidos, por sua vez, não ficaram imunes e criticaram a ação (ou inação) do executivo liderado por Luís Montenegro. Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, começou por referir que “O Governo tem falhado. Não está à altura de enfrentar crises e situações imprevistas.” Além disso, acusou o primeiro-ministro de fazer “propaganda”, em vez de se focar na resposta a dar aos problemas. O líder socialista acrescentou ainda que “é nas dificuldades que se avalia a verdadeira liderança e ontem não a tivemos”, expondo que Luís Montenegro falou “ao início da tarde”, mas que “não disse nada de relevante”. André Ventura, presidente do Chega, acusou o executivo de ter falhado na gestão e de ter tentado “maquilhar” os factos por ter anunciado que não tinha havido mortes.

Spinumviva voltou a estar na ordem do dia

O caso Spinumviva mostrou estar ainda bastante vivo. Na passada terça-feira, Luís Montenegro entregou uma declaração de substituição no Portal da Transparência, onde passaram a constar as outras empresas para as quais trabalhou. A novidade, portanto, está na identificação de sete novas companhias. Entre elas, destacam-se duas do Grupo Joaquim Barros Rodrigues e Filhos, principal cliente da Spinumviva em faturação: Rodáreas (Felgueiras-Lousada) e Rodáreas (Viseu). As restantes empresas são a Portugalenses Transportes (Vila Nova de Gaia), a Beetsteel (Braga), a ITAU – Instituto Técnico de Alimentação Humana, a Sogenave, a INETUM Portugal e a Grupel SA (eletrogeradores, Vagos).

O Observador avançou que Delgado Alves assumiu ter acedido, numa reunião no Parlamento, a esta informação que o primeiro-ministro enviou à Entidade para a Transparência e que partilhou a mesma com Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda.

Perante isto, Hugo Carneiro, deputado do PSD, sugeriu que a Polícia Judiciária verificasse o registo das chamadas telefónicas dos deputados para identificar a fonte jornalística que divulgou a esta nova declaração de interesses. O Sindicato dos Jornalistas rapidamente emitiu uma declaração, onde recordou a legislação em vigor e repudiou as palavras do social-democrata. “O SJ solicita aos deputados e governantes que estudem os preceitos legais que regem a vida em sociedade antes de fazerem declarações que são contrárias à legalidade. O que está sobre sigilo são as fontes de jornalistas ao cobrir temas de inegável interesse público (…) Atacar as funções dos jornalistas é indigno de um representante político. O SJ, repetimos, condena este condicionamento do escrutínio aos poderes públicos.”, pode ler-se no comunicado.

Debate AD-PS com acusações mútuas

No derradeiro debate televisivo, que opôs Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, os líderes discutiram assuntos como a imigração, a habitação, a saúde e a economia. O caso Spinumviva foi também abordado, uma vez que a nova declaração de interesses foi conhecida poucas horas antes do frente-a-frente. Os temas provocaram acusações mútuas de aproveitamento e autoridade moral. Recorde-se que o debate estava agendado para segunda-feira (dia 28 de abril), contudo foi adiado devido ao apagão geral, um tema que também esteve no centro da discussão.

Celebrações conjuntas do 25 de abril e 1º de maio contaram com Tony Carreira

As celebrações do 25 de abril e do 1ºde maio tiveram lugar nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro (Palácio de São Bento) e contaram com a presença de Tony Carreira. Durante o concerto do cantor, Luís Montenegro subiu as escadas e cantou mesmo com o artista, momento que foi gravado e divulgado nas redes sociais.

Pedro Nuno Santos criticou a postura do líder do executivo: “A falta de seriedade do Governo da AD não tem limites. Este Governo em plena campanha, em plena campanha eleitoral, usa dinheiro público e recursos públicos para fazer campanha. O espetáculo que nós hoje estamos a assistir em São Bento é inaceitável “, afirmou o secretário-geral do Partido Socialista.

Texto: Sofia Brandão

Fontes: RTP, Expresso, Observador, SIC Notícias

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